Hoje parece um peso insuportável, sem a leveza de antes. Embora o passado fosse trabalhoso, cansativo e árduo, havia caminhos abertos e mais ânimo para o dia seguinte.
O ar carrega um silêncio que quase me quebra, uma aura escura envolve a terra, como se Deus tivesse nos deixado à mercê de algo que nos separa.
Não posso dizer que a culpa seja da tecnologia ou dos homens, há algo muito mais profundo à espreita, como se a própria vida já não fizesse parte de nós. Houve uma separação quase imperceptível, que nos arrasta até a beira do precipício, olhando uns para os outros lá de cima, mesmo estando todos no mesmo lugar.
Cada ser vive em sua redoma, cercado pelas mentiras diárias e alimentado por pretensão. Crescem entre espinhos e florescem apenas para si, como tubérculos enterrados no fundo, exibindo folhas inúteis.
Se voltarmos, se mexermos e remexermos, talvez nos reencontremos naquele estado de lucidez que há muito deixamos para trás.
Vou embora daqui a pouco, já me preparei para isso, mas sinto que parto entristecida por deixar tanta gente mergulhada em confusão.
Herta Fischer
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