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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

domingo, 21 de setembro de 2014

Enquanto se deseja

Ontem, eu tentei te dizer, ontem, eu tentei ser eu mesma
pra você.
E como sempre, você se esquivou, me abraçou,
 e seguiu em frente.
Você se camufla como caranguejo a beijar o barro, não se
define em você mesmo,
e quer me transformar em outra coisa,
como se não se resolvesse.
Eu, o que sou,
uma sombra que
morre ao meio dia,
quando os seus desejos se distanciam?
E após, vai se desenhando timidamente,
quando se despertam seus instintos?
E ao cair da noite é um vulto expressando
sua orientação e assimilando o
que realmente quer sobre
o manto que te faz tão sóbrio?
E quando o sono te deseja,
a letargia te cobre, e o esquecimento
do amor que eu te dei se perde
na ilusão da tua satisfação,
esquece-me.
E eu, continuo a lembrar teus beijos,
na continuidade da noite a seguir.
Herta Fischer,






Realidade sentimental

Ah! É hoje!
Enquanto a vida segue, Eu, sem ritmo certo, sigo.
Não adianta ter um lápis á mão, quando não se sabe utilizá-lo.
nem boas idéias,
 sem saber o que fazer com elas?
Como um carro com combustível, motor ,e  todas as condições,
sem ter um bom motorista para conduzi-lo?
E é assim que sigo, direções e conversões adversas, e
um sentido que não me diz exatamente o que fazer.
tenho a minha frente uma porção de terra,
um céu a se seguir, mas, nenhum veículo que
 me leve, com a velocidade que me é perfeita.
Ah, se seu amor estivesse sobre minha responsabilidade,
se seu sorriso me bastasse?
Se a única condição me fosse adiantada,
sem cobranças, nem, nada?
Como astro e suas luzes, eu apenas existisse.
e suas diretrizes se intercalassem,
 na realeza do existir, do sentir-se completo.
Quando o amor só, pudesse falar o que sente,
sem sentir-se ameaçado, sobre
a sombra do que não se compreende,
mas que, a luz o definisse como
real.
E que só se compreendesse
através do caminho a seguir,
como se um passo a dada vez
fosse a realidade da
compreensão, sem
precisar de mentiras
para sobreviver.
Herta Fischer.









quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ser ou não ser

Demorei demais para entender.
O que a gente pensa não importa,
Nada muda!
Pra que ficar regando folhas mortas?
A verdadeira sabedoria consiste
em "tocar" a vida, a nossa vida,
não a dos outros.
Ter o nosso modo, defender a nossa causa,e deixar
que cada um defenda o seu.
Não colocar em risco a nossa própria consciência,
mediante conceitos alheios.
Ficar batendo na mesma tecla cansa os dedos.
E tentar mudar a direção dos ventos é insensatez.
Tudo se acaba da mesma forma, mesmo
sem a nossa interferência.
Dizem que somos capazes de mudar o mundo,
porém, eu acho, que é o próprio mundo quem nos muda.
Herta Fischer







Tudo fica para trás.

Folhas amareladas é o que restou,
do poema de um tempo
que passou.
Sonhei, sonhou...
 No romantismo da idade precoce,
o amor era maior.
Nos momentos a sós eu escrevi trechos
lindos, pensando em você.
E no fundo de uma gaveta qualquer,
o sentimento evaporou,
assim como a folha que amarelou.
Hoje, encontrei-me com o  mais singelo
amor,
através desse poema,
e reparei que só ficam
as coisas que o momento intensifica até considerarmos
passado.
E o passado que já foi presente na emoção de quem sentiu,
se não tiver registro, se perde em algum momento
na própria decadência do sentido, que
opera no momento apenas.
No momento em que se vive. Não mais!






quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Não sei o que esperam de mim

Eu só queria poder ser eu.
Ao nascer não foi perguntado aos meus semelhantes
se me queriam aqui, e
conforme fui conhecido,
já me descriminavam.
Ora, pelo meu jeito,
ora, por pensar,
ora, por apenas existir.
Falam em máscaras, quando na verdade
sou o que sou.
Não posso simplesmente acariciar egos.
Também tenho os meus, e conforme
me aprofundo em conhecimentos,
mais das pessoas me afasto, ou
elas é que se afastam de mim.
Não posso ser arco-íris, quando sou apenas uma gota.
Não posso ser um oceano, quando sou apenas um rio.
E o que as pessoas querem é que
eu seja exatamente igual,
que siga pelos mesmos caminhos,
aos quais não me identifico.
Então, que seja.
Fico sozinha, mas não me entrego
a ninguém,
para não me tornar refém
de quem, assim como eu,
ainda aprende!
Herta Fischer.



sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Imigrantes guerreiros

Mais um pouco e completo a jornada!

As vezes fico pensando se não teria sido diferente, ou então, porque
não foi diferente?
Se meus avós não tivessem que vir para o Brasil, fugindo da guerra, provavelmente,
para mim, não haveria história.
Meu avô e sua família saíram da Alemanha por volta de 1914, fugindo de uma situação ruim, enquanto que,
na Romênia, minha Avó e sua amiga se preparavam para fazer o mesmo caminho, pelo mesmo motivo.
Porém, o destino fez com que a esposa de meu avô adoecesse na viajem, e chegasse aqui no Brasil para morrer.
Meu avô, então com quarenta anos de idade, ficou viúvo, nesta terra estranha, com quatro filhos, sendo o caçula ainda um bebe.
Minha avó tinha apenas vinte anos de idade, não conhecia a cultura nem a linguagem daqui, no entanto, com
muita coragem, ela e a amiga arrumaram um emprego na agricultura.
Passado algum tempo, essas duas histórias se juntaram, e minha avó conheceu o filho mais velho do meu avô, que assim como ela, também tinha seus vinte anos de idade!
Se conheceram, provavelmente, na agricultura, em alguma fazenda qualquer.
logo, ele a pediu em casamento, e então, noivaram.
Porém, meu avô, com seus belos olhos azuis, deve ter chamado a atenção da minha avó. E ela, por sua vez, uma mulher de fibra, muito admirada pela coragem, também não passou despercebida pelo meu avô.
E num belo dia. Eu acho que seria um belo dia, pois o amor enfim se resolveu. Ele a convidou para fugir com ele. Não queria enfrentar seu próprio  filho, dizendo-lhe que estava roubando a sua noiva.
Então, numa cidade qualquer, eles se casaram e foram morar na cidade litorânea de Cananéia.
La meu avô comprou um pequeno sitio, com a economia que trouxe da Alemanha, e minha avó, logo engravidou uma, duas, três, quatro.
Ela ainda cuidava do filho mais novo do meu avô, então, tinha agora cinco filhos sobre seus cuidados.
Passaram-se algum tempo, já tinham plantado lavoura, tinham alguns animais e a vida ia transcorrendo normalmente, até o filho dele, o que era noivo da minha avó, tinha se casado com a amiga dela, essa que viera com ela para o Brasil. Então estava tudo bem, tudo tinha acabado em paz.
Porém, nada que esta tão bom que não possa mudar. Num determinado dia, os militares invadiram a terra do meu avô, e o expulsaram de suas terras, alegando que não podia ficar no Brasil, deram-lhe um prazo para que arrumasse suas coisas.
Meu avô implorou para que não fizessem isto, pois ele já tinha quatro filhos nascidos aqui, e alegou ter seus direitos como brasileiros, Porém, não houve acordo. eles disseram que, se minha avó quisesse, ela e os brasileirinhos até podiam ficar, mas, meu avô e seus três filhos do primeiro casamento, eram estrangeiros e teriam que sair do país.
Minha avó resolveu, então, lógico, acompanhar o marido, mesmo porque, ela não tinha a menor condição de ficar só com as crianças, como iria sobreviver?
Então, ensacaram alguns pertences como, roupas, alimentos e panelas,  o que conseguiram colocar sobre as costas e vieram para  a cidade de piedade.
Por sorte, tinham por lá alguns conhecidos que também migraram da Alemanha para cá. E esses amigos os receberam por algum tempo.
Mas, os militares não estavam dando folga, e se meu avô fosse visto novamente, ele seria preso e deportado, juntamente com seus filhos nascidos na Alemanha.
Então, ele pegou minha avó e os filhos, se embrenharam no sertão para fazer carvão. Não tinha restado mais nada, tinham perdido tudo, o governo confiscou seus bens. Agora só restava a fuga. E voltar para a Alemanha, com Hitler fazendo tudo o que queria,. Não, ele não queria mais voltar.
Entre Piedade  e a estrada que leva a cidade de Juquiá, a mata era muito fechada, só havia algum caminho traçado por alguns animais, pequenos trilhos quase que invisíveis, e foi por lá que meu avô e minha avó caminharam até encontrar uma clareira onde ele levantou um pequena cabana.
O tempo foi passando, e eles começaram a fazer carvão, o único modo de sobrevivência naquela mata. e tiveram mais quatro filhos.
Os dois primeiros eram homens, sendo um o homem que se tornaria meu pai, juntando com o filho mais novo do primeiro casamento, seriam três homens, já que os outros, mais velhos, do primeiro casamento se casaram e foram cada um para o seu lado, o restante eram meninas, e a vida era muito dura.
Uma das meninas ficou doente, e eles a viram se consumindo dia a dia, minha avó a levou ao médico na cidade de Juquiá, mas, ela não sobreviveu.
A cabana era coberta por folhas de palmeiras e as as paredes eram feitas com madeira, e a noite podia ver as onças rondando a casa.
Meu pai completara dezessete anos quando meu avô adoeceu gravemente. ele então tratou de trazer meu avô para o hospital de Sorocaba, só que meu avô acabou falecendo, e sem condição alguma de levar o corpo de volta, meu pai enterrou meu avô por lá mesmo.
Na volta, apenas contou a minha avó o ocorrido.
Depois da morte do seu pai, meu pai resolveu sair da mata, já que não havia mais nenhum perigo de serem pegos pelos militares. e arranjou emprego na agricultura, deixando para trás a difícil tarefa de fazer carvão.
Minha avó e seus outros filhos ficaram ainda lá por algum tempo, até que meu pai fez-lhe o convite de também saírem. No inicio houve uma certa resistência por parte do meus tios, mas, ao ver a labuta das minha tias e de minha avó, eles acabaram aceitando.
Então, meu pai conheceu minha mãe, se casaram, tiveram seus filhos e tudo acabou bem.
Essa é uma parte da história de minha família.
No inicio eu perguntei se teria diferente?
Se meu pai e seus irmãos tivessem tido a oportunidade de estudarem, quanta coisa poderia ter sido evitado. O meu pai sabia ler e escrever muito pouco, mas, fez questão de que, nós, seus filhos, concluíssemos pelo menos o ensino primário.
Ele passou a vida inteira trabalhando na agricultura, assim como minha avó e alguns de seus filhos.
Outros, tiveram chance de trabalhar no comercio e puderam dar aos filhos, melhores chances.
Enfim, é o que tinha de ser...Apesar de tudo.
E nós não teríamos existido se de alguma forma tivesse acontecido diferente. Se a história tivesse tomado outro rumo, consequentemente eu não teria nascido dessa família ao qual me orgulho muito...Filhos e netos de perfeitos guerreiros.
Herta Fischer













quarta-feira, 30 de julho de 2014

Perdas e ganhos

Poxa vida! depois de longos meses, o inverno da ignorância passou. ufa!
Hoje em dia, ou nos tempos atuais, o difícil mesmo é entender estas máquinas maravilhosas que
dispensam canetas, mas, que se torna um quebra cabeça, quando não a conhecemos.
Bom, o que vem ao caso agora é que, enfim, sem a ajuda de ninguém, eu tive acesso a minha
conta, e aqui estou para publicar mais um de meus pensamentos.
Na simplicidade em que vivo, nada poderia ser tão sofisticado. então o que apresento é sempre o meu desejo mais simples, ou meus pensamentos mais singelos, que talvez nem faça despertar em outros, a importância que deveria ter, mas que, para mim, tem um significado muito maior.
Vivi e vivo na mais perfeita absorção de meus interesses, quanto muito, apelo para meu bom senso de viver um tanto longe dos interesses da maioria que só pensam em ter e ter para que sejam assim valorizados.
Eu não me contento com minhas posses, eu quero mesmo é projetar o meu potencial, sem que para isso eu precise apresentar bens materiais.
Pois meus bens materiais só servem para meu próprio sossego e bem estar.. e eu quero, sim, deixar minha marca para outras gerações.
Então, sem pretensões a não ser meu desejo e gosto de escrever, eu fico registrando meus fracassos, minhas limitações, e até minhas vitorias, não para que seja gloriado, mas, para que minhas conquistas possam enfim, me deixar em estado de cumpridora de meu dever.
Me casei aos vinte e nove anos, bem madura para aquele tempo.. Geralmente os casamentos se desenvolviam aos dezenove ou vinte anos, para mais ou para menos, mas eu, não tive o prazer de encontrar alguém antes disso.
Ao encontrar alguém com o mesmo interesse que os meus, eu tive que, quase que deixar o projeto de constituir família para mais tarde.
Tantos foram os desencontros e a falta de sintonia que haviam entre nós.
O projeto do meu  marido era o de viajar para a América do Norte, e lá "fazer a vida"!
No entanto, o meu desejo sempre foi o de continuar onde estava, gerar filhos, e fazê-los crescer em minha pátria, mesmo não sendo o modelo ideal...
Até que enfim, por força do destino, ou não, as coisas foram se desenrolando e o sentimento e a união entre nós foram criando laços, até que, enfim, o casamento aconteceu.
Foram anos de ajustamentos, fora muito difícil para mim, que sempre morara sozinha, agora ter que compartilhar sonhos e espaços. E além de cuidar de mim, ainda tinha que cuidar de mais alguém, redobrando assim, a minha responsabilidade.
Mas, como tudo na vida são práticas, eu fui praticando e agora com mais duas pessoas, alem do meu marido para cuidar, me parece fácil.
Me sinto realizada quanto a isto, mas me falta o principal. Com a experiência adquirida nos anos que se passaram, eu fico muito tempo a toa, não posso trabalhar fora devido as obrigações que ainda tenho em casa, e o trabalho de casa me faz pensar que sou inútil.
Fiz um curso de pintura em tela, e lá fui eu quebrar a cabeça. uma coisa é pintar com professor, outra, bem diferente é pintar sozinha, mas também já estou dando meus passinhos.
Enfim, só estou dando este relato para contar que nada nesta vida é fácil. Se deixamos de trabalhar para cuidar de casa e da família acabamos perdendo a nossa emancipação em relação ao profissional. porém, se deixamos nossos filhos e voltamos a trabalhar, perdemos o prazer de vê-los crescer e também de deixar de
ensiná-los tudo que aprendemos.
Eu preferi então, a ultima opção, por um lado não reclamo, hoje quando vejo outros em comparação com eles, eu vejo que realizei, modéstia a parte, um ótimo trabalho.
E assim vou levando, pois a escolha foi minha, e agora não adianta querer fazer diferente, e eu nem sei se valeria a pena...
herta Fischer.