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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Tudo tem seu tempo

Já dizia o sábio: - A gente precisa
estar seguro que a vida deve
ser vivida em suas etapas!
Na criancice o bom é ser criança, na adolescência,
procurar pelo bom caminho,  na idade
adulta, trabalhar incansavelmente, na velhice,
não esperar por mais nada!
Porque uma vez envelhecido, já
não há nenhuma outra probabilidade
de realização, será você
aos cuidados de outro.
Dizem que a pobreza atrai gente
sem instrução. O melhor a se fazer
é ir se preparando para
o mercado desde muito jovem, pois aquele que,
ainda jovem,
só pensa em se divertir, quando velho
e pobre, de nada adiantará reclamar.
Tudo tem seu tempo, tudo
em seu tempo.
Herta Fischer























quarta-feira, 26 de julho de 2017

Ausência

Te amei demais, não fui capaz de
te esquecer.
Esteve aqui, sem no entanto, estar
comigo, ao invés
de olhar para mim, só olhava para
teu umbigo.
Depois se foi, sem perceber
a dor que deixava, e na saudade,
ainda, assim, eu te esperava.
Sei que um dia, quando a poeira baixar,
e você perceber,
que ao me deixar, deixou também
o amor para trás.
E olhar além do que te fez
me abandonar, verás também,
que o amor que agora
sente por outra pessoa, não tem o mesmo
sabor do amor
que eu te dei!
Ela só quer o teu corpo,
eu te queria inteiro, e te amava
de janeiro a janeiro,
Ao despertar a saudade de mim em ti,
talvez, você seja apenas um borrão
que ainda insisto
em pensar, que não te queira mais, quando
você quiser voltar.
Hertinha (Herta Fischer)

Dentro de você

Estranhos sons
chegam a noite
quando a lua com um
sorriso irônico nos
lábios me põe para
sonhar.
Sei de mim, só
de mim, por enquanto.
Mas, sei que também sonha
de uma forma que eu
não sei definir, talvez,
na lembrança, ainda
descreve um pouco
de mim, como
alguém que se importa,
ou se importou um dia,
quando ainda lhe fazia falta!
Herta Fischer

Eu á meu ver

Não sou muito de mar, nem de céu,
meu lugar é andar.
sobre minhas lembranças
viajo, mais que qualquer asa
batendo de esperança.
Te ofereço os passos, a crença
de que passo e
deixo rastros...
Hertinha (Herta Fischer)

terça-feira, 25 de julho de 2017

De marcha ré

Pois é, né?
quantas vezes é preciso
pensar para se chegar á uma conclusão
em meio a este sistema doido.
Andamos meio que em
estado de sonolência, só nos
damos conta quando a água já está quase
na garganta.
A nossa origem é nefasta, não porque
Deus nos fez assim, mas, pelos
tantos exagerados desejos que, no decorrer
da vida vamos criando e desenvolvendo.
Tudo pela necessidade de lugar, de estar, de
poder, enfim, viver sem que para isto,
nos sintamos anulados de alguma forma.
Mas quase sempre perdemos o lugar.
Correndo atrás de dinheiro, de posição,
deixamos de ver o que veríamos se fossemos
mais devagar
Eu tive experiências más e não culpo ninguém
por isto. Tive o desprazer de querer algo
e com sede fui ao poço, para depois afogar-me
em tristeza por não ser exatamente o que queria. E
quantas vezes, eu quis algo que não era para ser
meu, e lutei comigo mesma para conseguir
e fiquei chupando o dedo.
Compreendi então, como falo na maioria
dos meus textos: á saber bem qual é o meu lugar.
Hoje, pelos muitos tropeços, aprendi a levantar, e mesmo que
erre, porque, enquanto viva, estou propensa ao erro,
de maneira alguma, fico a derrapar como automóvel
atolado, tento me corrigir através do bom senso. Não
quero nada que não venha para instruir-me.
Os anos passam, eu envelheço, é a ordem natural
das coisas temporais, então, fico a honrar os
dias em que ainda consigo me levantar e realizar.
Seja na ceifa, na poda, ou ainda na colheita.
Não fico a chorar pelos cantos, por nada, não
me condoo comigo, não sinto pena de mim.
Estou segura, tenho e sou o que desejo, porque não desejo nada
que não seja o que a vida me dá, ou tira.
Não vivo louca por amor, embora goste de amar, não cobro
de ninguém o que elas não podem me oferecer, também não ofereço
nada que não vive em mim.
Acredito que devemos ser bons, não porque a religião
nos ensina, mas, porque acredita-se ser boa por um algo maior.
O barro é feito de terra, a terra é feita de varias camadas
de materiais diferentes como: (areia grossa, areia fina, pedras etc),
embora se conheça só por seu nome de origem.
Nós somos constituídos de tantas matérias, no entanto, acredito
sejamos mais que apenas passageiros do nada, mais que apenas corpo que morre.
Se acreditamos que a vida é o que veio para ser, e que cada um vive
para determinado fim, que a morte é uma forma de pagar uma divida,
quem ainda em sã consciência, pensa ser isto ruim?
Eu vim sem pedir, eu vou sem querer, mas não estou livre, de forma alguma
de ter que me separar desta imagem que me acompanha.
Um rosto apenas, entre multidões, sou o que acontece, neste lugar
que ocupo, neste lugar que desconheço, por assim dizer, ainda
não sei bem qual é o meu papel. se apenas existir e morrer, ou morrer
e existir.
Não consigo imaginar o que serei: se algo infinito e milagroso, ou se
algo insignificante que apenas passa.
Se acredito ser algo que ainda padeço, então creio que serei algo
indefinido: como algo que desejo e não consigo ser.
Pois, mais faço o que não quero.
E continuo fiel neste propósito não criado por mim,
sem a liberdade que desejo, afiliada na consciência
alheia, e moldada no padrão pré-determinado
aos mortais.
Porque é isto que conheço, desta forma fui criada, e desta forma
me obrigam a ser.
E é o que sou, ainda voltada no arcaico sistema
de quem ainda precisa vencer, para chegar ao fim como
quem nunca teve nada, como
quem nunca nada esperou, á não ser ver morto todos
os ideais pelo qual lutou. Isto não é vencer, isto é brigar por nada!

Hertinha (Herta Fischer)









segunda-feira, 24 de julho de 2017

De volta ao passado

Gosto de falar sobre mim,
pois acredito que todos temos
algo em comum.
Nasci e cresci numa família entre
cinco irmãos, sendo quatro mais velhos.
Minha mãe era uma dona de casa exemplar,
como qualquer mulher daquela época,
sempre disposta em seus afazeres, e
com alegria cumpria seu ritual de todos
os dias.
Meu pai era um tanto sisudo, devido a forma
em que foi educado.
sem muito estudo, sabendo apenas rabiscar seu nome,
e lendo com uma certa dificuldade, mas, era íntegro,
como a maioria dos homens de seu tempo.
Sabia manejar com precisão as palavras, dono
de uma inteligência ímpar.
Sempre colaborativo em sua essência, apesar de
estar estacionado na velha forma de machismo e absolutismo
na qual aprendera tudo o que sabia.
Minha mãe, um tanto esquecida de sua pessoa, estava sempre pronta a ouvir,
nunca a questionar. levava ao pé da letra todos os
desejos do meu pai.
Na maioria das vezes viviam muito bem,
sem brigas e ou discussões sérias.
Porém, na divergência de algum desejo maior de seu marido, meu pai, ela
simplesmente o deixava falar.
Ele falava até se cansar, enquanto ela não abria a sua boca.
Sempre a primeira a despertar e a ultima a se deitar,
cumpria o seu papel como poucos.
Assim eu aprendi que a vida poderia ser mais simples, apesar das escolhas que,
raramente fazemos, e que a gente não conhece bem aquele
que vem para fazer parte da nossa vida. A fé nos faz acreditar
na felicidade constante, mas, o ser feliz vai depender muito
de como lidamos com o outro, e de como aceitaremos
o jeito do outro: a forma que vamos lidar com os defeitos e atitudes
que não são nossas.
Quando me casei, eu aceitei viver com o outro sobre o mesmo teto,
compartilhando espaço e sonhos, querendo que desse certo infinitamente,
mas, a realidade do querer, esta muito longe da realidade do poder.
Tive que sofrer um pouco no inicio, porque não era como o
desejado, eu não me casei com um príncipe de conto, eu me casei com um homem
de carne e osso, que por sinal, estava repleto de defeitos, assim como eu.
Era como se estivesse nadando no escuro, sobre margens repletas e crocodilos de
dentes afiados, onde minhas defesas enfraqueciam conforme me afastava
mais.
Num certo dia acordei grávida, e o medo se tornou maior que tudo, agora eu teria que
ser alguma coisa que não sabia, entrei em pânico.
Era uma mescla de alegria, medo, desconfiança, prazer e insegurança tamanha.
Me senti sozinha, perdida em uma estrada desconhecida, como
se as minhas defesas me abandonassem por completo. E não tendo
como recuar, eu chorava meu desespero.
A barriga crescia, assim como crescia dia a dia a minha angustia.
Meu marido saia cedo para o trabalho, sem a  minima preocupação com nada,
apenas com o fato de cumprir com as suas obrigações.
Eu ficava na solidão, como mariposa quase a me queimar na luz, não
sabia bem o que fazer ou pensar.
Foi então que desenvolvi um método
Passei a fazer as coisas como quem não pensa, apenas deixando rolar e pensando: - Se
vai ter que acontecer, que aconteça!
Talvez tenha sido assim que minha mãe aguentou por tantos anos.
E o tão temido dia chegou.
Dores intensas de imediato, dores insuportáveis logo a seguir, e a criança
não nascia. Uma mulher me assistia com uma certa preocupação, me dizendo: -
Essa criança não nasce hoje!
E as dores continuaram intensas, parecia me afogar por dentro, as tripas
quase saiam pela boca, e eu continuava lá, naquele açougue, sem nenhuma assistência
maior.
A noite tornara-se um suplicio, E alongando-se parecia não conhecer o fim.
O silencio no hospital, as luzes apagadas, quase que me deixavam louca, eu me levantava e
me espremia entre uma dor e outra, defecando e vomitando.
De madrugada, houve uma troca de turno, e uma outra enfermeira adentrou o quarto,
acendeu as luzes e me viu encolhida como o próprio ser em meu ventre, perguntou: Como você está?
Olhando-á nos olhos eu respondi com voz fraca: - Muito mal!
Ela, então, pediu-me para abrir as pernas, e nela, introduziu a mão,  fazendo-me quase desmaiar de dor.
Depois, como se não fosse o suficiente, me disse: - vai ter que ser cesária, vou avisar a médica!
Eu a pensar: - que alivio!
Mas não houve nenhum alivio até as nove horas da manhã, quando, enfim, o anjo
esperado, enviou-me para a sala de cirurgia.
Apenas quando o anestesista, pediu-me para relaxar, e introduziu uma agulha em minha coluna, eu pude, enfim, descansar e respirar.
Mas, ainda não era o fim: tão logo a criança nascera, me tiraram da sala e me levaram á um corredor
estreito, sobre a luz de uma janela de vidro, me largaram. . Ali eu fiquei, com a boca cheia de saliva, sem poder me mexer.
Olhava para cima e sentia-me tonta, fechava os olhos e me sentia pior, queria gritar, mas a boca estava cheia. O que fazer?
Deixei o liquido escorrer pelo canto da boca, e tentei desesperadamente pedir por socorro, mas, a voz não saia. Fiquei ali por alguns minutos que pareceram horas, até que, alguém apareceu apressada, e correu empurrando a maca até uma sala, me colocando na cama.
Depois saiu como quem não deve nada, nem desculpas, nem considerações.
Meu marido e meu sogro apareceram na porta, estavam brancos, pareciam que viram fantasmas. nada me disseram de imediato, até eu mesma contar o ocorrido: Meu marido bufava.
- Eu sei!  ele me disse: -  Faz tempo que você entrou em cirurgia, e como nunca saia, eu pensei logo no pior. Então me desesperei e fui perguntar o que estava acontecendo: - me disseram que você já havia saído á algum tempo. Então, eu perguntei, saído de onde?
- Da sala de cirurgia! - alguém me respondeu:
Eu fiquei louco naquele instante: - Mas, para onde á levaram?
 - Para o quarto, disse a recepcionista com um certo desdém na voz:
- Não!  para o quarto ela não foi, e tratem de achar a minha esposa antes que eu chame a policia!
E foi então que a enfermeira se lembrou do corredor onde tinham me deixado. E eu estava exatamente naquele lugar, óbvio, não podia andar!
Passado o susto, todos bem, eu e a criança!
- É um menino, eu disse:
Meu marido deu um sorriso, e falou:
- sim! eu já o vi! Um menino! E você me enganou!
- Eu? enganei como?
Quase me convenceu que seria uma menina loira, e quando o vi na pediatria, quase não acreditei no que vi.  Um menino de cabelos negros! Pensei, acho que trocaram a ficha, este não pode ser meu filho!
Eu também sorri. - È claro que é nosso filho, eu o vi nascendo, e como tinha cabelo!
- É bem cabeludo mesmo!
Voltamos para casa dois dias depois, e as coisas só pioravam.
Meu filho tinha dificuldade para mamar, e, eu, mais ainda em amamentar. Dores terríveis no abdômen
me impossibilitavam de me sentir bem.
Sem nenhuma assistência, meus seios inflamaram e a dor era insuportável.
O corte em minha barriga inflamou, e meu filho não parava de chorar de fome.
O desespero acabou me deixando sem vontade alguma de viver, eu queria dormir e não conseguia.
Tão logo pensei em minha mãe: Como me fazia falta!
Os dias passaram, eu voltei ao hospital para limpar a ferida, e me ensinaram a tirar o excesso
de leite. Meu filho foi amamentado por apenas quatro meses, após, foi decidido a possibilidade de
amamentá-lo com mamadeira.
Hoje ele já está com vinte e oito anos de idade, mas, sempre vou me lembrar do quanto foi difícil
me tornar mãe.
Tive mais uma filha,  que já está com vinte e quatro anos, e assim como a minha mãe, eu vou levando, fazendo de tudo para continuar com a minha tarefa, olhando menos para trás, e me concentrando em fazer todos á minha volta um tanto mais feliz.

Hertinha (Herta Fischer)


















terça-feira, 18 de julho de 2017

Algo a se temer

Na melhor das hipóteses, sou ainda
alguém que almeja ser.
Estou a procura de mim, e vejo
nos outros as minhas próprias falhas,
por isso creio tanto que o outro, talvez, seja um
reflexo distorcido de mim, algo de que não concordo,
mas, em mim, insisto em esconder.
Busco o que sei que não encontro, nem em mim
nem no outro, e seguidamente, por ainda
não conseguir me compreender, não consigo
ver o outro como um bem.
O mal do outro me espreita, e não consigo
me ver como quem espreita e condena, simplesmente
por me ver melhor do que realmente sou.
Vejo no outro as minhas esperanças
se esvaindo, as minhas suplicas não sendo
ouvidas, e mais que isso, vejo que o
outro, talvez, seja a minha decadência total,
algo a temer, algo que não funciona como
desejaria, e me esqueço que sou igual..
Hertinha Fischer.