Dessas trocas, me abstenho.
não quero dar nem receber.
enfraqueci sobremodo,
já nem quero perceber.
Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...
Dessas trocas, me abstenho.
não quero dar nem receber.
enfraqueci sobremodo,
já nem quero perceber.
Meia noite de um dia qualquer de janeiro. Saio la fora para sondar a noite que já
se instalou á algum tempo.
Olho para o céu, a gente costuma olhar para ele, só quando a visibilidade está a todo vapor.
Ele se mostra, nesta hora, um tanto tristonho, combinando com meu sentimento.
Então, sento num canto e começo a contemplá-lo, sem preconceito. E me vem a mente um tempo
distante.
Começo a imaginar como ele era no passado, por que tudo muda a todo instante.
Lembro-me de momentos que se transformaram em fumaça, quase igual, as nuvens, que,
naquele instante, ameaçava todo azul que o compõe.
E entre um pensamento e outro, me questiono sobre o que passou.
Lembro da casinha onde nasci, do lugar que me acolheu, e que, agora,não existe mais. Quer dizer: existe, mas, não da forma que era. Tudo mudou de lugar, a paisagem se modificou, o rio secou, a mata tomou conta de alguns caminhos. E os sonhos sonhados desvaneceram-se a medida em que o tempo passava.
Então, não é o tempo que passa, mas, as coisas que se modificam com o tempo.
Tudo ao derredor envelhece e morre. Depois de alguns anos, vira fumaça e não se sabe bem para onde vai.
A casinha, que, antes, enfeitava á beira da estrada, as bananeiras enfileiradas, compondo a obra, as laranjeiras imponentes, o caminho pelo qual passávamos todos os dias, os risos, as brincadeiras, tudo
se foi, como alguém que parte para sempre.
Parece que nunca existi antes, que a minha imaginação flore e se descobre a cada instante, que a magia
que ficou para trás, não passou de contos de fadas.
Sobra apenas cacos de recordações, entre porções de terracotas amassadas na memória.
Tão sutil, que mais parece uma nuance de cores mal pigmentadas, desenhadas por mãos de uma criança.
Onde foi parar todo aquele tempo?
Quem foi que recolheu aquela lona tão protetora?
E agora, este outro tempo me escapa entre os vãos dos dedos, em outra época, com uma outra estrutura,
só aqui dentro do peito é que as coisas continuam iguais.
Transportando o esquecimento, que por certo, já está as portas, quando tudo ficar para trás, e não mais haver nenhum motivo para lembranças...
Hertinha Fischer
Por ti, por te, poteia, coisa de poeta português.
Ao som sublime do silêncio em
que meus ouvidos descansam.
Mergulhada na sabotagem dos olhos,
que apreciam e não ouvem.
Nem o bater das asas, nem os cantos serenos de sapos na madrugada,
nem as gotas que cantam no telhado, na seresta
da noite enluarada.
Toco a musica de minha alma,
lembrando letras tristonhas, já sem os acordes de violões
e guitarras.
Emudecidas e esmiuçadas dentro desse campo sem flores.
Foi-se o barulho das citaras, Foi-se o som que se ouvia.
Ainda vejo a figueira com seus frutos, o cipó que lhe abraça.
o balançar de suas folhas, só não posso mais ouvir
o canto que te faz dançar.
O tempo secou meus tímpanos, as cordas se esticaram a ponto
de rebentarem, os hinos, agora, são só barulhos indecifráveis,
os cantos, gemidos e confusão,
Figuras dançam sem musica, musica, só dentro do coração.
Hertinha Fischer
Pouco sei, pouco entendo, pouco faço.
Eu te ofereço sinceridade, mesmo que esteja na contramão de seus desejos.