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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

terça-feira, 28 de maio de 2013

O Senhor convence a Jó de ignorância

Depois disto, o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó:
Quem é esse que escurece os meus desígnios
com palavras sem conhecimento?
Cinge, pois, os teus lombos como homem.
pois eu te perguntarei, e tu me farás saber.
Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?
Dize-mo, se tens entendimento.
Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes?
Ou quem estendeu sobre ela o cordel?
Sobre que estão fundadas as suas bases,
ou quem lhe assentou a pedra angular,
quando as estrelas juntas alegremente cantavam,
e rejubilavam todos os filhos de Deus?
Ou quem encerrou o mar com portas,
quando irrompeu da madre;
quando eu  lhe pus as nuvens por vestidura,
e a escuridão por fraldas?
Quando eu lhe tracei limites
e lhe pus ferrolhos e portas,
e disse: Até aqui virás, e não mais adiante,
e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas?
Acaso desde que começaram os teus dias
deste ordem á madrugada,
ou fizeste a alva saber o seu lugar,
para que se apegasse a orla da terra
e desta fossem os perversos sacudidos?
A terra se modela como o barro debaixo do selo,
e tudo se apresenta como vestidos;
dos perversos se desvia a sua luz,
e o braço levantado para ferir se quebranta.
Acaso entraste nos mananciais do mar,
ou percorrestes o mais profundo do abismo?
Porventura te foram reveladas as portas da morte,
ou viste essas portas da região tenebrosa?
Tens idéias nítidas da largura da terra?
Dize-mo se o sabes.
Onde está o caminho para a morada da luz?
E, quanto as trevas, onde é o seu lugar?
Para que a conduzas ao seus limites,
e discirna as veredas para a sua casa?
Tu o sabes, pois nesse tempo já eras nascido,
e porque é grande o número dos teus dias!
Acaso entrastes nos depósitos da neve,
e vistes os tesouros da saraiva,
que eu retenho até o tempo da angústia
até o dia da peleja ou da guerra?
Onde está o caminho para onde se difunde a luz
e se espalha o vento oriental sobre a terra?
Quem abriu regos para o aguaceiro,
ou caminho para os relâmpagos dos trovões;
para que se faça chover sobre a terra,
onde não há ninguém,
e no ermo em que não há gente;
para dessedentar a terra deserta e assolada,
e para fazer crescer os renovos da erva?
Acaso a chuva tem pai?
Ou quem gera as gotas do orvalho?
De que ventre procede o gelo?
E quem dá a luz a geada do céu?
As águas ficam duras como a pedra,
e a superfície das profundezas se torna compacta.
Ou poderás tu atar as cadeias do Sete-estrelo,
Ou soltar os laços do Òrion?
Ou fazer aparecer os signos do Zodíaco,
ou guiar a Ursa com seus filhos?
Sabes tu as ordenanças dos céus
podes estabelecer a sua influência sobre a terra?
Podes levantar a tua voz  até as nuvens,
para que a abundância das águas te cubra?
Ou ordenará aos relâmpagos que saiam,
e te digam: Ei-nos aqui?
Quem pôs sabedoria nas camadas das nuvens?
Ou quem deu entendimento ao meteoro?
Quem pode numerar com entendimento as nuvens?
Ou os odres do céu, quem o pode despejar?
Para que o pó se transforme em massa sólida
e os torrões se apeguem uns aos outros.
Cassarás, por ventura, a presa para a leoa?
Ou saciarás a fome dos leõezinhos,
quando se agacham nos covis,
e estão á espreita nas covas?
Quem prepara aos corvos o seu alimento,
quando os seus pintainhos gritam a Deus
e andam vagando por não terem o que comer?
Sabes tu o tempo em que as cabras monteses têm os filhos,
ou cuidasses das corsas quando dão suas crias?
Podes contar os meses que cumprem?
Ou sabem o tempo  de seu parto?
Elas encurvam-se para terem os seus filhos,
e lançam de si as suas dores.
Seus filhos se tornam robustos, crescem no campo aberto,
saem e nunca mais tornam a elas,.
Quem despediu livre o jumento selvagem,
e quem soltou as prisões ao asno veloz,
ao qual dei o ermo por casa,
e a terra salgada por moradas?
Ri-se do tumulto da cidade,
não ouve os muitos gritos do arreeiro.
Os montes são lugar do seu pasto,
e anda á procura de tudo que está verde.
Acaso quer o boi selvagem servir-te?
Ou passará a noite junto da tua manjedoura?
Porventura podes prendê-lo ao sulco com cordas?
Ou gradará ele os vales após ti?
Confiará nele por ser grande a sua força,
ou deixarás a seu cuidado o teu trabalho?
Farás dele que te traga para casa o que semeaste
e o recolha a tua eira?
A avestruz bate alegre as asas,
acaso, porém, tem asas e penas de bondade?
Ela deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó,
e se esquece de que algum pé os pode esmagar,
ou de quem pode pisá-los os animais do campo.
Trata com dureza os seus filhos como se não fossem seus,
embora seja em vão o seu trabalho, ela segue tranquila,
porque Deus lhe negou sabedoria,
e não lhe deu entendimento;
mas quando de um salto se levanta a correr,
ri-se do cavalo e do cavaleiro.
Ou dás tu força ao cavalo,
ou revestirás seu pescoço de crinas?
Acaso o fazes pular como ao gafanhoto?
Terrível é o fogoso respirar das suas ventas.
Escarva no vale, folga na sua força,
 e sai no encontro dos armados.
Ri-se do temor; e não se espanta;
E não torna atrás por causa da espada.
Sobre ele chocalha a aljava,
flameja a lança e o dardo.
De fúria e ira devora o caminho,
e não se contém ao som da trombeta.
Em cada sonido da trombeta ele diz: Avante!
Cheira de longe a batalha,
o trovão dos príncipes e o alarido.
Ou é pela tua inteligência que voa o falcão,
estendendo suas asas para o sul?
Ou é pelo teu mandado que se remonta a águia
e faz alto o seu ninho?
Habita no penhasco onde faz a sua morada,
sobre o cume do penhasco, em lugar seguro.
Dali descobre a presa,
seus olhos a avistam de longe.
Seus filhos chupam sangue;
onde há mortos ela ai está.
Disse mais o Senhor a Jó;
Acaso quem usa de censuras contenderá com o Todo-poderoso?
Quem assim argui a Deus que responda.

Então Jó respondeu ao Senhor, e disse:
Sou indigno; que te responderia eu?
Ponho a mão na minha boca.
Uma vez falei e não replicarei,
aliás, duas vezes porém não prosseguirei.

Um pequeno trecho do livro de Jó
capítulo 38 á 40








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