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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

domingo, 15 de outubro de 2017

Segundos de intimidade

Estava eu, mais feliz do que de costume.
Mesa farta, frutos doces.
A primavera me enche os olhos de flores, mas é no
verão que me compromete o paladar, nos
frutos que minha alma padece.
Estou a passar como cometa em sua órbita
mais relevante,
embora na solidão viva, a mais perfeita
harmonia são quando olhos me veem.
Enquanto sou nuvem a passar, e se esconder em um futuro qualquer,
apenas quando me transformo em água
é que me enlevo no proceder.
Não quero ser apenas gotículas que nem se apercebem, na torrencia
é que me torno destrutiva ou em benção, quem o sabe?
Sou como grãos de areia na praia a malhar em seus pés desnudos
que em feridas te animo, muito mais que massagear
sou quem em brasas te animo.
Eu quero ser mais, eu preciso ser o que te acorda em todas as manhãs em
mania, que te despende do sono, em trabalho em correria.
Sou a esperança no nada, aquilo que esperas eternamente, que depois de concluido
ainda estou a faltar.
Sou o ar que tu respiras, que de ti sai e volta, nem percebe a minha prece,
nem se da conta do que sou.
Sou uma energia mutante, que faz seu olhar competir, que te mostra onde ir, que
te leva para onde não queres ir.
Sou eu, simplesmente eu, até que o tempo me apague em seu
caminho
mas, não conseguira tirar-me de sua imaginação.
Sou tempo, sou hora e sou a sua folga e tortura.
Herta Fischer.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Atravessando precipícios

Já andei metade do tempo desfrutando
das minhas vaidades.
No meio do caminho iniciou-se
um querer que escravizava minha visão.
Procurava nas esquinas dos sonhos algo
ou alguém que me valorizasse, que pudesse
me querer com avidez.
Necessitava de carinho? Talvez!
Mas não seria só isso.
Eu precisava ser lembrada, ter alguém próximo
que sentisse de mim, saudade.
Que se alegrasse com a minha presença,
que pudesse alimentar a alegria que em mim faltava.
Foi num desses momentos que optei por ler romances,
eu me satisfazia nos contos de amor, como se fosse eu a vivê-lo.
Cada historia, cada choro, cada tormento que nas páginas se desenrolava,
era como se estivesse dentro, e a fantasia foi a companheira fatal.
Dormia em sonhos, acordava e andava sonhando, e nada acontecia
para mim.
Acabei por ficar mais só.
Nos dias, livros tornaram-se amores, e nas noites,tristeza e dor por
vê--los indo embora.
No final de cada romance, sentia a satisfação momentânea de quem vence,
e no momento seguinte, ao iniciar outro, a mesma enrolação de sempre. Renúncia
de  mim mesma, enfadonha arte de conquistar.
Assim se passaram anos, nessa fábrica ilusória. a inflar meu ego de
mentiras.
Do trabalho para casa. E tudo se encontrava vazio: irmãs, irmãos, pai, mãe e
amigos em folhas de papel.
Tudo porque não encontrava amor.
Eu não queria a sexualidade, não queria usar o meu corpo,
nem viver em lascívia. Só queria e precisava de atenção.
Saia com alguns rapazes, até me apaixonei por várias vezes, mas a ilusão
desse querer que me aprisionava, de longe seria o que me ofertavam.
Não sei bem a diferença, só sei que havia diferença em tudo á minha volta.
gente que se satisfazia com pouco, eu desejava a impossibilidade: um amor
amor somente!
Lógico que encontrei um rapaz em minha rua, dotado de beleza, que me chamou a atenção,
e me fez feliz por me aceitar: no inicio, igual aos outros.
Não era amor, era desejo, e foi muito difícil para mim, aceitar aquela forma de querer.
Estou no mundo:- pensava eu: e como o mundo só oferece isso, então,
isto serei.
E no decorrer do tempo, como um romance de papel,  as coisas foram se encaixando.
Agora, neste exato momento, quando olho para as páginas já viradas e lidas. vejo
que o amor nasceu, entre espinheiros e abrolhos, que foi necessário passar
pelo precipício para alcançar as flores.
Hertinha Fischer












sábado, 30 de setembro de 2017

O pouco que diz muito

Hoje eu pensei em reler alguns trechos que escrevo, e dei de cara com tantos erros.
Fico encantada com outros escritores que me fazem pensar que escrever é muito fácil.
Meus passos tão pequenos e fora de compasso, me revelam que não basta querer.
È preciso muito mais que a querencia, é preciso ter desenvoltura e malicia até na escrita.
Vejo tantas lógicas, tantos pensamentos a fluir, e no entanto, não consigo falar o que realmente penso.
A vida passa por mim, crescendo  sem que eu perceba. E as vezes me perco, talvez, por não
se tornar tão compreensível quanto deveria.
Sei que é preciso muito estudo até atingir a órbita perfeita, mas que será daqueles que vivem sem
direção?
Não me cabe mais experiência, tudo exige esforços, mas, mais que esforço é preciso orientação, e isso tem um custo.
Sinto-me como uma fadinha fora do encantamento, sem varinha nem poção, como
quem quer e não tem.
Vou a deriva como águas de chuva que ainda não alcançou o rio, passa e se definha em um buraco qualquer sem nunca chegar a ser.
È preciso muito para alcançar o que quer que seja, e no pouco eu vou.
Bom que ainda penso na inutilidade das coisas, na vaidade que o homem se submete, pois de que me servirá a fama, se em breve não mais serei?
Deixo algum registro que possa servir, não de plataforma para algo maravilhoso, mas, para que conheçam a minha própria dificuldade.
Porque para evoluir é preciso dedicação, e quando digo, não consigo, dai é que não consigo mesmo...
Mas, quando  acredito que posso, a pequenos passos, poucos e lentos, eu alcanço ainda alguma credibilidade.
Pois a vida nada mais é do que aprendizado...
Herta Fischer





terça-feira, 26 de setembro de 2017

Você e eu

"E de repente o tempo trouxe
você, depois de ter sobrevivido
outros tempos, quando você ainda
me era desconhecido, e sem
que me desse conta ainda
te procurava nas esquinas
dos meus sentimentos.
Achei que seria fácil, achei mesmo...
Até descobrir que o encanto de amor,
é simplesmente o recanto dúbio
onde se constrói o bem querer.
Não quando queremos, nem
quando atropelamos , mas, quando
os caminhos se encontram nas mesmas
necessidades. E se completam, sobrepondo
até mesmo os maiores desejos dos mortais.
E se constrói no que vai além,
muito além do desejo físico. Lá, onde
o amor nasce e cresce e descobre
não se precisar de mais nada"!

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A-normalidade!

A normalidade de mornar por dentro, sem vontade alguma de sair, responder perguntas que geralmente nos fazem, sem querer de fato saber o que estamos sentindo.
È chato demais o dia-a-dia, cheio de problemas e fomes e afazeres..
Ter que merecer para receber, ter que enfrentar todos
os obstáculos que se joga em nossa frente como cão raivoso
a mastigar nossos desejos mais sublimes.
Feridos pelas regras, sobeja em nós as frustrações que carregamos em nosso ventre, como
quem come demais e passa mal.
Invejo os que vivem na irracionalidade, que se desprendem do vínculo do querer, só saciando a necessidade mais imediata.
Infelizmente ainda preciso saciar o querer alheio, mesmo
não sendo essa a minha necessidade.
-Até quando? me pergunto:
E não me dão resposta!
Herta Fischer

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A passagem

Falo da vida como
quem planta todos os dias
as mesmas sementes; Talvez, algumas despertem
em seu tempo, talvez, não.
Difícil mudar de tema, todos
somos iguais.
Dias e dias, semanas e semanas,
meses e meses... Números.
A gente acaba vendo o tempo
como algo que passa, deixando
tantos bons momentos para
trás.
De repente...
Tudo se acaba, quase sempre.
Eu numa esquina, nuvem passageira.
Outro em outro tempo, a mesma coisa,
vento.
Não me vejo nova nem velha, apenas eu em
outro momento, a saborear as
mesmices de todas as horas.
São contadas, vividas, sentidas, a desenrolar
como novelos de lã.
No final do novelo, outra forma, outro destino,
carretel vazio!
Herta Fischer

sábado, 2 de setembro de 2017

Viagem perfeita

Eu estou aqui, como sempre: Olhos abertos, sorriso fácil.
Tão bom quanto ir ao shopping ao domingo, é saber que
se tem um lugar.
Não saberia dizer se foi sorte, Deus,ou os dois em conjunto
que me auxiliaram em minhas andanças e co- colheita. Do que sei é o que me inspira em todos os dias: Amigos, filhos, irmãos, companheiro, e a minha presença quase que a se misturar
na alegria de cada um.
Não mais como algo simples e sem valor, não mais
como quem dirige ou ultrapassa, mas como alguém que anda igual...no mesmo passo e compasso!
herta Herta Fischer