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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

negrume

Na mesmice de todos os dias,
caminho, Levantar todos
os dias com os sonhos nas mãos
e sem mãos para segurar
o próprio sonho, me deito.
E deitando-me, de nada
careço.
Se careço, não me lembro,
se me lembro, logo
esqueço.
Como amar os dias
se nos dias vou morrendo.
Suprindo a necessidade
de um pouco mais, sendo
que nem se sabe até quando?
Hoje, talvez, seja o último
e derradeiro acorde, que
finaliza uma canção. Serei
aquilo que fica no ar, a lembrança.
Se não tocar por algum tempo,
e ninguém mais ouvir a minha voz,
logo me torno apenas passado.
Não poderei ser o que fui,
nem o que desejei, serei
como um universo
paralelo, sonhado na sombra
de quem nada sabe, a não
ser idealizar algo maior
que nós!

Herta Fischer


Patavina

Nem é preciso insistir, me dói por dentro
asneiras e crendices.
Um toma-lá-dá-cá, trocas
de nada.
Subjugados pelo que chamamos
de amor.
Que de amor nada tem.
Que é o amor?
Senão aquilo que aprendemos e fazemos
sobre condições?
Apreço eu tenho pelo
farfalhar das folhas em tempo
de vento. Que nada pede,
nada dá, á não ser o
que é sem querer.
Se eu tivesse que escolher,
quem eu seria?
Não eu, podem apostar!
Nem eu, nem ninguém, talvez uma
pedra no meio de um jardim
ensolarado, deliciando-se
sem saber, nos musgos que
em mim se derrama, sem
nada para ocultar, sem nada
para sentir, sem nada para saber.
Eu, num tempo incerto, sem tempo
e sem destino, apenas eu enquanto
tempo!

Herta Fischer

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Inspiração

Sonho caminhar sobre
um rio, mesmo que seja em sonho.
Sonho sonhar com isso.
Deve haver tantos mistérios
sobre as águas.
Deve haver refrigério
dentro dela.
Será que poderia me compreender
 tendo-te
aos meus pés?
O dia não é satisfatório
sobre a terra fria, eu não me encaixo
em torrões.
Quem sabe sobre teu leito
me faria mais constante,
e se deliciaria
me beijando os lábios
quase a tocar minha alma.
És a leveza que almejo,
a doçura que meu
sentimento quer.
Porque não me abraça quando chove
e me envolve com
teu pingos.
Estou a deriva num
tempo seco, quero me
molhar em ternura, quando puder, enfim,
 te tocar,
nem que seja num lapso
do sonhar.
Herta Fischer

Extenuação

Me sinto uma marolinha,
que de tantos vais e vens, já anda
se cansando.
Ensejos, desejos, uma inutilidade
das horas.
Ontem eu pedi a Deus
respostas,
Mas, ela não veio.
Porque viver,
se nem ao menos
se sabe se é
ou não é?
Será que sou
o que almeja, Senhor?
Não sei!
Não sei mesmo!
O que fará de mim, depois?
Para que serviria alguém
que nunca aprende?
Para que lhe servimos nós, se
de nada precisa?
Seus olhos não se cansam de ver
sofrimentos?
Então, porque?
Herta Fischer



segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Imbróglio.

Parece tudo inerte
como se fosse morte,
 a sorte, da qual duvido
sempre vem do lado norte.
Norte, cérebro!
Água suja, espuma sincera
de descaso, sem meio
de se curar.
em dia de vento forte,
talvez te dispersará.
Tão logo se veja limpa, tão logo
a cura chegue, tão logo
adoecerá.
O ciclo nem sempre
é, coragem de Cruzoé.
Herta Fischer




quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Do lado de lá

Vejo alem
como quem enxerga no escuro.
Não sou ainda, mas, sei o que serei.
Se abre sobre meu azul uma abobada
delineada de sol.
Num amarelado singelo
sem desespero.
Ha luz em mim ainda, embora
se apague todas os meus egos.
Balões furados são todos
os favores que não se enredam
em bom proceder.
Olho la fora como
quem olha para nada,
não ha proeza na escassez,
só um enfadonho
cheiro de morte.
Se abrindo em pó
desejo o mundo.
Nada me completa
a não ser a esperança
do que ainda ha de vir, porque
o que nos resta senão risos
entre lágrimas e um
passar sem alegrias?

Herta Fischer



segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Reclusão dos sentidos

Hoje me recolhi,
como quem não quer sentir.
Coisas boas não há, além
do meu quarto.
Lá fora, leões rugem e marcham
a fim de carne.
Faço meu acampamento em
Deus, para ouvir
seus conselhos, E ele
me pede reclusão.
Não quero me afobar, nem
pressentir o que há de vir, Isto me assusta!
O amor anda sumido ou recolhido
como mangas nos quintais.
Cestos cheios de palavras, poucos metros de ações.
Não quero ser mais uma, não posso andar
entre os corrompidos, nem semear
sementes boas em pedregais.
Herta Fischer