Sou eu, velha página amarelada, escrita
num dia desses, pelo qual o tempo passou.
Pulei amarelinha com meus amigos, joguei
falas ao léu, vivi amores mentiras, de fitas
me enfeitei.
Seria eu, a verdade,-- seria eu, assim, tão bela
quanto me descrevo.
Este livro que sou eu, nem conheci direito,
leio e releio e assim mesmo
não entendo. Hoje sou maluca,
amanhã nem sei quem sou.
Do inverso o reverso, nem concavo nem
convexo.
Sou mais do que penso ser, ou sou nada em tudo,
ou tudo, menos
o que acho que sou.
Porque sou leal, sou otimista, sou bondosa,
sou perfeita, apenas quando me convém.
Se me atrasar em alguma coisa, lá vem eu de outro modo.
já não sou mais quem eu digo ser.
Herta Fischer.
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Foco no objetivo
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quarta-feira, 7 de setembro de 2016
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