Mesmo sem conhecer bem a estrada, eu caminhava. Meu pai nem sempre me carregava nas costas; às vezes me fazia usar minhas próprias pernas, talvez para vê-las fortes. Desde cedo, enfrentei meus medos e, na minha insignificância, tive que me encarar. Dizem que somos reflexo da família ou resultado do que vivemos, mas às vezes discordo, pois sempre encontramos um jeito de nos adaptar aos reveses. Ninguém, em sã consciência, se transforma em tempestade sabendo o quanto é difícil enfrentá-la. Costumo acreditar que o que é bom já nasce pronto, e o mau também. Somos exatamente como deveríamos ser, moldados pela nossa própria natureza. Buscamos melhorar nossa conduta quando entendemos onde pisamos, pois, se colocarmos o pé num buraco, certamente sairemos machucados. Confiantes de que tudo depende de nós, nos moldamos com sacrifício para que as coisas corram da melhor forma possível. Quando amamos, não é pela generosidade do amor, mas pela necessidade de sermos amados, numa troca. Nada fazemos para o outro ou para Deus sem pensar nos próprios benefícios, sempre centrados em nós. Na dor da perda, pensamos em vida após a morte, mesmo quando o ente querido ainda luta ao nosso lado contra o mal. Ao pensar em Deus, logo imaginamos estar livres de perigo, esperando bênçãos como dinheiro, prosperidade e felicidade. Mas, na verdade, somos apenas nosso próprio reflexo no espelho da vida, vendo no outro a nossa imagem. O que nos convém chamamos de bênção, o que não nos agrada vemos como castigo, embora essas conveniências entrem em conflito com quem realmente somos. Nunca nos entregamos por completo, com medo de não receber de volta.
(Hertinha)
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A dose certa
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