Não sei mais se subo ou desço. Hoje me invadiu uma sensação de tanto faz. Passou por mim um desejo de virar a mesa, jogar tudo o que aprendi fora e sair por aí, sem memória nem bagagem, curtindo o som da vida a sós. Imaginei-me à sombra de uma jabuticabeira, contando seus segredos de flor, enquanto se prepara para sair de si e virar frutos, que, por sua vez, um dia se tornam nada. Que miséria a nossa, quando os vais e vens já não produzem nada. Certos amantes dizem que o tempo cura, mas, se nem doentes estamos, como nos curar da mesmice que embala o tum-tum-tum? De novo dia! De novo noite! E de novo… Me vejo cansada, e o tempo, novo? Vai e vem, abre e fecha, e não me liberta do mesmo de sempre. E o grito que morre na garganta? E os sussurros do cansaço? E o cansaço de ter que ser o que já não se consegue?
Hertinha Fischer
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