Bom, resumindo, levei um bom tempo para chegar a uma conclusão só minha. A palavra de Deus é muito acolhedora e, ao pensar nisso, voltei à fonte. Com a ideia de que precisava que alguém me ensinasse, comecei a frequentar uma igreja novamente e fazia um estudo detalhado, acompanhado por um professor. No início, isso me fortalecia muito; era gratificante encontrar tanta sabedoria e, principalmente, sentir todo aquele amor presente nos ensinamentos de Jesus. Porém, com o tempo, aquele que me ensinava tornou-se um tanto arrogante, incitando-me a fazer distinção entre as pessoas e dizendo que eu deveria desprezar quem não pertencia à sua denominação. Acostumada a me dar bem com todos, independentemente de religião, achei estranha essa postura. Passei a ler a Palavra de outra forma, pedindo a Deus compreensão, pois não aceitava a ideia de um Deus parcial; não era esse Deus que eu buscava. Ao começar a leitura por conta própria, sem misturar a história com minhas convicções e sem me colocar como judia, fui compreendendo aos poucos, de forma maravilhosa. Entendi que não é a religião que salva, nem meu querer ou força de vontade que me torna fiel, mas sim a fé no Salvador. Assim como os israelitas esperaram pelo Salvador que os tiraria do Egito e do cativeiro, acreditando mesmo sendo apenas uma promessa, eu também precisava crer que meu Salvador vivia e que, assim como Moisés, me libertaria do cativeiro do pecado. Mas a fé não vinha de mim, era dom de Deus. Esperei em Deus todos esses anos, talvez porque ainda não era chegada a hora; meu coração precisava estar preparado para assimilar tão grande compreensão. Todos os dias eu lia, relia e pedia; estava realmente disposta, queria aceitar e entender mais do que qualquer outra pessoa, eu precisava!
Naquela época eu já era casada, tinha mais de trinta anos, dois filhos pequenos, muitas tarefas, mas não abria mão da minha sede de conhecimento. Havia encontrado um grande amor: meu marido, uma pessoa muito boa, com quem eu crescia junto, mesmo não sendo tão jovens. A adaptação foi extremamente difícil para ambos, pois tivemos que aprender a dividir tudo. Quando iniciei minha jornada religiosa, éramos leigos, conversávamos sobre tudo, mas sempre acabávamos discutindo por termos opiniões diferentes sobre religião. Ele era mais cético, embora acreditasse em Deus, inclinava-se mais para a ciência. Eu, ao contrário, sempre fui mais espiritualista. E quando se pende para todos os lados, é mais difícil encontrar um rumo, por isso sofri muito nessa empreitada. Os dias passavam e eu, cada vez mais ávida por aprender, nunca aceitei o que me diziam sem buscar por conta própria saber se era verdade. Fiz um longo caminho, debati muito com meu marido sobre o que lia e entendia, e com o tempo tudo foi ficando mais claro, até que a luz completa se instalou no meu coração. Foi maravilhoso, dissipou todo o medo — da morte, da vida, a insatisfação, a ansiedade pela saúde dos meus filhos — e até a minha forma de me relacionar com os outros mudou completamente. Conheci e compreendi o Deus que tanto buscava. Um Deus maravilhoso habitava em mim, guiava toda a minha existência e me impulsionava a ir além. Foi então que conheci o amor, que até então me era desconhecido, pois nunca me conformei em vivê-lo pela metade. Eu amava de forma egoísta, tratava as pessoas com egoísmo, no toma-lá-dá-cá. Tudo era sinônimo de troca, até minhas alegrias precisavam ser compartilhadas, tamanho era o egoísmo bruto que me dominava.
Precisei chegar ao inferno para reencontrar a luz, e ela estava tão perto que o único obstáculo era aquilo que eu me recusava a enfrentar. Deus nos deu pés para caminhar, mas é tão mais fácil apoiar-se em muletas. A preguiça se torna uma arma contra nós mesmos. Que libertação maravilhosa foi a obra que Deus realizou em mim, quando já não acreditava e, no fim da linha, Ele finalmente me encontrou. Esse encontro aconteceu quando meus olhos se abriram para a realidade em que vivemos, quando deixamos de confiar nas promessas e passamos a pensar que precisamos merecer. Como merecer tão grande salvação, senão pelo amor e pela compreensão dos Seus feitos? Cristo deixou o céu por nós. Aquele céu que eu via azul e parecia inalcançável agora se formou dentro de mim como luz — luz celestial, que eu pintaria de azul celeste. Cristo, o amado Filho; Deus, o amado Pai. Pai e Filho tentando formar a família perfeita, enquanto essa família disputa a herança de um trono terreno. “Meu reino não é deste mundo”, dizia Ele, enquanto os herdeiros da promessa temiam perder o trono da Terra. Graças a Deus que, por meio de Cristo, nos tira deste lugar onde a perversão se instala e a luz dá lugar à escuridão e à dor. “Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha junta seus pintinhos debaixo das asas, e tu não quiseste!”, dizia Ele.
Até hoje, Ele ainda deseja nos reunir, mas as ilusões sobre o que é verdade ou mentira nos deixam à margem do Salvador. Mesmo à distância, não conseguimos abandonar a competição para exercer a fé de verdade. Se dependesse de outros, eu também teria endurecido meu coração e aceitado de bom grado o que me ensinavam; se dependesse de mim, eu ficaria presa a verdades alheias, onde o Espírito não está. Pois o caminho é único. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu teria dito. Vou preparar um lugar para vocês. E quando eu for e preparar esse lugar, voltarei e os levarei comigo, para que onde eu estiver vocês também estejam. Vocês sabem para onde vou e conhecem o caminho. Tomé disse: Senhor, não sabemos para onde vais; como podemos saber o caminho? Jesus respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. Se vocês me conhecessem, também conheceriam meu Pai; e desde agora o conhecem e o têm visto. Filipe disse: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. Jesus respondeu: Há tanto tempo estou com vocês e não me conhecem, Filipe? Quem me vê, vê o Pai; como dizes: Mostra-nos o Pai? Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que digo não vêm de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, realiza as obras.
João 14:20-10
Deus faz as obras.. Creia que Deus mostra o caminho, e que o caminho é Cristo.
Quem conhece a mim, também conhece o Pai, e já o conheceis e o tendes vistos.
Disse o Senhor Jesus aos discípulos, e cabe a cada um de nós, que o buscamos em novidade de vida.
Cristo é o amor de Deus revelado ao homem, É desse amor que temos que nos alimentar, não de uma forma alegórica, nem de língua, mas de fato e na verdade, no amor ao nossos semelhantes, E semelhantes não são os que defendem um rotulo.. Semelhantes somos todos nós, os humanos.
E qual é a obra de Deus senão a vida contida em seu Filho. Ele não nos dá coisas, Mas ele nos preenche de vida!
E pede, em um de seus mandamentos aos homens, não mais aos israelitas de sangue, e sim, aos israelitas espirituais. E ele replicou: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e com toda a tua capacidade intelectual’ e ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’”
Capacidade intelectual... relativo a mente e ao espirito.
E o segundo mandamento com promessa: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Aqui fazendo referencia a todos os homens em que te aproximares.
Pronto! Entendi que cabe a Deus realizar Suas obras da forma que achar melhor, e a mim, crer nesse poder. Isso me trouxe um alívio tão grande que me transformou em outra pessoa. O medo, a controvérsia e qualquer coisa que possa me afastar desse amor infinito já não fazem parte de mim. Esse amor me inspira a amar da mesma forma, se for possível. O Deus que apresento tem todo o poder sobre tudo, até mesmo sobre o mal que gera divisões, medo e perturbações. Ele é forte para vencer e vai vencer, com toda certeza. Cristo se tornou meu rei, em quem confio plenamente. É Ele que me leva a dar este depoimento como expressão de como me sinto e de como minha vida mudou. Não estou presa a nada neste mundo, apenas a Cristo e ao amor que Ele representa, não só em mim, mas na forma como me relaciono comigo mesma, com minha família e com todos que cruzam meu caminho, sejam conhecidos ou não.
Herta Fischer (Hertinha)
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