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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

A mercê de duvidas

O céu escureceu, o sol decidiu dar uma trégua. Aqui dentro, um enjoo, como quem comeu algo que não caiu bem. Normalmente sou muito alegre, rio por qualquer motivo, mas tem dias em que tudo o que eu queria era sair de cena, e de forma definitiva. Nada de dar um tempo ou ficar reclusa por algumas horas ou dias, porque a tristeza, quando chega, gruda. Não adianta fugir do óbvio ou insistir nas mesmas coisas, tentando agarrar o vento. Sempre fui muito dinâmica, gosto de ver movimento em tudo. Mas chega um momento em que parece que tudo para, não anda. As horas passam nervosas e apressadas, sem tempo nem para ser feliz.

Então, resolvi fugir um pouco da lógica e buscar a paz dentro de mim, como sempre faço: me afastar dos problemas, evitar televisão e noticiários, e me recolher num cantinho que já conheço. É aí que começo a lembrar de momentos da minha vida, e tudo surge em um relance, como se ainda estivesse vivendo aquilo. E fico mais triste ainda por não poder voltar no tempo, quando pessoas tão importantes na minha história ainda estavam vivas. Minha mãe sempre foi uma amiga fiel, e agora não posso mais contar com seus conselhos. Isso me faz muita falta.

A vida adulta não é tão simples como muitos pensam. Primeiro, ela chega sem avisar, mas acaba levando muito da gente: entes queridos, lembranças, sonhos, desejos. Sim, desejos! Desejos que antes faziam sentido, davam frio na barriga, medo, indecisão, mas tornavam a vida muito mais interessante. Embora a velhice seja falada como algo bom, e de certa forma até seja, há também seu lado cruel: dores, falta de sono, desperdício das horas, e aquela falta de prazer em tantas coisas. É assim que me sinto, um tanto enfraquecida, olhando ao redor e não encontrando nada que ainda valha a pena apostar. Tudo parece sem sentido, só desgaste e vaidade. E fico andando de um lado para o outro, como uma formiguinha perdida, ansiando...
Herta Fischer








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