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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

domingo, 27 de outubro de 2024

Submundo neurais

Durmo e percebo outro mundo.


Cercado por um mar desértico, 

feito de água e açúcar. 

Tento voar além com minhas asas, 

mas ele me alcança com seus braços. 

Há uma guerra distante se desenrolando,

aviões caem dos céus, bombardeiam 

minha paz. 

Afoga-me um riacho ferido 

pela tempestade. 

Abraço o amor de uma árvore 

e encontro salvação. 

Caio em um poço inexistente, 

de profundidade invisível. 

Um cão tenta agarrar meus pés, 

e eles recuam. 

Eis o mundo, eis o submundo, 

quem dera alguém o lesse. 

Que meus olhos pudessem 

ver os avessos, só assim 

entenderia os inexatos.

Hertinha Fischer

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