As vezes me perguntam, ou apenas pensam, que
eu falo coisas boas, que eu enfatizo demais
a esperança que eu falo da alegria, e que,
isso são hipocrisias.
Impossível ser feliz em meio a densidade
das trevas entre nós, impossível alguém se alegrar
diante do quadro mundano, que, se nos é, apresentado,
todos os dias, quando ouvimos tantas noticias referentes
a violência e desrespeito entre nós.
Parece que nunca sou tocada, que não me abalo, que estou
indiferente a tudo isso, mas, não é verdade.
Desde os quatorze anos que vivo exposta aos perigos,
não que antes disso estive protegida, mas, que, antes, eu estava
com meus pais, protegida em minha casa, sobre a vigilância
constante dos adultos.
Com quatorze anos fui jogada no mar da vida,
despreparada e medrosa, eu enfrentei as ondas bravias
e furiosas do mar mundo!
Então, me preparei com muita fé para viver em meio a
muitas coisas e fatos desconhecidos. Ante o desenvolvimento e mudança
que ocorria em meu corpo, e consequentemente, a mudança
de rumo da minha vida!
Eu vivia no mato, onde tudo era mais concentrado nas
pessoas conhecidas, não havia muito a conhecer, nem experiências
novas.
Quando me dei conta, já estava na cidade, entre milhares de passantes,
alguns moravam por lá, outros apenas passavam, pois qualquer cidade
é rota de migração.
Dizer que havia gente má, com certeza, sim! Mas, eu não vi, nunca parei
para analisar de onde vinham, nem quem eram, muito menos, o que faziam.
Eu só sabia de mim. E tinha bem firmado, em mim, o certo e o errado, e
também, sabia das consequências dos meus atos.
Tinha consciência dos perigos, no entanto, nunca pensei neles como algo
que poderia mudar. Sempre fui daquelas que acredita que não podemos
fugir dos acasos, a única forma de se ver livre, é estar totalmente alerta.
E nem sei bem como, não foi porque quis, já nasci alerta. Para muitas coisas
até que era esperta demais. Eu sempre sabia a hora de parar, a hora de dizer não,
a hora de fugir de certas situações que pudessem me levar a caminhos desconhecidos.
E para minha surpresa nunca me ofereceram nada ilícito, embora parecesse
tão vulnerável.
Já faziam uso de drogas naquela época, mas eu só ouvi isso da boca de minha irmã, quando
ela se referiu a um amigo meu, como maconheiro!
Eu não sabia o que era, só pensei ser uma coisa ruim, no entanto, nem
curiosa eu fiquei. Coisas desse tipo não me interessavam.
Eu era feliz daquele jeito, embora estivesse a mercê dos braços da incógnita, embora
não tivesse aonde cair morta, sempre guardei, em mim, um sossego inabalável.
Nunca via nada que pudesse me tirar do prumo, nem nada que pudesse me fazer mal, nem
mesmo a fome me fazia sentir tristeza.
Trabalhava, muitas vezes sem remuneração, nunca parei para pensar em exploração, nunca fui
obrigada a fazer nada que não queria.
Apesar de tudo isso, no final, quando despertei para a real necessidade, de comer, especialmente,
tive que procurar um juiz para que o meu patrão pagasse o que me devia. E assim fui em busca de novo emprego.
Só então, eu tive todos os meus direitos, com carteira assinada e tudo.
E vivi, vivi como qualquer ser vive, as vezes solitária, outras, nem tanto, acertando
ou errando, o tempo passou.
E hoje, sentada aqui em frente ao computador, posso dizer com todas as letras: continuo
sendo feliz! Em meio aos passantes desta historia, em meio ao caos do consumismo, em meio
aos homens que estão ai, muitas vezes, para ajudar, muitas vezes, para empatar, muitas
vezes, para matar, muitas vezes, para socorrer.
E vou continuar até que a cortina se feche e minha janela se escureça, e eu não possa mais participar
de nada, entrando no mundo do silêncio!
Herta Fischer
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
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