Quão belo é o silêncio,
tanto, quanto,
uma for perfumada.
Este delírio que ainda me resta,
na loucura que em mim faz festa, ainda dou credito
ao amor.
Só não gosto daquele que passa sem me olhar.
Não é preciso amar, não é preciso falar,
só um olhar já me basta.
Onde encontro o amor por ainda acreditar?
Nos olhos dos animais, talvez, ou daquele que ainda
precisa?
Será que é pedir muito, não é por mim, é pelo
que ainda sinto aqui dentro.
Não estou segura em nenhum lugar. Não existe
mais prazer em passear no parque, em andar de mãos dadas
com alguém, em dizer; eu te amo, sem precisar ter, ou
se dar.
Cadê aquele olhar de paquera, aquele friozinho na barriga,
aquelas flores recebida numa noite de luar?
Por onde anda o romantismo?
A serenata suave a cantar em minha janela?
O coração a bater em disparada, o beijo roubado,
a espera por mais um dia, quando o encontro acontecia?
Os versinhos no bilhete, o amor exemplificado nas palavras,
o fim de semana tão esperado, o amor esperando para acontecer.
Hoje tudo está tão mudado.
A carroça leva os bois, o arado puxa os cavalos, e quando se vê, já foi.
Herta Fischer
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A dose certa
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terça-feira, 13 de setembro de 2016
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