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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Sobriedade e alegria

Por que olhar para o abismo se posso, com delicadeza, contemplar a bela superfície que o rodeia? O núcleo das coisas nos assusta justamente por estar oculto aos olhos, revelando as profundezas da dor. É como encarar o interior da terra, onde há fogo suficiente para queimar todas as obras da superfície. Caminhamos sobre as chamas sem, no entanto, nos importarmos com isso. Quer viver bem? Valorize o tempo em que estiver desperto. Assim, verá com clareza a beleza que equilibra a vida e mantém este sistema em funcionamento. Tanto no bem quanto no desespero, tudo chega ao fim. É urgente coroar a esperança com a promessa de um futuro próspero, quando a morte e a feiura do corpo, ao se decompor, forem apenas lembranças distantes. Alimente-se sem abusar, pois o excesso é origem de males. O mundo quer roubar sua inocência para depois expor sua decadência. Mesmo que tirem tudo de você, ainda restará, no âmago de sua vitória, algo de valor que jamais se perderá: sua essência. Um dia, você se libertará de toda arrogância moldada pela mentira e, de tudo pelo que lutou, restará apenas um fardo a carregar. Aproveite sua estadia, não pelas coisas que se consomem, mas pela alegria de manter-se sóbrio e evitar fazer tanto barulho por nada. Afinal, os dias de alegria são poucos e, quando a ideia da morte vier à mente, perceberá que sofreu em vão.
Hertinha Fischer   (Herta Fischer)


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