Caroline parou em frente ao espelho. Sua imagem refletida já não tinha mais frescor. O tempo lhe tirara tudo.
Passou os dedos finos sobre os arredores dos olhos, e com tristeza fechou os olhos.
Sentia os sulcos esculpidos, e de linha em linha traçava alguns movimentos.
Abriu novamente os olhos e sobre seus cabelos pretos brilhantes, alguns fios brancos se destacavam.
Lembrou-se então, do tempo que passara correndo, enquanto trabalhava feito louca,
para criar seus quatro filhos.
Agora que a etapa estava vencida. Agora que podia se dar ao luxo de ser mulher, o tempo deixava suas marcas.
Não havia mais tempo de recuperar o tempo que perdeu.
Saiu do banheiro desanimada, vestiu seu pijama surrado e esparramou-se no sofá.
Voltou a passar a mão pelo seu rosto, agora não via as marcas, mas, com o toque tornou-se mais expressiva na sua imaginação.
Imaginou-se novamente na juventude, tudo o que vivera, já nem tinha mais importância, ficara perdido em algum ponto da estrada.
Colhe-se o que se planta, pensou:
Mas, colhera o que não plantara, pois não se planta tempo, mas,mesmo assim o colhe.
E na melhor época da vida, quando já se semeou de tudo, quando já se está farto de colher, quando já dá para descansar. Ai, então começa a agonia, de ver desmoronando o próprio corpo.
Ficou a se perguntar: Como pode algo que já esta completo, definhar aos poucos, só na ação do tempo. que mistério é este, que nos tira todo o orgulho?
Que ao invés de incentivo, tira-nos toda a esperança, e vai definhando até tornar-se pó.
A campainha tocou.
Ela levantou-se preguiçosamente do sofá, e em meio á um turbilhão de pensamentos, foi abrir a porta como um autômato.
Seu filho abraçou-a alegremente, estalando um leve beijo em sua face.
Nesse momento percebeu, onde foi parar suas tão delicadas células.
O tempo junta nossas coisas para cuidadosamente colocá-las em outro lugar!
É assim que damos continuidade em nossa essência.. Através dos filhos que Deus nos deu.
Então, sorriu satisfeita.. Sabia que um dia teria que ir embora... Mas, ali, em sua frente...estava a continuação.
Herta Fischer...................................................................Direitos reservados
Total de visualizações de página
Eco da alma
Havia tantas portas fechadas que abri-las já não importava. Sempre haveria um lugar onde o tempo se encostava. Segurava-se a uma espécie de ...
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)
-
Queria novamente as estradas que percorriam minha alma, corajosas com suas nuvens de pó a fechar meus olhos. Dando nome ao novo, sussurrando...
-
As pessoas reclamam que o mundo está chato, mas não fazem nada para mudar, apenas se isolam, tornando tudo ainda mais monótono. De vez em q...
-
Ah! O que antes eu tinha, com que suavidade o sol se espalhava. O abraço da estrada até minha casa, com braços longos e apertados flanqueado...
Nenhum comentário:
Postar um comentário