Talvez você só veja a casca. Como eu gostaria de poder dizer que sou sempre a mesma. Mas, embora meu físico seja constante, salvo as marcas do tempo, minhas ideias se confundem. Hoje estou mais tranquila, como na meia-estação, mas há invernos que se instalam na minha alma, mesmo fora de época. Ventos frios e cortantes me fazem encolher em arrepios; às vezes, é assim que me sinto. Talvez eu tenha aprendido a viver nos trópicos das emoções, onde a constância não tem lugar, e cada dia é apenas um dia. Faz tempo que não choro, faz muito tempo que estou a um passo da coerência de existir sem dor. E, mesmo sofrendo uma dor aqui e ali, nada tira de mim a sensação de que sou mais forte do que imagino. Que a vida se torna compreensível em nossas perdas, que sou apenas uma nuvem passageira. E aqueles ao meu lado podem, facilmente, tomar outro rumo e me deixar só. E, mesmo sozinha, encontrarei meu lugar, pois o lugar sou eu, e de mim mesma sei. Não vou me tornar outra pessoa, nem abandonar minhas virtudes ou defeitos; pelo contrário, diante das tempestades, serei tempestade, e diante do tempo bom e ensolarado, serei sol. Serei o que puder ser até que não seja mais, ou seja, sei lá! O que vem depois são apenas desejos; o que é visível agora, neste momento, isso é real, pode ser visto e sentido. O bem-estar está aqui, ao meu lado, e as circunstâncias não o incomodarão. Como o arco-íris, que aparece no céu de tempos em tempos, assim sou eu quando me aceito por completo, sem pequenas coisas a me corromper. Sou feliz agora!
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
sexta-feira, 23 de agosto de 2024
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