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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Um pingo em lagoa seca

Eu queria poder dizer que está tudo bem, tudo maravilhoso, mas teria que mentir para mim mesma. Existe uma grande barreira entre nós e o bem-estar. Seria ótimo se a saúde do corpo fosse nossa única preocupação, mas há também os limites da alma, que anseia por libertação de toda essa controvérsia que nos alimenta como humanos. A ilusão de que podemos ser completamente felizes quase sempre nos deixa afogados em frustrações. Querer mudar ou querer mudanças nos lança num poço profundo, quase sem luz. O mundo não muda; é sempre ele quem dita as regras. Tudo gira em torno do poder, moeda tão ou mais valiosa que o dinheiro. Meu espírito deseja liberdade e justiça, mas elas nunca realmente se aproximam de nós. Contra nós, range o revólver e a chama ardente do projétil; não há para onde fugir, os cavaleiros nos alcançam e ferem. De longe, sentimos o cheiro da decadência, da qual nunca estamos livres. Ela vem como um gavião sobre a presa, com garras de ferro que prendem a alma e, sem misericórdia, nos devoram. Muitas vezes nos calamos, e o silêncio volta, pois a praga nos crava os dentes no céu da boca, e a língua se desfaz por não ter a quem gritar. Somos nada diante da presa quase chamada morte, nesse veneno poderoso chamado sorte. Os anos dos poderosos são coroados, enquanto os mais pobres comem capim nas campinas e choram por seus filhos mortos. Estamos à mercê de tudo, vendo de longe os corruptos contarem bilhões, enquanto o povo conta centavos. Não consigo aceitar isso, me revolto a ponto de querer sair do mundo. Mas e daí? Vai melhorar? Com ou sem minha presença, a sorte sempre sorrirá aos gananciosos, e a pobreza continuará acompanhando os que seguem honestamente.
Herta Fischer (hertinha)





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