Sinto-me meio longe,
rosto e sorriso largo, nem
sequer me vejo.
Uma angustia de dia seguinte.
Um amargo de hoje na boca,
um silêncio mesquinho
de quem não se entrega
a própria definição.
Será só esta vida malograda de
anos contados, gotas em oceano
ou ainda há alguma esperança de mais.
Até onde a minha fé vagueia,
se sem fé também se vai
O criador sempre me arranca
a máscara
me deixando sempre a querer mais.
Eu peso, tu pensas, e acordo não há
uma soma de nada, nada a acrescentar,
só doenças e ais.
Não estou mais aqui, aqui não quero estar.
Dentro do pensamento é que me alegro,
no egocentro sou mais eu
sem ninguém à me perturbar
Este é o meu céu, aqui o meu senhor
me desperta, aqui eu posso
sentir a alva surgindo
nada denegrindo esse parecer
Que mais me espera
se vida ou morte, tanto faz
Uma ou outra, já se fez, ou se faz ouvir
a trombeta à tocar, anuncia que virá
tudo o que ainda não veio.
E se vem, já não posso
e se posso, já estou,
e se estou, para que me preocupar....
Hertinha Fischer
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