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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Negro céu azul

A chuva não vem,
o barro fragmentado, estorricado
abaixo dos meus pés a sangrar.
Tremendo estão as nuvens sem
água sem estação.
Há uma sangria por toda parte,
e um cheiro de morte no ar.

Nos poucos troncos de juncos enfileirados,
o fogo quente á consumir as hastes, folhas
secas e podres beijam o chão.
Aves abandonaram seus ninhos,
pobres dos passarinhos
O charco é só convulsão.

Negro céu azul se tornou em toda parte,
secura traiçoeira e poeira,
se levantou no sertão e na cidade
Mãos calejadas descansam da enxada
mas não tem repouso não.
Nem o diploma adiantou nesse tempo
de calamidade.

A figura do peão, agora desfigurado,
ante a fúria do vulcão que tem
por nome fome.
Vagueia por entre pedras,  com
seu cavalo sedento, vazio esta seu coldre
A arma que um dia usava,
agora mata sua fome.
 Hertinha Fischer


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