Ah! Se todas as flores falassem... tudo faria sentido. Uma diria à outra: “Hoje fui vista, colhida, deslocada... mas minha alma evoluiu!”. Se me tiram do meu lugar, logo outra me substitui, e assim entendo que não sou única nem tão necessária assim. Porém, mesmo que não me vejam mais por aqui, sinto como se ainda estivesse, como se nunca saísse do meu lugar — apenas adormeço por instantes para depois voltar renovada. Há momentos em que estamos tão sozinhas que nem percebemos a nós mesmas, permanecendo presas a outras coisas, como se fossem parte de nós, como se não existíssemos sem o que nos cerca. Sempre preocupados com a imagem diante dos outros, se seremos aprovados ou não por sermos de um jeito ou de outro, admirando como o outro é bonito, amado... Por quê, se somos semelhantes, tão iguais quanto as flores? O filho do homem não nasce rei, nasce apenas homem, independente de títulos ou glórias. Assim como a margarida não pode ser rosa e a rosa não pode ser margarida... há quem goste das duas, pois ocupam o mesmo lugar. Uma pode nascer ou ser plantada num jardim melhor cuidado, mas, na essência, são apenas flores. O bom perfume não vem de flores exóticas, mas das comuns, não daquelas que florescem apenas uma vez ao ano, e sim daquelas que florescem sempre. Assim como o lavrador cultiva sua terra para plantar e alimentar outros, nós também nascemos para complementar uns aos outros.
Se sou vassoura, sirvo para varrer. Se sou máquina, sirvo para produzir. Se sou abelha, sirvo para fazer mel. Mas, se sou ser humano, domino tudo isso. A inteligência faz o monge, e não o monge faz a inteligência. Somente a insensatez gera sofrimento, e ela vem de quem não pensa, apenas age. É claro que, se gastar mais do que ganha, vai acabar endividado. Se isso acontecer, causará problemas a outros, pois quem vende também precisa pagar. Assim como as flores, muitas vezes ficamos parados, esperando que os outros façam, enquanto nos divertimos. As flores não podem se mover, mas nós podemos. Dominar não é massacrar, e sim fazer bom uso, usar com inteligência o que conseguimos manipular. Ou, manusear com cuidado a preciosidade que cai em nossas mãos: a vida.
Herta Fischer.
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
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Ando em linha reta pelos caminhos tortos, morro um pouco, mas não por completo. Sei que a justiça tarda, mas, um dia, ela trará as sua...
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