Ouço ainda a voz do passado, ao longe,
e me vem a lembrança de um futuro
porvir.
Entrelaçados em linhas infinitas
um e outro se dissolve.
Cruzo um, e lá aparece outro,
outro em um, um em outro,
sempre a fustigar em duvidas.
Duvidas e dividas, canções
de todos.
Onde foi que erramos? E por que
fiz ou não fiz?
Já não dá para pagar ou apagar
o que devi e nunca paguei.
Voltar ao passado, passeio sem
passe.
Ir de encontro ao futuro,
será que me espera?
Esse lamento adentrando
a alma, esse desejo ínfimo de desejar,
e desvendar o promissor amanhã.
Um amanhã atrasado, adiantado no passado
a esconder um futuro abscôndito.
Hertinha Fischer
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quarta-feira, 4 de março de 2020
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