Quando eu era pequena eu me bastava, ficava
horas a sondar as estrelas como se elas pudessem
me indicar o caminho da noite, e quando o céu se iluminava
pela manhã, as estrelas se tornavam uma só
no desejo do sol.
E lá estavam elas a se juntarem numa grande bola a iluminar
tudo.
Então, eu pensava em Deus.
Quão grande é o seu favor para com os homens, quando que, juntou
o sagrado com o mundano para lhes informar a sua generosidade.
Tirou o que estava em cima, para colocá-lo embaixo, para mostrar
aos homens o quanto os amava.
Eu olhava tudo como uma espécie de olhos mágicos, fazia da vida
sonhos realizáveis, acreditando que não estava a mercê de nada. Meu pai
terreno era a figura do Pai celestial, que, em noites de pesadelo socorria-me,
em seus braços.
Que trabalhava sol a sol para não permitir que nada nos faltasse, ensinava-me
a ser generosa para com meus irmãos, e que, o que era dos outros deveria
ficar com os outros.
Podíamos não nos fartar de bens materiais, mas, nos fartaríamos
do favor de Deus,
Os anos iam passando, e com ele a aprendizagem, minhas mãos se fortaleciam
com a prática, e também meu coração se fortalecia em aprender amor.
Quantas vezes em pegar uma enxada para revolver a terra, entre uma cantiga
e outra, os pássaros pareciam querer nos ver contentes. enquanto eles cantavam
empoleirados em galhos, nós seguíamos o ritmo da musica da enxada, que no rep-
rep cortante de sua navalha, dava ânimo ao trabalho árduo sobre o sol escaldante.
Pensando aqui com meus botões: até o sol parecia tão ameno, tão companheiro,
andando entre nuvens quando se fortalecia demais, apenas para não sofrermos
grandes castigos.
Foram bons anos, anos de felicidade e bem estar, onde não entrava nada que
pudesse nos desorientar, apenas a existência. a alegria de estar ali, entre as plantinhas
que cresciam ante olhinhos vaidosos.
E que vaidade!
Tudo acontecia em sua época.
Época de preparar a terra, quando Seu Bonifácio aparelhava seus dois cavalos a puxar seu
arado. E eu os seguia com os olhos, maravilhada com a sua técnica.
Eia! Eia! Dizia ele: -fazia som com a boca como se os tivesse beijando.
E os animais tão tranquilos, iam e vinham,incansavelmente, de lá para cá, de cá para la.
A terra se abria, torrões e mais terrões, um em cima do outro, até ficar tudo uniforme.
Quando a terra já estava pronta e bem vestida, toda arrumada para o dia de festa.
Então, já era o tempo do plantio.
Logo após chovia, parecia que o tempo já sabia a sua hora.
E nós entravamos em cena, cada um em seu lugar, realizando a tarefa a que cabia.
Os mais velhos com a enxada, abrindo sulcos, e os mais novos, lançando a semente.
Era tão divertido que nem víamos as horas passarem. ao piscar já era noite!
E a noite acontecia como quem chega para ficar, as plantas adormecem ante
o embalo da lua, descansando em sua casa. cada um em seu prazer, recebendo o
crescimento.
Tudo acontecendo pausadamente; plantação e colheita,
em estações diferentes, trabalho não faltava.
Ora plantando! ora colhendo! ora, fazendo as duas coisas juntas!
E a vida seguia como num livro aberto a contar suas historias.
Herta Fischer.
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
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