Não estou triste, não,
Só o sonar da tarde é que
me leva com ela.
Há uma solidão se derramando
no escuro, encobrindo a cor
do sorriso que quase dou.
Um luar morrendo entre as folhagens
desbotadas na beira da estrada.
Pouco resta de luz à desmaiar entre galhos,
suado com poucas gotas sonolentas de orvalho
O silêncio que incomoda, a roda do moedor,
sutil, leva a semente a gemer por causa
dela mesma.
Não há descanso, as horas sofrem o fastio
do tempo, que na mais profunda dor, morre
e vive, vive e morre.
Sonhei fora do corpo, vivo entre o mar e o deserto,
ambos me enchem de ternura, mas refrigério
não dá, um e seco, outro salgado, e o
sonho fora de mim é oco...
Hertinha Fischer
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Restos do resto
Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...
quinta-feira, 30 de abril de 2020
Negro céu azul
A chuva não vem,
o barro fragmentado, estorricado
abaixo dos meus pés a sangrar.
Tremendo estão as nuvens sem
água sem estação.
Há uma sangria por toda parte,
e um cheiro de morte no ar.
Nos poucos troncos de juncos enfileirados,
o fogo quente á consumir as hastes, folhas
secas e podres beijam o chão.
Aves abandonaram seus ninhos,
pobres dos passarinhos
O charco é só convulsão.
Negro céu azul se tornou em toda parte,
secura traiçoeira e poeira,
se levantou no sertão e na cidade
Mãos calejadas descansam da enxada
mas não tem repouso não.
Nem o diploma adiantou nesse tempo
de calamidade.
A figura do peão, agora desfigurado,
ante a fúria do vulcão que tem
por nome fome.
Vagueia por entre pedras, com
seu cavalo sedento, vazio esta seu coldre
A arma que um dia usava,
agora mata sua fome.
Hertinha Fischer
o barro fragmentado, estorricado
abaixo dos meus pés a sangrar.
Tremendo estão as nuvens sem
água sem estação.
Há uma sangria por toda parte,
e um cheiro de morte no ar.
Nos poucos troncos de juncos enfileirados,
o fogo quente á consumir as hastes, folhas
secas e podres beijam o chão.
Aves abandonaram seus ninhos,
pobres dos passarinhos
O charco é só convulsão.
Negro céu azul se tornou em toda parte,
secura traiçoeira e poeira,
se levantou no sertão e na cidade
Mãos calejadas descansam da enxada
mas não tem repouso não.
Nem o diploma adiantou nesse tempo
de calamidade.
A figura do peão, agora desfigurado,
ante a fúria do vulcão que tem
por nome fome.
Vagueia por entre pedras, com
seu cavalo sedento, vazio esta seu coldre
A arma que um dia usava,
agora mata sua fome.
Hertinha Fischer
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Cansaço audível
Estou cansada, muito cansada.
Desse existir em promessas
Esse ir e vir em expectação.
Um cansaço quase audível,
como um leão a rugir.
A alma padecendo no asfalto,
onde flores não nascem.
A vida passando ante o olhar,
sem graça e sem novidade.
Uma garça a sondar os peixes,
escorando numa perna só
por horas.
Que dilema sem fim é a vida,
um curso sedento de água,
e água não há.
Uma casa enorme, só um
quarto à ocupar.
Gostaria de ser pássaro grande,
de olho em suas presas.
que só para o estômago vive.
Ou um gato a espiar pelas janelas,
onde procura pão.
Ou ainda uma formiga adestrada para o seu fim,
mais olfato que memoria.
Estou livre dentro da prisão, ninguém me prende,
só essa insatisfação: fastio de ociosidade..
Trabalhando para jogar fora, cansaço de todas as horas..
hertinha Fischer
Desse existir em promessas
Esse ir e vir em expectação.
Um cansaço quase audível,
como um leão a rugir.
A alma padecendo no asfalto,
onde flores não nascem.
A vida passando ante o olhar,
sem graça e sem novidade.
Uma garça a sondar os peixes,
escorando numa perna só
por horas.
Que dilema sem fim é a vida,
um curso sedento de água,
e água não há.
Uma casa enorme, só um
quarto à ocupar.
Gostaria de ser pássaro grande,
de olho em suas presas.
que só para o estômago vive.
Ou um gato a espiar pelas janelas,
onde procura pão.
Ou ainda uma formiga adestrada para o seu fim,
mais olfato que memoria.
Estou livre dentro da prisão, ninguém me prende,
só essa insatisfação: fastio de ociosidade..
Trabalhando para jogar fora, cansaço de todas as horas..
hertinha Fischer
Era uma vez
Era uma vez, a alegria feito bola de sabão.
A paz surgia onde não havia solidão.
E a tal felicidade em disparada,
corria mais que um alazão.
Era uma vez, ruas cheias, perdidas na
consumação.
Sorriso do comércio, bolso cheios
de ilusão.
Carros potentes, fruto da imaginação, gente
fingindo alma pura e coração.
Era uma vez, trocaram o carro por helicóptero
e avião,
Domando as nuvens por pura satisfação, trocando moeda entre uma e outra nação.
Só não contaram que a vida é um leão.
Não existe revista que dê jeito nisso, não!
Era uma vez, o jovem se desfez do ancião,
Da sabedoria fez escarnio e presunção
. olha de cima como se fosse o sabichão.
Quase sempre o destino é a prisão,
entre grades e desgostos em amplidão, sofre
a consequência de sua própria presunção.
Era uma vez, rodeados de simplicidade e mansidão,
honra e leveza e muita devoção,
havia regras e boa educação, marcando ponto em
cada canto da nação, alegres almas sorriam
de satisfação, tudo acabou em guerra de
irmão contra irmão.
Era uma vez.......
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Castelo de papel
Olhando para o passado. O que sobrou dele?
Castelo de papel.
Se fez algum sentido para alguém,
já foi esquecido.
A orla, aos poucos, é sugada pela maré, vira barranco,
Mariscos secam onde a água não chega,
Castelo de papel
Vozes de antes se calaram, pregadas como
pregos na parede, um dia virou ferrugem
e se desfez,
Castelo de papel
E o sonho sonhado de madrugada,
ao surgir do sol, fica esquecido,
e o sonar do sino que toca por alguns instantes,
para depois se calar,
Castelo de papel
O amor sentido, atribuído a algo ou alguém
num relance de intimidação virou ódio e
mágoa e nunca mais voltou a ser.
Castelo de papel.
A tinta, o lápis, a caneta encontrou seu mundo morto,
mãos suadas em comportamento estranho, na escrita
de um computador.
Castelo de papel
A crença que no amor brota, a degustação do bem afável,
a leitura da inspiração,caiu no poço fundo da incompreensão,
Castelo de papel
Piedade á mercadejar, ciência absurda de posse,canavial
sem açúcar, semente oca, sem vida sem historia.
Castelo de papel
E quando a chuva chegar, será que ainda haverá segurança,
será que sobra alguma coisa,
Castelo de papel?
Hertinha Fischer
Castelo de papel.
Se fez algum sentido para alguém,
já foi esquecido.
A orla, aos poucos, é sugada pela maré, vira barranco,
Mariscos secam onde a água não chega,
Castelo de papel
Vozes de antes se calaram, pregadas como
pregos na parede, um dia virou ferrugem
e se desfez,
Castelo de papel
E o sonho sonhado de madrugada,
ao surgir do sol, fica esquecido,
e o sonar do sino que toca por alguns instantes,
para depois se calar,
Castelo de papel
O amor sentido, atribuído a algo ou alguém
num relance de intimidação virou ódio e
mágoa e nunca mais voltou a ser.
Castelo de papel.
A tinta, o lápis, a caneta encontrou seu mundo morto,
mãos suadas em comportamento estranho, na escrita
de um computador.
Castelo de papel
A crença que no amor brota, a degustação do bem afável,
a leitura da inspiração,caiu no poço fundo da incompreensão,
Castelo de papel
Piedade á mercadejar, ciência absurda de posse,canavial
sem açúcar, semente oca, sem vida sem historia.
Castelo de papel
E quando a chuva chegar, será que ainda haverá segurança,
será que sobra alguma coisa,
Castelo de papel?
Hertinha Fischer
terça-feira, 21 de abril de 2020
Exultação
Havia uma estradinha de terra serpenteando o lugarejo,
cabendo nas mãos dos meus sonhos.
Suave e perfumada, com cheiro de terra, meus pezinhos
lisonjeiros as esmiuçavam entre os dedos.
O vento sorrateiro zombava de sua sensibilidade, arrancando-à
de seus devaneios, levando-à a brincar de pipa nos ares.
O cinza se misturando ao azul celeste do céu, quase a encobrir o sol.
A vida pulsava com o coração acelerado em meio ao capinzal repleto
de sementinhas onde passarinhos desenhavam seus ninhos sorrateiros.
Um cantar constante de grilos e cigarras ao cair da tarde, e a noitinha, pirilampos
incendiavam os ares com suas luzinhas cintilantes.
Onde as bananeiras dormiam, também dormiam os sapos, confortáveis pela umidade
que ela oferecia.
O ingazeiro majestoso, exibindo a copa florida, entre milhares de árvores que pareciam alcançar o céu.
Taquareiras à cantar, abraçando umas as outras, numa melodia assombrosa, e ao
mesmo tempo tão divinal.
Os raios de sol a brincar em seu meio, escapando por entre elas, dançando a musica da floresta,
até se cansar.
A noite surgia com sua magia, pondo quase tudo pra dormir, na sorrateira escuridão, burburinho se ouvia no doce rincão.
A penumbra despertava seus grilos, restaurava a paixão dos sapos, aninhava suas aves.
As árvores perdiam suas cores, pintando com carvão seus caules e folhas, saudando a lua que já despontava atrás do chiqueiro.
Um clarão vindo do oeste, tocava de manso a copa das árvores, fazendo-á vibrar. E a estradinha de terra, escura e perdida, novamente se achava a sorrir.
O clarão despertava seus súditos, tocando a flauta da vida noturna, os seres encobertos pela luz do dia despertavam na toca, saindo de seus estado de sono, e tudo se avivava novamente.
Uma luz se apagava, outra se acendia e a vida nunca dormia.
Bem no meio desse gosto, nascia uma casinha, cercada de terra batida, entre o bananal que a protegia do vento, entrava em transe, quieta em seu lugar, lá dentro a vida descansava, lá fora, outro tipo de vida surgia.
Num vai e vem de magia, tudo recomeçava de novo e de novo, os mesmos personagens, outras historias, mas a estradinha, a casinha, sempre seriam as mesmas. serpenteando o sertanejo coração da terra.. povoando nossos corações de alegrias...
Hertinha Fischer
cabendo nas mãos dos meus sonhos.
Suave e perfumada, com cheiro de terra, meus pezinhos
lisonjeiros as esmiuçavam entre os dedos.
O vento sorrateiro zombava de sua sensibilidade, arrancando-à
de seus devaneios, levando-à a brincar de pipa nos ares.
O cinza se misturando ao azul celeste do céu, quase a encobrir o sol.
A vida pulsava com o coração acelerado em meio ao capinzal repleto
de sementinhas onde passarinhos desenhavam seus ninhos sorrateiros.
Um cantar constante de grilos e cigarras ao cair da tarde, e a noitinha, pirilampos
incendiavam os ares com suas luzinhas cintilantes.
Onde as bananeiras dormiam, também dormiam os sapos, confortáveis pela umidade
que ela oferecia.
O ingazeiro majestoso, exibindo a copa florida, entre milhares de árvores que pareciam alcançar o céu.
Taquareiras à cantar, abraçando umas as outras, numa melodia assombrosa, e ao
mesmo tempo tão divinal.
Os raios de sol a brincar em seu meio, escapando por entre elas, dançando a musica da floresta,
até se cansar.
A noite surgia com sua magia, pondo quase tudo pra dormir, na sorrateira escuridão, burburinho se ouvia no doce rincão.
A penumbra despertava seus grilos, restaurava a paixão dos sapos, aninhava suas aves.
As árvores perdiam suas cores, pintando com carvão seus caules e folhas, saudando a lua que já despontava atrás do chiqueiro.
Um clarão vindo do oeste, tocava de manso a copa das árvores, fazendo-á vibrar. E a estradinha de terra, escura e perdida, novamente se achava a sorrir.
O clarão despertava seus súditos, tocando a flauta da vida noturna, os seres encobertos pela luz do dia despertavam na toca, saindo de seus estado de sono, e tudo se avivava novamente.
Uma luz se apagava, outra se acendia e a vida nunca dormia.
Bem no meio desse gosto, nascia uma casinha, cercada de terra batida, entre o bananal que a protegia do vento, entrava em transe, quieta em seu lugar, lá dentro a vida descansava, lá fora, outro tipo de vida surgia.
Num vai e vem de magia, tudo recomeçava de novo e de novo, os mesmos personagens, outras historias, mas a estradinha, a casinha, sempre seriam as mesmas. serpenteando o sertanejo coração da terra.. povoando nossos corações de alegrias...
Hertinha Fischer
segunda-feira, 20 de abril de 2020
Recreação do intuir
Conheci um lugar onde a paz habitava, um ranchinho coberto por telhas vermelhas, cercado de torrões de terracota. Era uma ilha no meio de um mar verde repleto de folhas desenhadas de formas únicas. Dentro da casinha, meninos de pés descalços sorriam alegremente, encostados no fogão à lenha, onde o fogo crepitava sob a chaleira com água fervente. Uma mulher, com o cheiro da fumaça impregnado, dominava as chamas que obedeciam docilmente. Verdades se manifestavam ali, tantas que nem se conheciam mentiras — apenas o existir e coexistir em harmonia. O fogo vibrante e vivo, as mãos habilidosas da artesã sustentando a vida, e os anfitriões ávidos pela sua dádiva. Do trigo vinha o pão, do pão o alimento, do alimento a alegria, e da alegria o motivo de viver. O fogo, parte da sinfonia, cantava e tamborilava com seus galhos ardentes, transformando-se em alimento sob o olhar atento da artesã. A paz crescia a cada estalo das cinzas, ainda infantil, necessitando de cuidados. Bocas mastigavam o presente, na alegria juvenil das coisas, até amadurecerem em felicidade. Nesse ritmo eterno, a alegria florescia, o mato aguardava após a ciranda, e a roda viva de cores se movia ao redor. Tudo era sincero: o sorriso do tempo e seu deslizar; o relógio se calava diante da passagem da felicidade. O dia seguia seu curso, escondendo-se entre as copas das árvores, enquanto a noite, ainda mais animada, o procurava até o amanhecer, quando era sua vez de se esconder. Era uma brincadeira divina, sem pressa nem pressão; quando a luz surgia, era mais simples que fazer pão. As nuvens também brincavam, num jogo de pega-pega alegre e livre, enquanto o sol participava, entrelaçando prazer e paz em um só.
Hertinha Fischer
Hertinha Fischer
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