Quando não me sinto bem,
escrevo cartas para mim.
Coloco um papel na escrivaninha
me dizendo: Lembra de quando era criança,
e detestava que te pegassem numa falta?
Parecia que o mundo ruía debaixo de
seus pés.
Ficava tão diminuída, mais
parecia um duendezinho
cercado pelas bruxas más.
Era vergonha, que sentia, vergonha
que os adultos não conheciam.
As copas das árvores te socorriam, ao escalar
galho por galho, ferindo braços
e mãos, as dores compunham dores,
e a altura te definia.
Não suportava que te desprezassem,
nem que duvidassem de sua bondade, embora
nem soubesse bem a diferença de uma coisa
e outra.
Aquilo de que fui feita, nem sei de que
massa era. aquilo que me ensinavam, nem sei
como eu já sabia.
Escrito estava lá dentro, leitura fazia
por fora. Uma máquina, engrenagem
perfeita, fazendo coisas, fabricando
malandragens.
Nomes, fatos, leitura de sentimentos,
crueza de palavras, feitura do barro, da madeira,
de aço, Tudo era, tudo havia e aprendia.
Ossos e mais ossos, sabia onde nascer
e se separar, e se fundir com carne, se ligar
em músculos, se aparelhar com veias, tubulado
como se já soubessem o caminho.
Havia coisas que a minha percepção contava,
casos e mais casos que até eu
mesma duvidava.
Herta Fischer
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Eco do fim
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sexta-feira, 5 de outubro de 2018
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