Eu preferia um dia de céu claro,
ainda carrego em mim, dias cinzentos e miúdo.
Pensei pertencer a algo sério, pensei que os homens eram
bons.
Mas, ao crescer em mim mesma, descobri a impureza nos atos,
a incerteza do amor, a cama manchada de dor, e
os lamentos em meu cobertor.
Sangrei a esperança, a espera de que esparramasse alegria,
e só vi nos olhos dela rancores disfarçados.
Não gostei de crescer. preferia ainda estar lá, pequenina criança
cujos olhos eram tão puros, Não a esse que agora carrego como
peso em minha vida.
Os muros me cercaram, embora não haja silêncio em seus rodeios,
gritos e uivos dos desamparados, atravessam seus pilares.
Me atingem, eles todos, por não poder mais falar, nem arrancar do seu
peito a sua dor.
Lá vai ele com sua mochila nas costas, a cheirar seus devaneios, em tortura
e insensatez.
E o desamparo é total, a alegria escassa passa por entre seus dentes, a ranger
desatinado. Como estralos de foguete, na mancha já suja do céu, se transforma
em seu próprio inferno.
Tudo era para ser lindo: a vida, a vivência, o querer e a querência. Até tudo
se acabar de todo.
Lá vai ele, como quem segue sereno, mas, lá dentro, só Deus sabe!
Sonhou com uma casa, uma família que lhe amasse. E até teve por alguns instantes,
até se encontrar com o naufragado e também se tornar um.
O tempo levou seus amores, seus projetos, seus senhores, e o que lhe resta agora
é dor e desespero.
Marginalizado e desprezado, segue como quem não tem nada, só pó a lhe consolar.
Herta Fischer
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
terça-feira, 13 de setembro de 2016
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