Olho e apenas vejo o homem,. o deserto e seu cavalo, e adiante a serpente armando o bote.
Que são quinhentos, quando não se tem nenhum?
É o mesmo que ter o copo cheio sem poder beber, ou o prato cheio infestados de fungos.
Quer poder seguir, mas as pernas estão a mostra, e a serpente a espreitar, e o silencio os consomem, tanto o homem, quanto seu cavalo ou a serpente.
No silencio, até o farfalhar de folhas são assustadoras, uma brisa e pronto, o pulo é certeiro.
Cava seu buraco e não sai do lugar, ali está! O homem , seu cavalo e a serpente.
Cantam a mesma melodia, de lamento, de desalento e de tristeza, rastejam inseguros e medrosos, pois haverá morte? não sei! Será o homem, seu cavalo ou a serpente?
Olhos frios. Para trás pensa o cavaleiro, mas não dá, a areia é movediça.
Para os lados, também é incerto, na inteligência o esperar é mais acertado.
Mas, o cavalo não conhece o medo, só a corda a enforcar-lhe é que o paralisa.
A serpente conhece os segredos, sabe enredar como ninguém.
Fica a mostrar a língua exalando o perfume da morte.
sabendo que não lhe escapa a presa, pois também esta com medo
do cavalo e do cavaleiro.
Não há lugar a se esconder, não há como fugir, e ficam a se encarar . O homem , seu cavalo e a serpente.
De repente, um milagre, o cansaço.
Já que a coroa são para os corajosos, e a serpente majestosa, consegue se esgueirar de tantos lados.
vai deslizando em zigue-zague, e passa a alguns milímetros ao pé do cavalo que nem percebe
que a morte lhe passou tão perto.
São três suspiros, a serpente por economizar veneno, o cavalo pela corda se soltando, e o cavaleiro por não precisar matar, nem morrer. Foram se distanciando, sob a areia ardente, como se nunca houvessem se encontrado.
E fica apenas a miragem do deserto que guardou em seu íntimo, a imagem do homem, seu cavalo e a serpente.
Herta Fischer.
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Eco do fim
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quarta-feira, 29 de maio de 2013
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