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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Golpe baixo

 Me despeço com pesar

deste meu chão,

Ha rusgas no meio das ruas

bocas secas a falar sem voz

olhos que choram sem lacrimejar.

Códigos indecifráveis, em mentiras se conta

sem contar seus avessos contras

Direção não há, flechas se vê pelos arbustos,

escondendo sangue entre as folhas.

Secura de vertente, escorrendo entre os ventres,

lodo de todo lado.

Povo mais que sofrido, mãe sem marido, pai sem  pátria

Bonde sem passageiro, lacre rompido.

Poder engole a prole, da prole só quer o gole.

Golpe fatal, no coração do coração.

Hertinha Fischer




quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Inversão do amor

HA meu querido!
Quantas juras entre lençóis.
sementes jogadas ao vento,
espelhadas em vitrais
Nada espera viajante,
põe a carroça sem condutor,
arma ciladas de cobertor.
Sinceridade amiga do desejo,
que some de mansinho e se revela
portas fechadas sem luz nem brilho,
nos cantos frios de uma favela.
A onça anda despreparada,
vencer a fome é solução,
se desse mais valor a vida
comer seria uma maldição.
Demonizado a sinceridade
que anda morta pela estrada,
em lua cheia, ela se vende,
em sol brilhando ela quer paga.
A vida pede um bom sossego,
anda agarrada a um bom pelego,
pensa que é pássaro, mas é morcego.
Hertinha Fischer


 


quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Caçando as ruínas

 Quase acredito, antes que o sol nasça.

Ha um brincar de despertar entre ruínas.

Encobre certeza, mostra-se esperteza,

só correnteza a acorrentar.

Elo quebrado, sorte aquietado, ventre dilacerado.

Eu, que entendia, esquecia e... ventania

Principiante aspirante, principalmente andante, 

mais hoje do que antes.

Sonho desvendado, futuro afiançado, vivendo o malogrado

Dom de dizer, descorçoado e amedrontado a lamber

quem não quer nem saber.

Fugindo, rugindo, leãozinho abandonado

buscando, olhando, enxergando de olho fechado.

Quem dera, pondera, entre a fera esfacelado

De céu, como mel, pudesse virar melado.

Hertinha Fischer


segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Teoria de um ancião

 Cara amiga de antes. Agora quem tu és?

Fala-se de eternidade, até quando?

Que amor é esse - meio morno, meio maluco,

cortado ao meio?

Dá-se, doente está!

Que fizeram os bons, de onde saíram os borrões?

Carta rasgada, letra miúda, escancarada caligrafia

de quem não confia?

Lê-se, não entende, Escuta, não se entende,

fala, desentende?

Mudança, debochado sincero, esperança, claro esbanjador?

O mar que amou a areia, a areia o engoliu, a orla que se desespera

na hora em que a pedra pariu.

O inverso que se faz verso, que reverso

o universo?

Madre sem útero, pássaro sem bico, malogrado pensador

Pensa que pensa pensando, ato que pena sem poema

Universo bilateral, esquema universal, esquecimento paradoxal 

Hertinha Fischer





Superfície do tempo

 Lá na sublime superfície de antes,

onde o agora vigora.

Latente, desperta um outro tempo

que em tudo se demora.

Derrama senso, escoa sensações

bebe-se ilusões.

Tudo pode, tudo quer, vive-se seus

furacões.

Assemelhado ao desmamado,

leite santo derramado

segue em retidão, disfarçado

Nasce vago e sem sentido,

torna-se grande e temido

limpa-se fora, dentro,

encardido.

Uivante desregrado, caça a presa no cercado,

livre e condenado, não passa de pobre coitado.

Em fome, afomeia, em crise, coiceia, em vida,

desperdiça, em morte, cerceia.

Vitoria, nunca terá, felicidade não encontrará,

tristeza socorrerá, vivendo, lamentará.

Hertinha Fischer







sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Vacivos


Entremeio entreposto, suposto meio

Estremeço, estressado, entre portas

sossegado

Cadeado escaldante, preso em chamas,

esfolado.

Catavento  acatado, vento forte, vento alado

Suposto, suspenso, cordas rijas no cercado

Chiado chia entre vácuos, veados, chifres

e viciados.

Oriundo, moribundo, olhos fundos, esbugalhados,

dança luz, balança cor, nuvens negras esbranquiçadas

Viuvez em vida, vivencia mais que nada

valência e altivez, vale tudo e vale cada

Da de ombro a hombridade, ta no monte a montaria

Malograda a sorte, que é sempre zombaria

Cheiro forte de charada, replica de charlatão

Chá que chapa como cão, 

pés que parece  uma mão.

Hertinha Fischer





Oração de um despreparado

 Querido Deus


Me destes pés para andar pelos bons caminhos, me desviei.

Me deste a coroa da vida, sem noção do custo, vendi.

Me deste coragem no discernimento, amedrontado ofusquei

Me destes corpo santo, corrompi

Me deste esperança em ti, enganei-me com outros

Me deste amor sincero, troquei por enganos

Me deste teu filho como verdade, corri para o lado contrario

Me deste saúde e felicidade, desfiz em desejo

Me destes segurança na caridade, desperdicei

Me destes tempo de preparo, desvencilhei-me

Me destes vestes limpas, sujei

Me destes tudo, acabei em nada

Agora rogo por socorro, não desvie de mim a tua face.

Amplie-me a visão

Faça-me ouvir com o coração

Refaça-me e me abasteça

Conforme teu santo querer

Hertinha Fischer