Que saudade do meu chapéu de palha, do suor escorrendo por entre ele.
Meu mundo era minha terra. Meu governo, meu pai. Minha mãe, minha rainha.
Meu cavalo lebuno trazia o mundo em suas pernas e a melodia em seus trotes.
Em noites enluaradas, deitada em minha cama, podia sondar as luzes, por entre
as esburacadas paredes.
O cheiro de terra molhada, quando a chuva nos visitava, ainda trago nas narinas
a sua doce lembrança.
A água que escorria por uma pequena bica, límpida, doce e livre, caia
por sobre as mãos, cantando a sua canção mais nobre, sem contaminação.
A mata tão meiga e amiga, escutando-me tão cautelosamente, sem descriminação,
sem violar meus direitos, sempre estavam de braços abertos.
E o vento, correndo livre, fazendo dançar as folhas, saudando o amanhecer.
E eu, tão pequenininha, me sentindo gigante, no lombo do meu cavalo.
E tudo que era tão doce, hoje me soa amargo, pois todo sonho, um dia,
só sobrevive de imaginação.
Herta Fischer.
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Restos do resto
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quarta-feira, 29 de outubro de 2014
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