Quando se fala em pobreza raramente vemos com olhos bons.
Parece que os seres ricos se esbaldam na felicidade.
E que os pobres não vivem bem.
Eu fui uma pessoa pobre, e dava um valor danado
a cada pedaço de pão.
Tudo tinha um pouco mais de significado: a pequena bonequinha
de pano, as roupas limpinhas no varal,
quando minha mãe ralava os joelhos numa tábua de lavar.
Ao sair para trabalhar era como se o amor Maior nos visitasse, tinha tanta
luz no olhar.
Não havia canseira nos olhos e os corpos pareciam dançar a luz de velas
na escuridão.
Hoje tudo se tornou tão triste. O dinheiro fala mais alto que felicidade,
comprar o que nos falta parece que supre as nossas necessidades
e que a urgência é ter,
Andar com cabelos bem alinhados, roupas de grife, e mesmo assim
ainda achar que falta.
Acúmulos de coisas e sentimentos a faltar.
O carinho deu lugar a presentes, e o amor aos filhos
só se dá em fins de semana.
Meu pai nos levava para trabalhar com ele, só para
que não nos faltasse presença. Íamos todos juntos
á caminho do amor. E quanto amor havia enquanto
a gente se ajudava.
Não era o que fazíamos, nem na quantidade, nem na qualidade,
mas na companhia que existia entre nós.
Não havia um só dia em que não éramos felizes,
sobejava sorrisos e cumplicidade.
Hoje eu vejo tudo desmoronar, cada um em seu lugar,
como se o que nos fizesse fossem coisas, a felicidade
esta no mercado.
Compra-se alegrias, mercadejam sorrisos, e isto
tem o custo da solidão.
Não temos tempo para um bom papo, nem
para se construir um no outro, nem para
ensinar os mais pequenos, nem para aprender com eles.
A ganância não só de dinheiro, mas de tudo que ele compra
esta nos afastando cada vez mais daqueles a quem dizemos amar.
E o amor cada vez mais frio, se enquadra num sentimento vazio,
que tira mais do que dá.
Herta Fischer
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Eco do fim
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