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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

terça-feira, 21 de abril de 2020

Exultação

Havia uma estradinha de terra serpenteando o lugarejo,
cabendo nas mãos dos meus sonhos.
Suave e perfumada, com cheiro de terra, meus pezinhos
lisonjeiros as esmiuçavam entre os dedos.
O vento sorrateiro zombava de sua sensibilidade, arrancando-à
de seus devaneios, levando-à a brincar de pipa nos ares.
O cinza se misturando ao azul celeste do céu, quase a encobrir o sol.
A vida pulsava com o coração acelerado em meio ao capinzal repleto
de sementinhas onde passarinhos desenhavam seus ninhos sorrateiros.
Um cantar constante de grilos e cigarras ao cair da tarde, e a noitinha, pirilampos
incendiavam os ares com suas luzinhas cintilantes.
Onde as bananeiras dormiam, também dormiam os sapos, confortáveis pela umidade
que ela oferecia.
O ingazeiro majestoso, exibindo a copa florida, entre milhares de árvores que pareciam alcançar o céu.
Taquareiras à cantar, abraçando umas as outras, numa melodia assombrosa, e ao
mesmo tempo tão divinal.
Os raios de sol a brincar em seu meio, escapando por entre elas, dançando a musica da floresta,
até se cansar.
A noite surgia com sua magia, pondo quase tudo pra dormir, na sorrateira escuridão, burburinho se ouvia no doce rincão.
A penumbra despertava seus grilos, restaurava a paixão dos sapos,  aninhava suas aves.
As árvores perdiam suas cores, pintando com carvão seus caules e folhas, saudando a lua que já despontava atrás do chiqueiro.
Um clarão vindo do oeste, tocava de manso a copa das árvores, fazendo-á vibrar. E a estradinha de terra, escura e perdida, novamente se achava a sorrir.
O clarão despertava seus súditos, tocando a flauta da vida noturna, os seres encobertos pela luz do dia despertavam na toca, saindo de seus estado de sono, e tudo se avivava novamente.
Uma luz se apagava, outra se acendia e a vida nunca dormia.
Bem no meio desse gosto, nascia uma casinha, cercada de terra batida, entre o bananal que a protegia do vento, entrava em transe, quieta em seu lugar, lá dentro a vida descansava, lá fora, outro tipo de vida surgia.
Num vai e vem de magia, tudo recomeçava de novo e de novo, os mesmos personagens, outras historias, mas a estradinha, a casinha, sempre seriam as mesmas. serpenteando o sertanejo coração da terra.. povoando nossos corações de alegrias...
Hertinha Fischer











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