Já opinei sobre vários assuntos e, se escrevi, é porque esse é o meu jeito de ser. Dizer que nunca pensei mal de alguém ou que nunca cometi erros seria mentir para os outros e para mim mesma. Muitas vezes, colocamos a culpa de nossos fracassos na vida, no destino ou, pior, em outras pessoas. Hoje em dia, ainda mais, quando para minimizar um ato terrível contra alguém, há quem justifique o agressor dizendo que foi consequência do seu passado. Se fosse assim, seria fácil demais: não haveria no mundo quem fizesse o bem, pois todos, ou a maioria, quando crianças, sofreram algum tipo de bullying, seja de um familiar, de um colega de escola ou de alguém próximo que não era da família. Eu mesma posso contar minha história difícil, por ter nascido entre três irmãos mais velhos e uma irmã mais nova. Toda a atenção e cuidado iam para a caçula, e o que sobrava era dividido entre os mais velhos. Eu ficava no meio, sufocada pela falta de compreensão, com uma ânsia enorme de ser amada e de que, pelo menos uma vez, percebessem a minha existência. Fazia de tudo para ser notada, obedecendo a todos, como um cordeirinho perdido chamando pela mãe. Acho que, pela minha inteligência precoce (modéstia à parte), eu entendia bem o que acontecia à minha volta e sabia distinguir os sentimentos que cercavam minha família e os outros. Em casa, quando meus irmãos brigavam por coisas banais, eu me encolhia, como se fosse comigo. Tinha medo das minhas escolhas, insegurança até na forma de me expressar, então desenvolvi um método especial: pensar e conversar comigo mesma. Na solidão triste dos meus dias, fazia companhia a mim mesma dia e noite; durante o dia, tentava me acertar com a sorte, e à noite, com meus medos. Eu e minhas três irmãs dormíamos na mesma cama, empilhadas uma sobre a outra.
Herta Fischer
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Eco do fim
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terça-feira, 7 de abril de 2015
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