Até o dia de hoje carreguei meus fardos,
antes, pareciam bem mais pesados, achava
que carregava sozinha.
Minha fonte se esgotava a cada gole de tristeza,
porque procurava inutilmente, e la na frente,
eu só enxergava doença e morte.
Quando, porém, meus olhos se abriram, e passei a
compreender meu caminho e o que me levava.
Não era minha a força, não era meu querer
que fazia acontecer.
Não foram os sonhos que me levaram as realizações.
E, sim, algo que se concretizava aqui dentro, como
olhos invisíveis a me alertar.
Passei por meus momentos como quem
precisa aprender. Nada é tão fácil.
Mas, também, nada é tão difícil que não se
possa suportar.
Tremia diante da vida, muito quis e pouco
me foi dado, me enterneci com amores
que desejei, que só se tornaram objetos
sem valor ao passar dos anos.
E passou, sim, passou, até mesmo
aqueles desejos pelos quais chorei,
virou passado quase todos que amei.
Depois de muito tempo é que, finalmente,
as coisas se encaixaram, não porque quis,
mas, porque aconteceu, simplesmente, aconteceu,
sem esforços, nem cobrança. Como um rio
formado por uma pequena nascente.
Uma construção de todos os dias, pingo
a pingo. Ora seco, ora abundante, na necessidade
foi crescendo até se tornar algo pelo
qual dá para se dizer: É tudo que eu tenho,
e quero, e preciso.
Podem me oferecer o mundo, não
troco pelo que vivo hoje!
Herta Fischer
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Restos do resto
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
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