Olhando para o passado. O que sobrou dele?
Castelo de papel.
Se fez algum sentido para alguém,
já foi esquecido.
A orla, aos poucos, é sugada pela maré, vira barranco,
Mariscos secam onde a água não chega,
Castelo de papel
Vozes de antes se calaram, pregadas como
pregos na parede, um dia virou ferrugem
e se desfez,
Castelo de papel
E o sonho sonhado de madrugada,
ao surgir do sol, fica esquecido,
e o sonar do sino que toca por alguns instantes,
para depois se calar,
Castelo de papel
O amor sentido, atribuído a algo ou alguém
num relance de intimidação virou ódio e
mágoa e nunca mais voltou a ser.
Castelo de papel.
A tinta, o lápis, a caneta encontrou seu mundo morto,
mãos suadas em comportamento estranho, na escrita
de um computador.
Castelo de papel
A crença que no amor brota, a degustação do bem afável,
a leitura da inspiração,caiu no poço fundo da incompreensão,
Castelo de papel
Piedade á mercadejar, ciência absurda de posse,canavial
sem açúcar, semente oca, sem vida sem historia.
Castelo de papel
E quando a chuva chegar, será que ainda haverá segurança,
será que sobra alguma coisa,
Castelo de papel?
Hertinha Fischer
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Foco no objetivo
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quarta-feira, 22 de abril de 2020
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