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Entre buracos

Certa vez olhei para o céu e vi detalhes por toda parte. O dia iluminava meu semblante, levando meu olhar. Com a chegada da noite, me perdia...

segunda-feira, 3 de março de 2025

Moribunda imagem

Gaiola dourada, prisão do passarinho,  

Anéis adornando o corpo do canarinho.  

Sussurros suados, silêncio profundo,  

Alegoria guiando o passo do moribundo.  


Houve tempos de luar,  

Luz tênue a brilhar.  

Tudo se apagou enfim,  

Restou só o vagar sem fim.  


Samba e enredo sem razão,  

O cão perseguindo o próprio rabo em vão.  

A beleza desfez-se no vazio,  

E o feio, oco, surgiu.  


Na terra seca balança,  

A bandeira sem esperança.  

Quanto mais a terra se cava,  

Mais fundo o buraco se alarga.  


Mansão suntuosa por fora,  

Por dentro, barraco que chora.  

Hertinha Fischer



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