Carrego nos ombros a carga mais severa,
o tempo!
Que de dia em dia se entrega no mais vil procedimento,
carregando a esperança do haver depois.
Antes me desvendava, em minha caminhada serena, agora
me transborda de incertezas.
Empurrando-me para um túnel enfadonho,
que de lutas em lutas me deixa se perder.
Sem memórias que não seja o que passou,
sem esperanças á não ser do que virá.
E se virá, o que vai ser?
Espessura e comprimento,
se vai moldando tudo ao derredor,
dos sonhos em vão, da alegria que não chega,
ou que passa num clarão.
Nas rodovias empoeiradas,
da correria da vida,
o que se aproveita da solidão?
Ao chorar por uma perda, ou se alegrar com a chegada,
no rever um grande amor,
e não mais poder senti-lo, está a maior lição.
De que não somos donos do tempo,
nem dos nossos sentimentos , nem tão pouco da razão.
Deus é o tempo, nós os expectadores,
que da arquibancada da vida, ficamos
torcendo para que, para nós,
o tempo seja eterno....
Tempo que cuida, tempo de revelações,
tempo que mata ilusões,
Tempo de revoltas, tempo de paz,
tempo que envergonha os vaidosos,
que desmascara os atrevidos,
e escarnece dos fanfarrões.
Tempo que revigora, depois devora
o que foi feito.
Que tudo dá, depois tira,
que devolve a ira, dos que com ele não se dão.
Tempo, tempo... que não para, mas não dá a oportunidade
de seguirmos com ele até o fim,
pois com o tempo nós passamos,
com o tempo em pó
nos transformamos,
mas, ele segue seu ritmo,
trazendo outras vidas em suas mãos.
Herta Fischer.
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Eco do fim
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