Gaiola dourada, prisão do passarinho,
Anéis adornando o corpo do canarinho.
Sussurros suados, silêncio profundo,
Alegoria guiando o passo do moribundo.
Houve tempos de luar,
Luz tênue a brilhar.
Tudo se apagou enfim,
Restou só o vagar sem fim.
Samba e enredo sem razão,
O cão perseguindo o próprio rabo em vão.
A beleza desfez-se no vazio,
E o feio, oco, surgiu.
Na terra seca balança,
A bandeira sem esperança.
Quanto mais a terra se cava,
Mais fundo o buraco se alarga.
Mansão suntuosa por fora,
Por dentro, barraco que chora.
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