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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

quarta-feira, 11 de março de 2015

Virtudes

“Estão, pois, perigosamente enganados aqueles que julgam que as paixões e os erros de toda a espécie podem correr à solta na amizade, ela nos foi dada pela natureza para ser auxiliar das virtudes e não a companheira dos vícios, para que possibilite à virtude atingir a perfeição, pois sozinha, não consegue unir-se e associar-se a outros para chegar lá.”

Pois é!
Amo citar textos antigos, pois já naquela época, quando "o mundo"
era reduzido, e o saber ainda engatinhava, já se tentava passar para as pessoas
o bem virtuoso.
Os erros geralmente são cometidos pelos que ainda não se inteiraram do
viver bem uns com os outros, independentes de qualquer que seja o segmento.
O que realmente importa, são as necessidades que são as mesmas, tanto para
um, quanto para outro.
O que vai acontecer com ciclano ou com beltrano, independe da nossa forma
de ver as coisas, tanto isto é verdade, que, não podemos adivinhar o futuro.
Assim diz a palavra de Deus: " Nunca diga quem desce ou quem sobe, pois
da mesma forma que fiz alguém subir, também posso fazer descer." Não julgue
para que também não precise ser julgado, na mesma proporção em que julga,
também será julgado.
Eleve-se a ponto de se livrar da condição de juiz, todos seremos julgados algum
dia, e receberemos cada um a compensação que realmente merecemos.
Temos a frente, a triste realidade de não servirmos de caminho para ninguém,
pois se alguém caminhasse em nós, teríamos que ser perfeição, é isto, ainda buscamos,
não para ferir, nem para descriminar,  nem pra se exaltar, mas, para que
 possamos encontrar  dentro de nós mesmos o verdadeiro significado de amizade, que
a imperfeição não permite que se transforme em amor verdadeiro. Por isto é que queremos
estar sempre a frente, não deixamos os outros nos construirem, nós queremos nos
moldar por nós mesmos.
É claro que precisamos de alguém que nos ensinem, mas somente se for com a condição
de esclarecimento quanto ao que ainda temos dúvida, porém, não precisamos
nos tornar reféns de alguém que, de alguma forma, tenta nos converter ao que
já fomos convertidos.
Ajudar alguém a ser melhor em suas ações, é louvável, agora, querer, por toda lei,
levar alguém a pensar com a nossa cabeça, é arrogância.
Decididamente, o que mata: é a falta de compreensão, é o desanimar, é o colocar
o outro para baixo, é a falta de diálogo, é o condicionar o outro a seguir pelas
nossas pegadas tirando-lhe a individualidade, é ficar o tempo todo fazendo comparações
que não tem nada a ver, cada um é cada um. Não devemos colocar o diabo onde ele
não merece estar.
Todo bem consiste no amor, amor não é possessão, amor é compreensão, através
 desta compreensão nascem-se virtudes,
Herta Fischer















Dois terços de ignorância

Nem sei bem se tenho algum valor,
que me importa, amanhã nem sou mais,
passei, passou!
De tudo que ainda consigo ver com
os olhos, de tudo o que ainda consigo
sentir, não passam de até quando.
As vezes eu preferiria mesmo estar fora,
fora dessa loucura toda, que é estender-se
para ver até onde vai.
Ilógica é a vida, assim como também é ilógica
toda essa correria para depois chegar ao final
e ter que deixar tudo para trás.
O que hoje é importante, amanhã deixará de ser,
o que edifiquei durante este breve estágio de viver,
a algum tempo, não terá nenhum valor.
Até mesmo os amores que amei, amara outras e me
esquecerá.
Serei com as águas que passam, colhe-se o necessário, e o resto
perde o sentido, volta para onde veio, e para onde vai,
quem o poderá dizer?
Como os frutos da videira, depois de maduras, ou caem ao chão,
ou são colhidas para um fim, Assim sou eu na minha fonte, um
pedaço de nada, que pensa, e ainda me dizem que, não aproveito
nem um terço da minha capacidade, e o resto, o que sobra,
os outros dois terços, para que servem?
Meu único alento, é saber que ninguém poderá ocupar meu espaço,
enquanto aqui ainda vivo, e que ninguém poderá tirar-me a razão
 dessa mania de pensar, embora me canse um pouco, pois, mesmo
pensando, ainda continuo sendo prisioneira da ignorância, que me
coloca numa grade de apenas um terço.

Herta Fischer






Sem criar regras


Me lembrei do que meu filho sempre
me diz: Eu sou o que sou, minha forma é esta,
não posso ser uma pessoa que não sou, só
para agradar!
Eu sempre lhe pergunto se não sou uma pessoa chata
como muitos me rotulam, e ele me diz: Não mãe, você não é chata,
o único motivo para descriminarem a sua pessoa, é por quererem
ser você!
Sou a única pessoa da família que gosta do saber, que procura
se inteirar das coisas,
que mede bem o que faz.
Estou sempre interessada em assistir jornais, quero saber o
que está acontecendo,
 pois entendendo bem o mundo e as pessoas que nele vivem, eu
posso me livrar de tantos pesos.
Por exemplo: em questões políticas, eu não mais me envolvo, pois aprendi
que em qualquer canto, é igual, todos levando as regras em favor de si mesmos,
nunca se interessam pelo que você sente, estão envolvidos com a sua forma
de "ganho"!
Em questões religiosas eu não me envolvo, a não ser naquilo que busco como
minha verdade, embora saiba ser uma verdade universal, eu fico a margem, só
observando, não se muda ideias pré concebidas.
Em questão mundanas, eu me ponho de largo, pois meus motivos e minhas circunstâncias
não se identificam com o que o mundo quer ou procura. O que procuro não
está no mundo.
Em questões particulares, deixo para cada um, que se resolvam a sua maneira,
pois não compete a mim, criar regras que não satisfazem a todos, Então, meu lema é:
Se está bem pra você, quem sou eu para dizer se está certo ou errado, A vida lhe dirá!
Em questões familiares, não me envolvo mesmo. quero a felicidade de todos, pois
pessoas felizes não enchem o saco.
Agora, quando a questão sou eu. Ai, sim! Eu me envolvo de corpo e alma, para
que o meu espírito descanse dentro do meu corpo, na mais profunda leveza.
Como a aurora rompe-se em cores para saudar o dia que chega, eu também saúdo
cada dia como um belo milagre a me realizar.
Herta Fischer








Acabou o amor, agora é só quebradeira

"O mundo me cercou de mentiras e
os enganos encheu-me os olhos."
Eu sonhava em encontrar
um lugar de bem, onde o paraíso não
fosse apenas um lugar, uma paisagem, mas
um bem durável que estivesse plantado nos corações
das pessoas.
Infelizmente, depois de muito tempo, tive que deixar de
sonhar. Pode até ser que exista um mágico grupo de pessoas
que engajam freneticamente a ideia do bem, mas, ao
convivermos com outras pessoas, umas diferentes das outras,
cada um defendendo seus próprios princípios e crenças, a gente
vê este paraíso cada vez mais distante.
Acho inacreditável que em pleno século vinte e um, quando as mentes
deveriam estar bem mais abertas, ainda se ouve algum hipócrita
chamando Deus de orgulhoso.
Orgulhosos somos nós, que não conseguimos nos afastar das coisas
que morrem, quando deveríamos dar atenção as que são eternas.
O corpo para nada se aproveita, exceto para carregar o espírito. Embora
saibamos que a morte do corpo é eminente, insistimos em encontrar
remédios milagrosos que empurre a velhice para mais tarde,
e o máximo que conseguimos é arrastar os pés por alguns anos
 a mais  sem qualidade alguma, com a pele tão esticada, tornando
a face irreconhecível até para si mesmo(a).
Se não pudermos cuidar do que está dentro, como daremos tanta importância
ao que está fora?
Por acaso a casca do fruto é mais importante que a polpa?
De que adianta um rostinho bonito, um corpo bem feito, se o espírito
contradiz?
Conheceremos o homem pelo espírito de cada um, não pelo corpo, pela cor
da pele, ou por outro adjetivo qualquer.
Deveríamos, pela boa consciência, ensinar as crianças a serem boas, no entanto,
pelo orgulho enraizado em nós mesmos, nos tornamos como peças de
cristal, e a qualquer toque, por menor que seja, já ficamos na defensiva, sem
respeito algum, pelos da nossa espécie.
Por que será que os homens querem tão bem os animais? Por que eles não
competem!
Eu reparo nas pessoas da minha própria família. Não dão importância alguma
quando estamos bem, mas, se nos verem em apuros, ou definhando, chegam
com cara de amigos, só falta nos carregar no colo. Não é por solidariedade, mas, sim,
para ver a nossa queda, se fazem de bonzinhos, quando na verdade, só querem
parecer o que nunca foram.
Por isto, estou aprendendo a viver só, sem depender do amor ou da amizade de
ninguém, quando preciso, me entrego a oração, como faço sempre, pois
amigos sinceros não nos procuram em fases. Ou estão conosco, ou não estão!
É assim que eu penso: Querem tudo para eles, mas quando chega a hora de
dividir, pulam fora e nos deixam a ver navios.
Cansei de procurar pelas pessoas quando na verdade elas estão tão longe, entranhadas em
suas órbitas, rodando em torno de si mesmas, ocupadas demais para olhar para os lados.
 Herta Fischer

















terça-feira, 10 de março de 2015

Uma lição de humildade


Durante o terceiro mês na faculdade de Administração, nosso professor nos deu um questionário. Eu era bom aluno e respondi rápido todas as questões até chegar a última que era:
“Qual o nome da mulher que faz a limpeza da escola?”
Sinceramente, isso parecia uma piada. Eu já tinha visto a tal mulher várias vezes. Ela era alta, cabelo escuro, lá pelos seus 50 anos, mas como eu ia saber o nome dela?
Eu entreguei minha prova deixando essa questão em branco e um pouco antes da aula terminar, um aluno perguntou se a última pergunta da prova ia contar na nota.
- É claro! - Respondeu o professor.
Mas, por quê? – perguntou o aluno.
E o professor respondeu:
- Na sua carreira, você encontrará muitas pessoas. Todas têm seu grau de importância. Elas merecem sua atenção mesmo que seja com um simples sorriso ou um simples “bom dia”.
Eu nunca mais esqueci essa lição e também acabei aprendendo que o nome dela era Dorothy.
(autor norte-americano desconhecido)

segunda-feira, 9 de março de 2015

Dia feliz

Mais um dia, talvez uns dos melhores!
É nele que construo minhas obras, é sobre
ele que deposito minha mais fiel esperança.
Quanto a mim, neste instante, graças ao
poder do Espírito Santo, estou cheia de força e
de justiça.
Aquele que abre o caminho, irá adiante de mim.
Embora pequena, fazendo da vida uma triste
canção, eu me regozijo em nome do Senhor, o
nosso Deus.
Pois de toda areia colhida, uma criança faz
um castelo, e sobre a lama, se deita um elefante.
É com este espírito renovado que enfrento meus dias,
subindo de montanhas em montanhas, como quem colhe
frutos de verão na respiga da vinha.
Nunca estarei só, mesmo que todos os homens
me olhem com desdém, nunca morarei em trevas.
Os carros percorrem loucamente as ruas e se
cruzam velozmente pelos quarteirões, parecendo
tochas de fogo e se arremessam como relâmpagos,
enquanto em minha alma, soa leve a alvorada.
Os homens passam
por mim  como o vento, e prosseguem carregados
de culpa, pois tem como deus, a sua própria figura.
Eu, no entanto, não me entristeço, é grande a minha fé,
mesmo que tenham a mãos prontas para fazer o mal, no
meu caminho eles não  entram. Pois o Senhor é que
  constrói meus muros.
Diz o Senhor: Pratique a justiça, não seja como o governante que
exige presentes, nem como o juiz que aceita subornos,
ou como os poderosos que impõem o que querem.
Eu ouço e respondo:
-Me ajude a seguir em paz o meu caminho, assim como
as águas seguem seu curso e desaguam lindamente no mar,
eu, pela força que me dá, possa desaguar-me em ti.

Herta Fischer













Plagio

Atualmente se fala muito em plágios, como
não plagiar inconscientemente, sem necessariamente
copiar algo já escrito.
Até mesmo Platão, Sócrates e Aristóteles, provavelmente,
plagiaram ideias alheias. Não se pode criar sem que antes,
se tenha absorvido da própria natureza, as coisas e fatos
já em andamento.
As cores não podem ser mudadas, o roxo é roxo, não da  para
defini-la de outro modo.
Assim também, as palavras, podem ser ditas de outra maneira, mas
não muda a forma de como aprendemos.
Se eu falar da cor do céu, eu tenho que falar do azul, pois alguém
em algum momento definiu a cor azul. Falando do céu, como eu vejo,
 eu não posso colocar uma outra cor que não seja esta mesma.
Como posso falar da vida de uma outra forma, seria mentir. Então, falo como
todo mundo vê, da mesma forma que qualquer um falaria.
A não ser que inventasse uma outra forma de escrita, ou uma outra forma de
ver, e de sentir.
Escritores famosos, copiam frases da biblia como se saíssem deles, mas não saiu, e ai,
não pode ser considerado plagio?
Se as flores falassem, me diriam que delas já se falou, no entanto,
eu também tenho o direito de falar dela, ou não?
Se eu tenho consciência sobre o que falo, se falo do que conheço, ou
de algo que está em mim, o outro também pode tirar proveito do que falo.
Plagiar é construir sobre fundamentos alheios, porém se construo sobre um outro
fundamento, usando palavras próprias, não podem ser consideradas plagio.
Plagiar é copiar fielmente obras alheias. Fazer da mesma fôrma, uma forma de se
fazer.

Herta Fischer