Para onde vais, segue o mundo.
pois é só mundo que há
Para onde anda segue o pé,
sem o pé, chega pouco
E me arrastando de corpo e de tudo,
ruminando palavras no compartimento de sonhos,
sem ter onde me derramar.
Ando, ando, para nunca chegar
descobrindo o que já se achou,
sim, sim, meu Senhor,
são só retalhos de dor.
Segui pela mesma estrada
onde, muitas vezes passou,
Sim, sim meu senhor, assim também o levou.
Hertinha Fischer
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Restos do resto
Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Um lugar para se esperar
Sinto-me meio longe,
rosto e sorriso largo, nem
sequer me vejo.
Uma angustia de dia seguinte.
Um amargo de hoje na boca,
um silêncio mesquinho
de quem não se entrega
a própria definição.
Será só esta vida malograda de
anos contados, gotas em oceano
ou ainda há alguma esperança de mais.
Até onde a minha fé vagueia,
se sem fé também se vai
O criador sempre me arranca
a máscara
me deixando sempre a querer mais.
Eu peso, tu pensas, e acordo não há
uma soma de nada, nada a acrescentar,
só doenças e ais.
Não estou mais aqui, aqui não quero estar.
Dentro do pensamento é que me alegro,
no egocentro sou mais eu
sem ninguém à me perturbar
Este é o meu céu, aqui o meu senhor
me desperta, aqui eu posso
sentir a alva surgindo
nada denegrindo esse parecer
Que mais me espera
se vida ou morte, tanto faz
Uma ou outra, já se fez, ou se faz ouvir
a trombeta à tocar, anuncia que virá
tudo o que ainda não veio.
E se vem, já não posso
e se posso, já estou,
e se estou, para que me preocupar....
Hertinha Fischer
rosto e sorriso largo, nem
sequer me vejo.
Uma angustia de dia seguinte.
Um amargo de hoje na boca,
um silêncio mesquinho
de quem não se entrega
a própria definição.
Será só esta vida malograda de
anos contados, gotas em oceano
ou ainda há alguma esperança de mais.
Até onde a minha fé vagueia,
se sem fé também se vai
O criador sempre me arranca
a máscara
me deixando sempre a querer mais.
Eu peso, tu pensas, e acordo não há
uma soma de nada, nada a acrescentar,
só doenças e ais.
Não estou mais aqui, aqui não quero estar.
Dentro do pensamento é que me alegro,
no egocentro sou mais eu
sem ninguém à me perturbar
Este é o meu céu, aqui o meu senhor
me desperta, aqui eu posso
sentir a alva surgindo
nada denegrindo esse parecer
Que mais me espera
se vida ou morte, tanto faz
Uma ou outra, já se fez, ou se faz ouvir
a trombeta à tocar, anuncia que virá
tudo o que ainda não veio.
E se vem, já não posso
e se posso, já estou,
e se estou, para que me preocupar....
Hertinha Fischer
quinta-feira, 9 de abril de 2020
Ilusionismo
Estou criando o meu próprio mundo.
Um mundo paralelo em função da reclusão.
Um pouco para a escrita, outro pouco pra comer,
outro pouco só para continuar viva mesmo.
Se a morte está na esquina, para lá é que não vou,
mas, e se ela já criou asas e braços para abrir minha porta,
nisso eu ainda não pensei.
A minha idade já demonstra o quanto ela me espreita,
ah! mas, se, eu posso retardá-la, por que não?
Vou fechar-me entre quartos, respirar bem manso, falar
o mais baixinho possível: aqui não!
Não quero ninguém por perto, Vai que a morte venha
galgada em seu colarinho sem você perceber.
Vai que ela te use só para me enganar, e assim que eu
me distraia, queira me levar sem eu querer.
Eu quem mando na minha casa, só saio se eu quiser,
e por enquanto, enquanto está lá na rua, aqui me sinto segura.
Será?
Hertinha fischer
Um mundo paralelo em função da reclusão.
Um pouco para a escrita, outro pouco pra comer,
outro pouco só para continuar viva mesmo.
Se a morte está na esquina, para lá é que não vou,
mas, e se ela já criou asas e braços para abrir minha porta,
nisso eu ainda não pensei.
A minha idade já demonstra o quanto ela me espreita,
ah! mas, se, eu posso retardá-la, por que não?
Vou fechar-me entre quartos, respirar bem manso, falar
o mais baixinho possível: aqui não!
Não quero ninguém por perto, Vai que a morte venha
galgada em seu colarinho sem você perceber.
Vai que ela te use só para me enganar, e assim que eu
me distraia, queira me levar sem eu querer.
Eu quem mando na minha casa, só saio se eu quiser,
e por enquanto, enquanto está lá na rua, aqui me sinto segura.
Será?
Hertinha fischer
terça-feira, 7 de abril de 2020
(Tudo ao contrario) oirártnoc oa oduT
A fada madrinha está fadada a morrer,
sua varinha não funciona: A abóbora apodreceu, a
princesa sumiu, o príncipe adoeceu
A carruagem se transformou em fogo, o fogo
consumiu o romantismo e o castelo desmoronou.
Eis uma praga do Egito que ninguém sequer falou: amor
ao contrário, amor que mata, que se transforma em ódio
após amor.
Mundo podre ou gente podre amando o mundo, como
se o mundo fosse seu?
Em que partido nos partimos, em que nos
transformamos após nascer?
Liberdade de promessas que nem sequer se ouviu falar,
se corrompe em cada esquina e em braços
desleais se escora.
O direito se tornou defeito, o esquerdo o direito que de
todo se fartou.
Os montes clamam pelo bem, o bem jaz nas planícies,
onde homens se aninham.
Esquadrinhando a vida, a morte a perder de vista,
e a vista turva e egocêntrica, só a enxergar seus tostões.
Consumismo consumindo almas, divertindo-se calma
no comunismo da paixão..
Hertinha Fischer
sua varinha não funciona: A abóbora apodreceu, a
princesa sumiu, o príncipe adoeceu
A carruagem se transformou em fogo, o fogo
consumiu o romantismo e o castelo desmoronou.
Eis uma praga do Egito que ninguém sequer falou: amor
ao contrário, amor que mata, que se transforma em ódio
após amor.
Mundo podre ou gente podre amando o mundo, como
se o mundo fosse seu?
Em que partido nos partimos, em que nos
transformamos após nascer?
Liberdade de promessas que nem sequer se ouviu falar,
se corrompe em cada esquina e em braços
desleais se escora.
O direito se tornou defeito, o esquerdo o direito que de
todo se fartou.
Os montes clamam pelo bem, o bem jaz nas planícies,
onde homens se aninham.
Esquadrinhando a vida, a morte a perder de vista,
e a vista turva e egocêntrica, só a enxergar seus tostões.
Consumismo consumindo almas, divertindo-se calma
no comunismo da paixão..
Hertinha Fischer
quarta-feira, 1 de abril de 2020
Desespero Humano
Eu estava lendo um livro de bolso escrito por Sorem Kierkegaard, tradução de Fransmar Costa lima,
Titulo: O desespero Humano, que diz o seguinte:
Não é a morte (João 12,14) esta doença e contudo Lázaro morreu. Como os discípulos não compreendessem a continuação: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas eu vou acordá-lo do seu sono. Sem ambiguidade Cristo disse-lhes: Lázaro está morto (11,14).
Portanto, Lazaro está morto, e contudo sua doença não era mortal, mas o fato é que está morto, sem que tenha estado mortalmente doente.
Sem dúvida, Cristo pensava nesse momento no milagre que mostrasse aos contemporâneos, isto é, àqueles que podem crer, a gloria de Deus, no milagre que acordou Lázaro dentre os mortos.
De modo que não só essa doença não era mortal, mas ele o predisse, para maior gloria de Deus, a fim de que o filho de Deus dessa forma fosse glorificado.
Todavia, ainda que Cristo não tivesse acordado Lázaro, nem por isso seria menos verdade que essa doença, a própria morte, não é mortal.A partir em que Cristo se aproxima do túmulo e exclama: Lázaro, levanta-te e anda! (11,43) já estamos certos de que essa doença não é mortal. Mesmo com essas palavras não mostra ele, ele que é a ressurreição e a vida (11, 25) tão só pelo aproximar-se do túmulo, que essa doença não é mortal? Mas simples fato da existência de Cristo, não é isso evidente? Para Lázaro, que proveito haveria em ter ressuscitado para ter de acabar por morrer!
Que proveito, sem a existência daquele que é a Ressurreição e a Vida para qualquer homem que nele creia! Não, não é por causa da ressurreição de Lázaro que essa doença não é mortal, mas por Ele existir, por Ele. Porque na linguagem humana a morte é o fim de tudo, e, como se costuma dizer, enquanto ha vida há esperança. No entanto, para o cristão, a morte não é o fim de tudo, nem sequer um simples episódio perdido na realidade única que é a vida eterna. A morte implica para nós infinitamente mais esperança de que a vida comporta, até mesmo quando saúde e força transbordam.
Nesse sentido, para o cristão nem mesmo a morte é a doença mortal, e muito menos todos os sofrimentos temporais: desgostos, doença, miséria, aflição, adversidades, torturas do corpo ou da alma, mágoas e luto. De tudo o que coube de alguma maneira aos homens, por muito pesado, por muito duro que lhes seja, pelo menos, aqueles que sofrem, a tal ponto que os faça dizer que a morte não é pior, de tudo isso, que se assemelha á doença, mesmo quando não o seja, nada é mortal aos olhos do cristão.
Pois essa é a forma magnânima como o cristianismo ensina ao cristão a pensar sobre todas as coisas deste mundo, incluindo a morte.
É quase como se lhe fosse necessário orgulhar-se de estar altivamente para além daquilo que corretamente é considerado infelicidade, aquilo que vulgarmente se diz ser o pior dos males.... Em compensação o cristianismo descobriu uma miséria cuja existência o homem, como homem, ignora: a doença mortal é essa miséria.
Pode enumerar à vontade tudo que é horrível ao homem natural - e tudo esgotar, o cristão ri-se da soma. A diferença entre o homem natural e o cristão é semelhante à da criança e e do adulto. Nada é para o adulto o que faz tremer a criança. A criança ignora o que seja o horrível, o homem sabe e teme. A deficiência da infância está, primeiramente, em não conhecer o horrível, e em seguida, devido à sua ignorância, em tremer pelo que não é para fazer tremer. Igualmente o homem natural. Ele ignora onde verdadeiramente jaz o horror, o que todavia não o livra de tremer. No entanto, é do que não é horrível que ele treme. Dessa forma, o pagão na sua relação com a divindade não apenas ignora o verdadeiro Deus como adora, além do mais, um ídolo como se fosse um deus.
O único que conhece a doença mortal é o cristão. Porque o cristianismo lhe dá uma coragem ignorada pelo homem natural - coragem concebida com um receio dum maior grau de horrível. verdade é que a coragem à todos é dada e que um receio de um maior perigo nos dá forças para afrontar um menor. E, finalmente, que o infinito temor dum único perigo torna inexistentes todos os outros. Não obstante, a lição horrível do cristão está em ter aprendido a doença mortal....
A primeira doença mortal é o desespero...
Fim!
quarta-feira, 4 de março de 2020
Um em todos e todos num só
Havia um tempo,
um tempo sem poesia,
nem pensamentos, regados
de momentos bons.
A estrada do destino que me levava,
curvas e retas se misturavam em meu olhar.
Havia cumplicidade entre eu e a vida, ela
me encarava sem receios, eu interpretava
seus anseios.
Nos costumeiros hoje e amanhãs,
nada consumia minhas energias.
O mundo, ( que mundo?) o globo, (que globo?),
as pessoas (que pessoas?) eramos um todo,
e o todo era nós.
Nós - os que chegavam, os que partiam,
amizade - amor, tudo no mesmo compartimento.
A casa tinha portas e janelas que nunca se fechavam,
a tristeza entrava e saia por ela, adoravelmente
desapercebida.
O espaço conhecido era amor, o trabalho árduo,
algo a se fazer, preenchendo momentos, horas,
absurdamente sentidas, delineadas em formas
iguais.
Um passeio infinito, uma jornada tranquila sem norte
nem sul. Rumando ao sabor da vida. E a vida, o que era?
hoje, amanhã e depois de amanhã que sempre se
tornava dia!
Hertinha Fischer
um tempo sem poesia,
nem pensamentos, regados
de momentos bons.
A estrada do destino que me levava,
curvas e retas se misturavam em meu olhar.
Havia cumplicidade entre eu e a vida, ela
me encarava sem receios, eu interpretava
seus anseios.
Nos costumeiros hoje e amanhãs,
nada consumia minhas energias.
O mundo, ( que mundo?) o globo, (que globo?),
as pessoas (que pessoas?) eramos um todo,
e o todo era nós.
Nós - os que chegavam, os que partiam,
amizade - amor, tudo no mesmo compartimento.
A casa tinha portas e janelas que nunca se fechavam,
a tristeza entrava e saia por ela, adoravelmente
desapercebida.
O espaço conhecido era amor, o trabalho árduo,
algo a se fazer, preenchendo momentos, horas,
absurdamente sentidas, delineadas em formas
iguais.
Um passeio infinito, uma jornada tranquila sem norte
nem sul. Rumando ao sabor da vida. E a vida, o que era?
hoje, amanhã e depois de amanhã que sempre se
tornava dia!
Hertinha Fischer
Futuro furtivo
Ouço ainda a voz do passado, ao longe,
e me vem a lembrança de um futuro
porvir.
Entrelaçados em linhas infinitas
um e outro se dissolve.
Cruzo um, e lá aparece outro,
outro em um, um em outro,
sempre a fustigar em duvidas.
Duvidas e dividas, canções
de todos.
Onde foi que erramos? E por que
fiz ou não fiz?
Já não dá para pagar ou apagar
o que devi e nunca paguei.
Voltar ao passado, passeio sem
passe.
Ir de encontro ao futuro,
será que me espera?
Esse lamento adentrando
a alma, esse desejo ínfimo de desejar,
e desvendar o promissor amanhã.
Um amanhã atrasado, adiantado no passado
a esconder um futuro abscôndito.
Hertinha Fischer
e me vem a lembrança de um futuro
porvir.
Entrelaçados em linhas infinitas
um e outro se dissolve.
Cruzo um, e lá aparece outro,
outro em um, um em outro,
sempre a fustigar em duvidas.
Duvidas e dividas, canções
de todos.
Onde foi que erramos? E por que
fiz ou não fiz?
Já não dá para pagar ou apagar
o que devi e nunca paguei.
Voltar ao passado, passeio sem
passe.
Ir de encontro ao futuro,
será que me espera?
Esse lamento adentrando
a alma, esse desejo ínfimo de desejar,
e desvendar o promissor amanhã.
Um amanhã atrasado, adiantado no passado
a esconder um futuro abscôndito.
Hertinha Fischer
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