Total de visualizações de página

Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Pose de poeta

Me divirto com essa pose de poeta,
que emaranha minha estrutura.
Consola-me ó vida, diz-me com
sinceridade, quem pintou o céu,
como se torna azul o que não tem cor?
De onde sai a voz do trovão?  de que abismo
vem e me assusta.
E os lagos que se formam em cima, despejando
águas em lugares distintos, como se tivessem
alma? Como chegam as gotas até que se formem nuvens,
e desaguem, sobe um véu e se faz corpo?
De onde sai o vento, e para onde vai depois que passa,
onde se escondem até que sejam chamados?
E o meu corpo, para que tanta água,
se mais sai do que entra?
Tudo é sobre água até que minha alma
seque no umbral de quem se cansa de sonhar.
Meigos reflexos de poeta, que vê o
que ninguém enxerga, nuvem em
mar aberto, e solidão num
dia cheio.
Risos e lágrimas se misturam, nestas lápides
frias que sugam este corpo de arrependimento,
que, de tanto sonhar, morreu antes mesmo de nascer.
O poeta tem em mente, cores e amores, que nem
vivem, está sobre a sombra do dia que morre,
que de tanto esperar, escreve coisas sem sentido,
para ver algum sentido nas coisas.
Herta Fischer










Balada para um louco (Moacyr Franco)

Num dia desses ou, numa noite dessas
você sai pela sua rua ou, pela sua cidade ou,
ou, sei lá, pela sua vida, quando de repente,
por detrás de uma árvore, apareço eu!!!

Mescla rara de penúltimo mendigo
e primeiro astronauta a pôr os pés em vênus.
Meia melancia na cabeça, uma grossa meia sola em cada pé,
as flôres da camisa desenhadas na própria pele
e uma bandeirinha de táxi livre em cada mão.

Ah! ah! ah! Você ri... você ri porquê só agora você me viu.
Mas eu flerto com os manequins,
o semáforo da esquina me abre três luzes celestes.
E as rosas da florista estão apaixonadas por mim, juro,
vem, vem, vamos passear. E assim meio dançando, quase voando eu
te ofereço uma bandeirinha e te digo:

Já sei que já não sou, passei, passou.
A lua nos espera nessa rua é só tentar.
E um coro de astronautas, de anjos e crianças
bailando ao meu redor, te chama:
vem voar.


Já sei que já não sou, passei, passou.
Eu venho das calçadas que o tempo não guardou.
E vendo-te tão triste, te pergunto: O que te falta?
...talvez chegar ao sol, pois eu te levarei.

Ah! Ah! Ah! Ah!

Louco, louco, louco! Foi o que me disseram
quando disse que te amei.
Mas naveguei as águas puras dos teus olhos
e com versos tão antigos, eu quebrei teu coração.

Ah! Ah! Ah! Ah!

Louco, louco, louco, louco, louco! Como um acróbata demente saltarei
dentro do abismo do teu beijo até sentir
que enlouqueçi teu coração, e de tão livre, chorarei.

Vem voar comigo querida minha,
entra na minha ilusão super-esporte,
vamos correr pelos telhados com uma andorinha no motor.
Ah! Ah! Ah!
Do Vietnã nos aplaudem: Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
E um anjo, o soldado e uma criança repetem a ciranda
que eu já esqueci...
Vem, eu te ofereço a multidão, rostos brilhando, sorrisos brincando.
Que sou eu? sei lá, um... um tonto, um santo, ou um canto a meia voz.

Já sei que já não sou, nem sei quem sou.
Abraça essa ternura de louco que há em mim. Ama-me como eu sou, passei, passou.
Sepulta os teus amores vamos fugir, buscar,
numa corrida louca o instante que passou,
em busca do que foi, voar, enfim, voaaaarrr!!!

Ah! Ah! Ah! Ah!...

Viva! viva os loucos!!! Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
Viva! viva! viva!
Derrete com teu beijo a pena de viver.
Angústias, nunca mais!!! Voar, enfim, voaaaarrr!!!

 (DE MOACYR FRANCO)

Atriz coadjuvante á atriz principal

Tropecei várias vezes e também
já servi de tropeço para alguns.
Eu vivia sobre regras duras aos quais
não permitiam perguntas.
Então, filha do meio que era, eu
precisava desesperadamente que
pudesse despertar admiração.
Como atriz coadjuvante que sempre fui,
não suportava a ideia de que a atriz principal
da peça fosse mais bem vista, e recebesse
todos os holofotes.
Então, baseando em minha própria incapacidade,
criei meios de ser única.
Desejei imensamente que me amassem, criei
personagens, persuadi plateias, amaciei egos,
e me fiz mágica para chamar a atenção que
me faltava.
Porém, toda luz falsa se apaga, e um dia
fui obrigada a enfrentar a escuridão, me
tornando atriz principal.
E o medo e a insegurança de atriz principal
me fez chegar onde eu não queria. Todos
os olhares se voltavam para mim, e isto
me incomodava, atuar é fácil, difícil é convencer.
Eu não consegui convencer nem a mim mesma, que
dirá aos outros.
Todo dia precisava decorar novas peças, me colocar
no palco sobre estreia, e convencer.
Dei rasadas falsas e chorei de verdade quando
vi que eu mesma me usava sobre ideais falsos.
Não sou palhaça, nem vilã, nem assombração,
sou apenas uma péssima atriz, que de qualquer
jeito queria fazer outros amarem algo que nem
fazia parte de mim.
Então, me recriei na solidão do meu camarim,
quando todos os olhares foram embora. E
atrapalhada com meu supremo ego, aprendi que
na vida só se sobressaem quem já nasceu
com dom.
Adeus amores de um dia, prefiro ficar só
do que morrer tentando chamar a atenção.
Se não posso ser importante em mim, então
também não posso tornar-me importante
para ninguém.
Saio de cena, vago pela rua, sem vestes brilhantes,
nem fala decorada, e talvez, assim, algum
transeunte em sua caminhada perfeita, me olhe,
e me queira bem, sem que para isso precise
me esforçar.
Herta Fischer





Viver ou morrer num tempo

Oi amigos!
Mais uma vez estou aqui,
talvez, pela última vez, não sei?
Deus o sabe!
Hoje estou desperta, já realizei
o que estava em meu poder, e deixo
nas mãos do Criador o restante do
tempo pelo que ainda não passei.
Meus rastros só ficam  registradas
sobre as pegadas que já dei,
e as que ainda não fiz, não podem
serem vistas, ainda!
Tudo por aquilo que ainda hei de passar
está nas mãos da esperança.
O que já passei, não muda, não
há mais nenhum poder sobre esse
tempo, mas, aquele tempo que
se cria pela luz do dia,há de me trazer
novidades, agora, sim, pelo clarear do
sol, eu posso idealizar minhas pegadas,
sem acreditar que serão incertas.
Meus olhos estão abertos, livres da escuridão
do medo, agora, sim, confio em minhas asas sobre
o poder regente do Senhor do tempo.
Dou liberdade para que outros cresçam,
ensinei-lhes os princípios do voo, mostrei-lhes
a capacidade individual  de cada um.
Basta que confiem no ar que os sustentará, e na
força do poder daquele que os mantém em
movimento, o resto se fará se encontrares
a corrente certa, se norte, se sul.
Sobre correntes mais fortes, confie, solte-se,
deixe-se levar, sobre correntes mais fracas, confie
na força das asas que não te deixará cair.
Procure os vales e as planícies, evite picos desconhecidos,
e precipícios se queres chegar longe.
Seja feliz sobre suas escolhas, cada um
vive ou morre num tempo,
ou noutro.
Herta Fischer




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Me derreter e me lapidar

Sobre essa frieza humana, eu
me transformo em fogo,
para ver se de alguma forma
possa,enfim, quebrar um
pouco esta barreira que nos
separa.
Tudo se torna extremo, quem me
dera pudesse, hoje, amornar ou
esquentar um pouco os corações
 que estão congelados pelo
medo e solidão.
Como disse cristo;
"Eu não vim para trazer paz, e
sim, espada.
Sou  como um fogo devorador, e quem me dera,
se tudo já estivesse queimando."
Eu não suporto desprezo, eu não
suporto que aquilo que é bom, tenha se tornado
tão fútil. e o que é mal tenha se tornado tão
popular.
Ideias bobas sobre como ganhar mais dinheiro
se tornou mais importante do
que as ideias boas de como
 "ganhar a vida".
Não me leve em conta, por que
nem vivo e nem faço parte,
sou uma pequena chama que
talvez nem aqueça, quem me
dera pudesse crescer e chegar a ser
fogo forte para também me
derreter e me lapidar, para
chegar a ser algo que realmente
faz alguma diferença.
Herta Fischer







Coisas que morrem

Bom!
A pequena e a grande formiga,
para que trabalha?
Incansavelmente, todos os dias
se levanta e passa o dia indo de
lá para cá, trabalhando e trabalhando,
dentro e fora do formigueiro.
Pra que ela faz tudo isto, e para
quem?
Vive para morrer.
Certos animais servem, ou com sua carne, ou com
se couro, mas outros, para que servem?
Para viver e morrer?
Nós, os humanos, que vida sem sentido levamos.
Nascemos, estudamos, trabalhamos, usamos,
  envelhecemos e depois
morremos.
Como esta vida é sem sentido.
Pra que despertamos?
para trabalhar, acumular,
comer, dormir, levantar,
para trabalhar novamente!
Colocamos o dinheiro ganho no banco,
para vê-lo multiplicar-se, para depois
gastar em coisas inúteis, que com
o tempo jogamos fora, para depois ter
que trabalhar mais para comprar
tudo novamente.
E assim passamos a vida toda correndo
atrás do vento, sem ganho nem perdas,
pois nascemos para morrer, e querendo
viver, quase que nos matamos em todo
o pouco tempo que passamos adquirindo
coisas que morrem.
Herta Fischer



Não seria eu, se não fosse eu

Beleza!
Eu, e... eu novamente.
Só eu e mais ninguém!
Leio e releio minhas próprias histórias,
não me canso, pois,
afinal, que seria de mim, se
não fosse eu mesma.
Se não me der importância,
quem me dará?
Se não puder ser eu mesma,
quem será?
Então, me entrego e me envolvo
dentro de mim, para que possa ser eu.
e continuando a ser eu mesma,
enfim eu possa encontrar o eu
que insiste em morar dentro de mim.
obrigado, por ser você, eu, continuo
sendo quem eu sou.
E, de qualquer forma, mesmo não sendo
você, eu a entendo como eu mesma,
pois eu sou você, e você é um
pouco do eu que
 mora em mim.
Herta Fischer