sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Meu encontro com Deus

Passei um tempo, muito temerosa, pois
me diziam, que, para alcançar a misericórdia de
Deus, eu precisava me esforçar.
Ah! Senhor! Como me destruí por dentro,
como chorei pelas tantas fraquezas.
Como me iludi com o mundo, como
busquei por amor,
até compreender que tinha o maior amor.
Todas as manhãs, quando o sol renascia,
renascia em mim a angustia, a necessidade, a ansiedade.
E eu precisava sair a tua procura, como bebezinho
busca o seio sagrado de sua mãe, e onde tu te escondias?
Não era lá, nem cá, Pois em todos os lugares eu te procurei,
e não te encontrei em lugar algum.
Então, nessa minha busca, eu comecei a desejar o céu,
e me orientava com meus olhos em direção ao
azul que me fascinava. Tu estarias lá?
Descobri que toda aquela imensidão que se chamava céu,
não passava de um imenso vazio, que era gás misturado
com vapor, e nada mais.
Que decepção!
Um vazio maior que todo aquele azul tomou conta
da minha alma. Não! definitivamente, não estavas lá!
Tive meus tempos de satisfação, quando meu pai terreno
ainda estava vivo, mas depois que ele e minha mãe se foram,
eu fiquei órfã. tão solitária e triste, quanto uma rosa plantada,
 em pleno deserto.
Meus dias eram tristes, minha vida sem sentido, procurava
satisfação fora de mim, nos olhares de algum transeunte, e nada!
Nada me satisfazia, o vazio continuava lá, e a esperança se
findava em cada manhã.
Comer e beber não me bastava, só me deixava mais necessitada
de ternura.
Eu não cabia mais em mim, tentei o suicídio certo dia, tomei
umas pilulas com coca cola, fui parar no hospital.
Mas não morri!
E pensava comigo; nem esse privilégio o Senhor me concede, o de morrer
para lhe encontrar. Viras o teu rosto e meu amor não lhe basta?
Entreguei-me ao trabalho como um burrinho de carga, trabalhava até a exaustão,
minha mãos calejadas e surradas mal suportavam tanta dor.
Chegava em casa ao findar a tarde, e a solidão era maior, ninguém a me esperar,
só a desilusão de pensar que  era desprezada por todos, inclusive por Deus.
Comprei uma bíblia e comecei a ler. quem sabe, assim poderia encontrar nela
o caminho para chegar até Ele.
Porém, o que consegui foi ficar com mais medo.
Eu estava mesmo perdida! Não haveria salvação para mim.
As pessoas frequentavam um templo e tentavam me animar dizendo;
Esta é a casa de Deus, aqui o encontrarás!
Eu até tentava encontrá-lo, fechava meus olhos, ouvia atentamente o desenrolar
da doutrina, admirava a fé das pessoas, ficava impressionada com o que me diziam, mas,
não, o Deus que eu procurava, não estava lá.
A bíblia no primeiro momento, quando comecei a ler desde o principio, me deu um certo
alento. a história era bem interessante.
Quando cheguei no Apocalipse, é que a confusão começou. Fiquei apavorada, muito
mais apavorada que antes.
Tinha uma terrível ameaça de castigo, e sem a devida compreensão, aquilo me fez um certo mal,
comecei a ter pesadelos.
Imaginem, eu morando sozinha, numa casa vazia, sem moveis, e ainda ter que pensar sobre tudo aquilo que lia.
Deixei para lá! Vamos de filosofia então.
Iniciei-me no estudo de filosofia, Frequentei a Seicho no ie, ganhei uma sutra e ficava horas recitando uma oração sem sentido, pois não entendia  nada do que dizia.
Cai em si, e comecei a usar o entendimento, sem entendimento não pode haver crescimento, comecei a pensar: Como achá-lo sem saber onde se encontra, Como posso entender de Deus sem o conhecer?
E como buscá-lo se não sei onde se encontra?
Alguns dizem que é lá. Outros me dizem que não! que é acolá.
Bom! Resumindo, levei um tempão para chegar a uma conclusão só minha.
A palavra de Deus é muito aconchegante. Ao pensar nisso, voltei a fonte.
Com a ideia de que precisava que alguém me ensinasse, comecei a frequentar uma
igreja novamente. fazia um estudo detalhado, acompanhado com um professor.
No inicio até que me fortalecia, era muito gratificante encontrar tanta sabedoria, e principalmente,
deparar com todo aquele amor contido nos ensinamentos de Jesus.
Porém, ao passar do tempo, aquele que me ensinava, passou a tornar-se um tanto arrogante, me incitando
a fazer diferença entre um e outro, me dizendo que eu teria que desprezar quem não pertencia a  sua denominação. E eu, acostumada a me dar bem com todas as pessoas, independente de religiosidade, achei um tanto estranho aquela posição.
Comecei a ler a palavra de um outro modo, pedindo a Deus a compreensão. Não me conformava com aquela ideia de um Deus parcial. não era esse Deus que eu buscava.
Ao iniciar a leitura por mim mesma, sem misturar a historia com as minha convicções, e sem colocar-me como judia, que eu não era. Com toda a compreensão, devagarzinho, tudo foi se esclarecendo
de uma forma tão maravilhosa.
Entendi que, não é a religião que salva, não é o meu querer que acha, não é a minha força de vontade
que me faz fiel, e sim, a fé no salvador.
Assim como os israelitas esperaram pelo salvador, aquele que lhes tiraria do Egito e os libertaria do cativeiro,  e acreditaram, mesmo sendo só uma promessa.
Então, eu também, precisava acreditar que o meu salvador vivia, que assim como Moisés, me libertaria do cativeiro do pecado, mas,  a fé não vinha de mim, é dom de Deus.
Eu esperei em Deus por todos aqueles anos, talvez, porque ainda não era chegada a hora, eu precisava estar preparada de coração, para poder assimilar tão grande compreensão.
Todos os dias eu lia. e relia, e pedia, eu realmente estava disposta, eu queria aceitar e compreender, mais que qualquer outra pessoa, eu precisava!
Eu já estava casada naquele tempo, tinha mais de trinta anos, dois filhos pequenos, muitas tarefas, mas não abria mão da minha sede de saber.
Encontrara um amor, meu marido era uma pessoa muito boa, estávamos crescendo juntos, apesar de que, não éramos assim tão jovens.
Foi extremamente difícil a adaptação de ambas as partes, pois tivemos que aprender a dividir tudo.
Quando comecei a minha via sacra religiosa, ambos éramos leigos, falávamos sobre tudo
mas sempre entravamos em discussão, por termos pensamentos adversos sobre a religião.
Ele era mais cético, embora acreditasse em Deus, pendia mais para a ciência dos fatos.
Eu, ao contrario, sempre fui mais espiritualista.
Só que, quando ficamos pendendo para todos os lados, mais difícil encontrar uma direção. Por isso, penei muito nesta minha empreitada.
Os dias foram se passando, e eu, cada vez mais ávida por conhecimento, nunca fui muito boa em aceitar o que falam, sem procurar por mim mesma saber se procede, ou não.
Fiz uma longa trajetória, debati muito com meu marido a respeito do que lia e entendia, e conforme o tempo ia passando, mais claro ia ficando, até que a luz completa se instalou em meu coração.
Foi muito bom, dissipou todo o medo: o medo da morte, o medo da vida, a insatisfação da vida,
a  ansiedade pela saúde de meus filhos e até a minha forma de relacionar com os outros mudou completamente.
Eu conheci e compreendi o Deus que eu tanto buscava. Um Deus maravilhoso morava em mim, comandava toda a minha existência, e me incitava a ir além.
Foi ai que conheci o amor, que até então me era completamente desconhecido, pois, nunca me conformei em vivê-lo pela metade.
Eu amava de uma forma egoísta, eu tratava as pessoas de um forma egoísta, no toma-lá-dá-cá.
Tudo era sinônimo  de troca, até as minhas alegrias precisavam ser compartilhadas, tanto era
esse egoísmo bruto que me dominava.
Precisei chegar ao inferno, para novamente encontrar a luz, e essa luz estava tão perto, e o que me impedia de ver era justamente aquilo que eu recusava encontrar por mim mesma.
Deus, nos deu pés para andar, mas é tão mais fácil usar escora. A preguiça se torna uma arma contra nós mesmos.
Que libertação! Que maravilhosa obra Deus operou em mim, quando eu não mais acreditava, quando
já estava no fim da linha, ele finalmente me encontrou.
Eu tive esse encontro maravilhoso quando se abriu meus olhos para a realidade que vivemos, quando deixamos de acreditar nas promessas, e iniciamos a modalidade de achar que temos que fazer por merecer.
Como merecer tão grande salvação, senão pelo amor, senão pela compreensão dos seus feitos?
Cristo abdicou do céu por nós.
Aquele céu que eu via da cor azul e que não podia existir, agora se formou em mim como luz, eu até o pintaria de azul celeste, porque é realmente luz celestial.
Cristo, o amado Filho.. Deus, o amado Pai. Filho e Pai, tentando formar a família perfeita. E a sua família brigando pela herança do trono terreno?
Meu reinado não é desse mundo, dizia ele: E os que pertenciam a promessa temendo a perda do trono terrestre.
Graças a Deus, que,  por meio de Cristo nos tira deste mundo, onde a perversão se acomoda, e a luz não mais existe, só escuridão e dores,
Dizia ele:  quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintainhos debaixo das asas, e não o quiseste! 
Até os dias atuais, Ele ainda quer ajuntar-nos, mas, as alucinações sobre o que é verdade ou mentira nos coloca a margem do salvador. Quase que mesmo a distância, por não conseguirmos deixar de lado a competição, para verdadeiramente exercer fé.
Se dependesse de outros, eu também teria endurecido meu coração e aceitado de bom grado o que me ensinavam, Se dependesse de mim, eu ficaria submetida a verdades alheias, onde não tem o espírito.
Porque o caminho é um só.
Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vô-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.
E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.
Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.
Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.
Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.
 João 14:20-10
Deus faz as obras.. Creia que Deus mostra o caminho, e que o caminho é Cristo.
Quem conhece a mim, também conhece o Pai, e já o conheceis e o tendes vistos.
Disse o Senhor Jesus aos discípulos, e cabe a cada um de nós, que o buscamos em novidade de vida.
Cristo é o amor de Deus revelado ao homem, É desse amor que temos que nos alimentar, não de uma forma alegórica, nem de língua, mas de fato e na verdade, no amor ao nossos semelhantes, E semelhantes não são os que defendem um rotulo.. Semelhantes somos todos nós, os humanos.
E qual é a obra de Deus senão a vida contida em seu Filho. Ele não nos dá coisas, Mas ele nos preenche de vida!
E pede, em um de seus mandamentos aos homens, não mais aos israelitas de sangue, e sim, aos israelitas espirituais. E ele replicou: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e com toda a tua capacidade intelectual’ e ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’”
Capacidade intelectual... relativo a mente e ao espirito.
E o segundo mandamento com promessa: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Aqui fazendo referencia a todos os homens em que te aproximares.
Pronto! entendi e compreendi que cabe a Deus fazer as suas obras como melhor lhe aprouver. 
E cabe a mim, crer nesse poder!
Isto me aliviou de tal maneira, que me fez outra pessoa. Não mora mais em mim,o medo, nem a controvérsia, nem nada que possa me separar desse amor infinito,. que me instiga a amar da mesma forma, se isso me for possível.
Esse Deus que vos apresento, detém todo poder sobre tudo, até mesmo sobre o mal que causa tantas divisões causando medo e perturbações.
Tem tanta força para vencer, e vai vencer com toda certeza. 
Cristo se tornou rei para mim. Um rei em quem eu confio cegamente.
É ele que me faz estar aqui dando esse depoimento como representação de como me sinto, e de como minha vida mudou até então.
Não estou ligada a nada neste mundo, a não ser em Cristo e o amor que Ele representa não só em mim, mas também na maneira que eu me relaciono comigo mesma, com minha família e com todos os que passam na minha vida, seja conhecidos ou desconhecidos.
Herta Fischer (Hertinha)