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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Desespero Humano


Eu estava lendo um livro de bolso escrito por Sorem Kierkegaard, tradução de Fransmar Costa lima,
Titulo: O desespero Humano, que diz o seguinte:
Não é a morte (João 12,14) esta doença e contudo Lázaro morreu. Como os discípulos não compreendessem a continuação: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas eu vou acordá-lo do seu sono. Sem ambiguidade Cristo disse-lhes: Lázaro está morto (11,14).
Portanto, Lazaro está morto, e contudo sua doença não era mortal, mas o fato é que está morto, sem que tenha estado mortalmente doente.
Sem dúvida, Cristo pensava nesse momento no milagre que mostrasse aos contemporâneos, isto é, àqueles que podem crer, a gloria de Deus, no milagre que acordou Lázaro dentre os mortos.
De modo que não só essa doença não era mortal, mas ele o predisse, para maior gloria de Deus, a fim de que o filho de Deus dessa forma fosse glorificado.
Todavia, ainda que Cristo não tivesse acordado Lázaro, nem por isso seria menos verdade que essa doença, a própria morte, não é mortal.A partir em que Cristo se aproxima do túmulo e exclama: Lázaro, levanta-te e anda! (11,43) já estamos certos de que essa doença não é mortal. Mesmo com essas palavras não mostra ele, ele que é a ressurreição e a vida (11, 25) tão só pelo aproximar-se do túmulo, que essa doença não é mortal? Mas simples fato da existência de Cristo, não é isso evidente? Para Lázaro, que proveito haveria em ter ressuscitado para ter de acabar por  morrer!
Que proveito, sem a existência daquele que é a Ressurreição e a Vida para qualquer homem que nele creia! Não, não é por causa da ressurreição de Lázaro que essa doença não é mortal, mas por Ele existir, por Ele. Porque na linguagem humana a morte é o fim de tudo, e, como se costuma dizer, enquanto ha vida há esperança. No entanto, para o cristão, a morte não é o fim de tudo, nem sequer um simples episódio perdido na realidade única que é a vida eterna. A morte implica para nós infinitamente mais esperança de que a vida comporta, até mesmo quando saúde e força transbordam.
Nesse sentido, para o cristão nem mesmo a morte é a doença mortal, e muito menos todos os sofrimentos temporais: desgostos, doença, miséria, aflição, adversidades, torturas do corpo ou da alma, mágoas e luto. De tudo o que coube de alguma maneira aos homens, por muito pesado, por muito duro que lhes seja, pelo menos, aqueles que sofrem, a tal ponto que os faça dizer que a morte não é pior, de tudo isso, que se assemelha á doença, mesmo quando não o seja, nada é mortal aos olhos do cristão.
Pois essa é a forma magnânima como o cristianismo ensina ao cristão a pensar sobre todas as coisas deste mundo, incluindo a morte.
É quase como se lhe fosse necessário orgulhar-se de estar altivamente para além daquilo que corretamente é considerado infelicidade, aquilo que vulgarmente se diz ser o pior dos males.... Em compensação o cristianismo descobriu uma miséria cuja existência o homem, como homem, ignora: a doença mortal é essa miséria.
Pode enumerar à vontade tudo que é horrível ao homem natural - e tudo esgotar, o cristão ri-se da soma. A diferença entre o homem natural e o cristão é semelhante à da criança e  e do adulto. Nada é para o adulto o que faz tremer a criança. A criança ignora o que seja o horrível, o homem sabe e teme. A deficiência da infância está, primeiramente, em não conhecer o horrível, e em seguida, devido à sua ignorância, em tremer  pelo que não é para fazer tremer. Igualmente o homem natural. Ele ignora onde verdadeiramente jaz o horror, o que todavia não o livra de tremer. No entanto, é do que não é horrível que ele treme. Dessa forma, o pagão na sua relação com a divindade não apenas ignora o verdadeiro Deus como adora, além do mais, um ídolo como se fosse um deus.
O único que conhece a doença mortal é o cristão. Porque o cristianismo lhe dá uma coragem ignorada pelo homem natural - coragem concebida com um receio dum maior grau de horrível. verdade é que a coragem à todos é dada e que um receio de um maior perigo nos dá forças para afrontar um menor. E, finalmente, que o infinito temor dum único perigo torna inexistentes todos os outros. Não obstante, a lição horrível do cristão está em ter aprendido a doença mortal....
A primeira doença mortal é o desespero...
Fim!


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