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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

sábado, 12 de novembro de 2016

Aprendi a não ter medo

Mesmo que, muitas vezes, eu tivesse uma faca a roçar em meu pescoço,
eu procurei me superar.
Nunca olhei para os lados, segui meu rumo
como aquele que tem fé.
Até mesmo naquele momento em que alguém
subornou minha inocência, ainda assim, não frutificou.
Estive nas mãos de um sequestrador, que me levou
para onde quis, pensou fazer comigo algo repugnante,
e voltou de mãos vazias.
O medo nunca me fez ficar inerte. Muito pelo contrario,
eu é que o deixei caído ao chão.
Isto é poder.
Passar pela porta, enfrentar o frio, ou o calor intenso,
e ter certeza  de sair ileso.
Não sei o que é que me sustenta, além da energia do alimento.
É
algo inexplicável, algo além da compreensão. talvez,
ligado ao que acredito. Sou fraca e pobre, mas tenho um
Deus grandioso que faz a tempestade se retrair.
E me leva nos braços como uma mãe amorosa, me protegendo
de qualquer mal...
Herta Fischer.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Cantinho da memoria

Na verdade, eu carreguei tudo nas costas: meus desatinos, medos e
vaidades.
Não parei para ouvir. Aliás, nem abri meus ouvidos a nenhum
som que pudesse me fazer voltar.
Os precipícios iam se me abrindo. E, eu, os enfrentando, me
esfacelando  por dentro.
Não me opus a nada, tão perfeita era minha ciência, tão mesquinha
a minha procura. Não me dei conta dos que me queriam
bem, só importava a minha consciência, e aquilo que
me abraçava e me dava alguma sensação.
Nunca parei para pensar em mim, como alguém que
pode causar danos, minha suficiência, meu destino.
Estive nua, completamente nua de conhecimento, de
esperteza e de razão.
O juízo sempre me espreitou,  querendo me poupar, Porém,
 eu fugia dele.
Minha carne pedia mais e mais prazeres, e só me deparei
com prazeres alheios. Quando me usavam e tiravam de mim,
qualquer razão para ser feliz.
Não, eu não ficava por muito tempo, alguma voz que desconheço
me alertava sobre consequências, e sem perceber eu me recolhia
na solidão, muitas vezes.
Dizem que a solidão machuca a gente: - mas gente, também machuca!
È preferível, mil vezes, a lágrima sombria do esquecimento, que a tortura
do ser visível, cheio de marcas.
Brincando de ser feliz, como uma bonequinha de porcelana sentada
numa cômoda qualquer, a esperar que a vejam,  que brinquem com ela,
que a abracem, que digam de sua importância. Assim vivi muitos anos.
Até perceber que a falha estava em mim, na minha busca por alguém, a
espera de um amor que não vinha. Na ânsia de ser amada, muito
me perdi.
Dizem que a gente precisa se amar para ser amada. Faroleira! Não
pode existir sentimento trocado.
A gente só se sente bem quando não nos veem com indiferença. Quando
olhos amorosos nos atraem, quando realizamos a fotossíntese no outro.
Os experimentos da vida nem sempre dão certo, muitas vezes só nos fazem
infelizes.
Até que a flor miúda se desenvolva, cresça com a luz do sol, se forme no
ventre da terra, e abra espaço para ela mesma, fica a mercê do que lhe
oferecem.
Eu sai muito cedo do casulo, a primavera veio antes das flores, e a fome
me levou a comer pó.
Era o que eu sabia fazer, muito pouco, ou quase nada.
O mundo me atacava, se abria como lobo mau, e para qualquer
lugar que fosse, não havia proteção. Eu estava totalmente só.
E como lidar consigo mesmo, com o que sente, com o que precisa?
Tocando flauta no deserto, a sorrir consigo mesma, a dançar sobre as dunas
endeusadas, sentindo-se inútil.
Cada passo, uma punhalada, dores e desconforto povoando minha noite, e
de dia, muito mais.
Uma solidão dolorida, exaurida, planos de morte,
Pode parecer forte, pode parecer triste, mas é assim que me sentia.
Busquei na noite uma forma de sair, de sumir, de não mais sentir solidão.
Talvez, matando o meu corpo, eu pudesse, enfim, sair de mim, e me encontrar
num lugar melhor.
Mas, nem a morte me queria. La estive eu a vomitar essa vontade, e um anjo
me ajudando, fazendo expelir para fora aquele desvario.
Acordei sã, muitas visitas a olhar para mim com piedade, como se piedade
me bastasse?
Eu queria amor, eu queria cuidado,
E só me davam sobras.
Foram longos anos de suplicas, a pedir favor, a pedir paz.
Porém, as coisas só pioravam.
Foi então que conheci o amor. Era lindo! Como se eu pudesse flutuar dentro de mim.
Um arrebatamento, um sentimento divino.
O primo amore!
Algo encantador, que me fez exultar de prazer, chegar ao topo do mundo.
O sabor que eu experimentava era como o mais doce dos manjares, a luz
que se acendera em meu caminho, acabou com a escuridão, até as minhas noites se fizeram
dia.
Minha  feridas cicatrizaram, meu coração se desanuviou e eu só pensava em viver. me arrependi
de todo mal que fiz para mim.
Parecia outra pessoa no mesmo corpo.
Encontrei outra forma de olhar.
Estava muito sozinha ainda, mas, agora, preenchida pelo cuidado,
pela procura, pelo contato, pelos beijos e promessas.
As tardes eram maravilhosas, os fins de semana tão quanto.
Os braços a circular o meu corpo, o olhar de desejo, a pureza das
conversas, os sorrisos compartilhado.
O chocolate do beijo derretendo na boca, o açucarado do sentir amor.
Foram dias inesquecíveis, como tudo que é bom. porém, tanto amor
não sobreviveu. Sobreviveu em mim, mas, não foi compartilhado na
mesma intenção, foi mais importante para mim, do que para ele.
Numa tarde triste, ele se despediu e se foi.
E tudo virou cinzas de repente, meu sol se apagou, meu riso cessou,
e novamente, estava lá, sozinha e sem ninguém.
Só que, mais madura, mais forte.
Não era mais aquela menininha amedrontada, aquela sensação de que
poderia ser amada, me fez mudar. Me fez querer continuar a desbravar
minha estrutura, entender melhor a vida.
Não digo que não sofri, que não passei noites em claro, que não
o desejei perto de mim.
Até o persegui por algum tempo, até esgotarem-se a minha paciência,
pois, piedade, eu não queria.
E vieram novas conquistas, colocando tudo no lugar.
Passado o susto, novos acontecimentos foram explorados, absorvidos,
sentidos, gostados. Até que um dia os amores se encontraram; Os amores! isso
mesmo. no plural.
Eu não precisei me esforçar... dois corações com o mesmo parecer. dois pés
seguros na caminhada. um só caminho, um só desejo, um só cuidado,
uma só realização: O de ser e de fazer feliz.
Eu e o meu homem, na substancia. E a dor? há! a dor! Esta se foi.
Herta Fischer



















terça-feira, 8 de novembro de 2016

Me achando

(...)Eu saio, eu vivo, eu ando,,,
E como me sinto bem em meio
a tudo. 
Sabe, quando a gente se sente
inteiro, pleno, convicto,
Olha para tudo, sente emoções
radicais?
E vem aquela leveza e acaba sorrindo
sozinho?
E pensa: - como posso ser, estar,
ter noções, inteligencia, pensamentos?
Se não fosse por Deus, onde estaria?
Como seria eu se nunca tivesse existido?
Não tenho resposta, ha não ser esta fé,
que, de repente, me embala, E... uma voz
interior me vem falar de amor. me dizendo
ao pé do ouvido: - Não pergunte, apenas entenda:
você é um sonho realizado!
E eu me sinto estranha, como se me achasse, não
que me tivesse perdido, não me achando como pessoa.
Me achando mesmo, dentro do plano de Deus.. E ai, meu amigo,
piso em ovos.
Herta Fischer

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

União de espírito

Você chegou e me fez
conhecer a paz.
La onde meus olhos
choravam, veio
o sorriso a me abraçar
por dentro.
Se era amor, eu não sei!
Só sei que inundou meu
corpo de desejo, incendiando
minha alma de serenidade.
Veio também os dias maus, e sua
presença me fez suportar,
até a bonança voltar.
Superou minha expectativa
de paixão, pois paixão
não era, era luz.
Paixão é como fogo, apaga rápido,
e o sentimento que era maior que isto,
só foi crescendo, crescendo e
absorvendo o que tinha
de melhor.
Soltou as amarras que me impedia
de crer, e me levou ao paraíso
da crença.
Quando tudo o que eu pensava
de amor, deixou de ser, porque
amor a gente inventa, e o nosso romance,
nunca foi invenção.
Porque não vinha do querer, não
vinha do saciar, não vinha por onda, nem
no enigmático, Era real.
Uma realidade construída dia a dia
no carinho de quem não precisa, mas
fica.
Não oferece, mas dá.
E se fundem como duas substâncias
preciosas, que se dão bem, que se precisam
sem se precisar, que amam por amar.
Sem convicções, sem lamentações, sem confusões,
se unem para se transformarem naquilo
que todos almejam, mas, dificilmente
conseguem,, A união de espirito.
Herta Fischer



Andando nas nuvens

Algo a espreita.
Será solidão?
O calvário
do anonimato,
a exaustão?
Exaurida
da vida, sem comunhão,
cavando a terra,
feito camarão
Antenas ligadas
na compulsão, medos similares,
sem coração.
Vou a marchar, sem parar,
no colo do tempo
a me levar, sou alma
que chora a novelar
um monte de ideias
sem reclamar.
Sorriso na orelha,
olhos abertos
na mão, no toque
suave eu faço canção.
E danço a musica do
meu caminhar, e
fico satisfeita em
apenas sonhar.

Herta Fischer

domingo, 6 de novembro de 2016

Esperança na palma da mão.

Desde a minha infância eu já sabia que era diferente. Não me sentia especial, apenas diferente. Nunca olhei para frente, nem procurei andar pela melhor estrada, tampouco escolhi caminhos. Fui colhendo flores, pisando em espinhos, enquanto Deus cuidava da sola dos meus pés. Percebia a diferença de padrões entre as pessoas, mas nunca parei para pensar nos porquês. Ia e vinha conforme a maré da vida me levava: ora intensa e forte, ora vazia e fraca. Caminhava com certo medo, e diante de acontecimentos inéditos meus sentimentos mudavam de lugar. Na alegria, colhia; na tristeza, plantava. Aprendi que tudo faz parte: a seca, a chuva, os ventos fortes, a neblina, a escassez, a fartura — tudo dependia do tempo. Assim, também, me entreguei a seus braços, como quem confia. Sabia que, mesmo quando minha história mergulhava em densa neblina, fora do alcance dos meus olhos, ainda havia caminhos. Sempre há. Embora às vezes pareça apenas uma imagem quase se apagando, ainda é possível ver algo prestes a se revelar. E assim caminhei, à margem, buscando o que ainda me esperava, esperando pelo que não via. Sempre achei que os sentidos nos fazem cometer enganos; a sensualidade é um ego forte, capaz de trazer torturas à alma. Vive-se melhor quando deixamos a sensualidade falar menos. O que mais importa é o momento em que o pé toca o chão; o próximo passo é só suposição. Como na escrita, nunca sabemos o que virá, mas sabemos que a mente produz abundantemente e que, de alguma forma, haverá continuação. Mesmo que coloquemos um ponto final, a história só termina quando não houver mais memória. E assim continuei, esperando pela próxima oportunidade. Um fim abria espaço para novas conquistas, novos conhecimentos, novos horizontes a se desenhar. Eu aproveitava os momentos. Tive medo dos resultados, não nego, mas esse medo me fez mais forte, me levando a ponderar bem o que fazia para não carregar pesos desnecessários.
Herta Fischer.






quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Quando tudo acaba

Ela sabia bem qual era o seu caminho, até ver
tudo as tortas.
Os caminhos,  pelo qual, seguia, seria para seu conhecimento, até que se
viu  pisando  em outras pegadas.
que a levariam, não onde queria, mas, onde outros
chegaram.
E deu de cara com o que não queria para si.
Acomodou-se em seu dia como quem não
sabia bem o que queria, É assim, como  quem espera
dos outros,
chegou num lugar estranho. não conhecia solidão,
não conhecia desconforto até sentar naquele banco
que lhes ofereciam.
Pensou estar em sintonia com os outros, pensou
poder aceitar o que lhe ofereciam com
uma certa gratidão. pensou, aliviada, que
estava sendo amada.
Quando percebeu que seria marionete
em mãos inescrupulosas, que serviria,
apenas, para realizar prazeres.
Assoberbadamente, seguiu os passos
da destruição, por não encontrar
motivos para usar as suas próprias pernas e
encontrar o seu lugar.
Quando não nos identificamos as origens, e
nem aceitamos a nossa condição como
dádivas, e procuramos longe o que esta
bem perto, corremos riscos.
Ela estava condicionada á família, as regras,
mas esperava bem mais.
Aventurou-se a sair de seu ninho, e tão logo,
teve que encarar as cobras.
O veneno levou-á a exaustão, e com medo de tudo,
já cansada de ser consumida em sua beleza,
face a face com prazeres loucos, que só
davam satisfação á outros, tentou voltar.
Mas, então, se deparou com nada, Já não havia em
seu favor, ninguém que a amasse, que lutasse
pelo seu bem estar.
Ligou para a sua família, justamente para aqueles
que ela julgava desnecessários.
Eles a ajudaram, enviando-lhes dinheiro
para a passagem, porém, os estragos
feitos, jamais poderiam desfazer, nem
com todo amor do mundo.
Os vícios a consumiam.
A magreza tomou conta de seus anseios, antes gordos
e fartos, agora, apenas, carência e desgosto.
Todos os sonhos de liberdade rolaram ladeira
abaixo, deixando resquícios  de sensatez, hora
ou outra, quando  sua mente clamava
por abstinência.
A cabeça feita cobrava-lhe o preço.
Dizia ela: - tudo lhe é lícito, mas, nem tudo convém.
Pensara ser um ser de ordem:  tenho domínio sobre
a minha vontade, sou dona de minha vida,
posso entrar e sair quando quiser, mas, os desejos
lhe pegaram uma peça, e lá estava ela, sem saber
o que fazer, e como uma cobra a deslizar
sobre a sua presa, tornara-se cruel com ela mesma.
Queria sair, queria se safar, porém suas escolhas a
dominavam, seu organismo fissurado pela
falsa sensação não a deixaria escapar,
Sempre que lutava, mais e mais, de sua força, ela perdia,
mesmo que encontrasse carinho e dedicação de outros,
ela sentia-se só.
Era uma coisa que queimava ali dentro, algo inexplicável
que a consumia, que não a deixava seguir em paz, como
se nada no mundo pudesse lhe dar uma resposta.
Seu ego era maior que ela, superando seu bem senso,
tirando-lhe toda capacidade de entender. de suportar,
de aceitar.
Tudo parecia-lhe tão fácil, quando não se tratava de si, pouco
lhe importava o sentimento alheio. ela só se inteirava de sua dor.
E como lhe doía o fato de não poder controlar a vida do outros,
principalmente, aquilo que acontecia ao seu redor.
Pai e mãe, se perdendo, outra família se construindo, como
fazer voltar o tempo, como arrumar o desarrumado, como
fazer o amor rebrotar?
A historia que conhecia ia morrendo ante a seus olhos atentos,
o que era não era mais, o vazio á consumindo, os risos se calando,
as falas se desfazendo, apenas gritos aos ouvidos, ou então silêncio.
Cada um do seu lado, ninguém á conversar sobre a mesa.
La dentro de si, a dor. La dentro de si, a saudade. lá dentro
de si, o inexplicável.
Pais deveriam levar os filhos em consideração, pensava ela:
Não é assim, terminamos!
O amor morreu, e pronto!
Conversem, pelo amor de Deus, inclua os filhos na decisão, fale
com eles, permita que participem, que colaborem, que falem o que
pensam.
Eu não queria acordar e ver que estavam separados. eu não queria ver
nossa rotina se desfazendo. eu os quero perto, eu os quero como
sempre os vi, assim como os conheci.
Senão, me perco, não acreditando em mais nada, tudo que nos mostraram,
tudo era mentira?
Então, passo a ser mentira também, não me convenço de que nada
valeu a pena, de que nada fora importante, a não ser o fato de
se aguentarem.
O que realmente aconteceu?
Traição. Porque a traiu?
Que representamos para vocês.?
Onde entra meu querer?
Sou algo a disputar?
Não, eu não sou o que pensam, eu sou
sentimento, eu posso perfeitamente entender,
desde que sejam sinceros, Se o amor acabou,
se os desejos paralelos venceram,
pelo menos deixem  que eu também possa
escolher, de que lado posso ficar.


Herta Fischer