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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

domingo, 4 de agosto de 2024

Ninho vazio

 E assim se abria uma janelinha de madeira, rangendo de satisfação para o lado norte.

Pura sorte do sol, adentrando aquele quarto desarrumado, repleto de memórias boas.
Uma senhorinha de cabelos negros, erguia suas mãos para o céu, em suplica.
Queria que tudo corresse bem para todos os ausentes. Aquela hora, sua mesa estaria repleta se não fosse o tempo e
suas peraltices. Mas, ao invés de sentar-se, degustando o almoço. preferiu se refugiar no quarto, onde podia se relacionar com Deus, através da prece.
Parecia que seu mundo encolheu, Faltava-lhe o melhor dos dias, que, em dias de sol pleno, barulhava a alegria, fazendo despertar o seu melhor.
Agora, o fogão lhe parecia sem graça. As panelas tão grande, e as labaredas do fogão, tão acesas e sem muita disposição.
Tudo se encolheu, ou ficaram grandes demais.
Seus olhinhos se amiudaram diante da solidão. Eram sete a sentar-se a mesa, agora, cinco cadeiras estavam vazias.
Sua maneira de atender a todos se resumia em tristes passos a toa, soando tristeza e desalento, ao dispor suas mãos em afazeres.
Viver para quê? de perguntava constantemente:
No inicio do preludio, eram só expectativas, que desenvolveram nela, uma vontade imensa de continuar, agora, que já tinha realizado de tudo, quanta alegria saíra pala porta.
E quando a janela se abria para mais um dia, ela também rangia sua insatisfação. Suas preces se iam com o ar, provavelmente, chegariam até Deus, que, compassivamente, abraçaria seus entes queridos, no lugar dela.
Ela mesma nunca os abraçara com os braços, seu coração inundado de ternura, os abraçava com seus préstimos. E agora, nem isso! pensava:
Era bom demais, presenciar as brincadeiras, as mordidas, as brigas entre irmãos, as chineladas que se atreviam a colocar ordem nas coisas. O bem estar, sempre alimentando o amor que crescia.
E o silêncio... que agora crescia entre o quintal, engolindo os risos e traquinagens.
Fazia com que a saudade crescesse.
Não mais importava que dia seria - Se domingo ou quarta feira. Tudo parecia igual.
Saia, as vezes, a capinar, sem nenhuma vontade, sem nenhum prazer; Já não ouvia os cantos de sua própria voz, nem o som de nenhuma criança a brincar
Estava um tanto doente já fazia algum tempo, A força que a compunha, agora, fraquejava, sem os motivos que agora não tinha mais.
Pouco a pouco, a doença foi tomando espaço.
E o lugar se entristecia com ela.
Hora de partir! pensou:
E numa fria manhã de junho, sua alma foi libertada. Jogou a toalha e se deitou, com os olhos virados para a janela, onde ainda, em transe, pode ouvir, suas crianças cantando, o triste canto do adeus!

Hertinha Fischer.

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