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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

sábado, 16 de março de 2024

Cinzas ao vento

 É, que morte certa

Vigiemos antes
Somos ignores
Fazendo, desfazem,
Construindo, pretérito
O fim nos atrai,
passagem anterior,
Foi, viemos, vem
Se não souber, melhor
sabendo, de nada vale.
Somos aquele que passa.
escombros criadores.
Fazemos para morrer
e continuamos assuntando
poder
Hertinha Fischer.

Ensaios do pouco

 E lá estava, embarcando numa viagem nas asas do pensamento.

Plainando histórias
Brisa suave levantava fenos de esperança
Sem nenhuma delicadeza nem méritos, delirava nos pobres poemas. ricos
em mim
Uma mistura de simples com simplório. Juntados, como se junta frases pensadas com frases verbalizadas.
Percorria rios de memórias, charcos de intensão, muitas vezes, lamas de ilusão.
Eu, quem dera! Amante da arte, sem ferramentas sofisticadas. Punhos de aço.
O silêncio á me olhar com aqueles olhos de pidão.
E o mundo inteiro ao meu dispor: Eu só querendo alinhá-lo poeticamente.
Meus pássaros se aninhavam no alfabeto, e meus poemas punham ovos de plástico
Havia tantas coisas a contar, e ninguém para ouvir
Comecei a contar para os caminhos, para os lagos, e, muitas vezes, para a noite.
Horas a fio a desenhar em meus limites. Nada é mais fértil que a imaginação. É como aprender a ser médico, curando a si mesmo.
Ainda insisto nos traços. Poesia é desenho que não se desenha, se esboça.
Hertinha Fischer

Versões anuviadas

 Quisera eu falar de meus desatinos

Contar as minhas falhas
De quanto já errei
Só eu sei!
Pago por que devo
Se é pesado, não me calei
Me diga onde falhei!
Tive mais do que pedi
menos do que desejei
De tristeza, sobejei
Me considero déspota
Creio só de língua
Nem teus apreços considerei
Só conheço a minha face,
no distorcido do espelho
Se visse como realmente sou
meu rosto estaria vermelho
Se me agrada, me agrado
se me descreve, torço o nariz
Se falo da minha bondade
meus atos me contradiz.
Queria a mansidão do regato
E só consigo ser corredeira
Meus laços nem são tão fortes
minha alma é corriqueira.
Hertinha Fischer.

Vida em curso

 Na manhã que se fazia,

era minha a mania,
de esperar na rodovia.
Nunca fui de me sentar,
pés foram feitos para usar
e mente para discursar
Ninhos prontos me aqueciam
que, de pronto esqueciam,
minhas manhas só cresciam
Precisava de amar,
que amar sem somar
rosa sem flor, frutos sem pomar
Nuvens perto da água
não alimenta nem deságua
mais vestido que anágua
Alma sem olhos,
olhos sem alma,
mais apreço do que calma
Lâmina afiada de uma cutela
nem encosta já escalpela
coragem não é cautela
Anda a torto, meio reto
na posição de um feto
composição de um desafeto
Nem fim reconhecemos
verdade omitiremos
Acasos deslembraremos
Nem sabemos para onde vamos
Dos açoites nós escapamos
Da árvore só secos ramos.
Hertinha Fischer.

terça-feira, 5 de março de 2024

Inteligência original

 As frescas manhãs rosas,

cochilavam aos orvalhos
talhados de maçãs.
Olhos da amendoeira caiam a olhar
o chão com satisfação.
Rodeada pela cachoeira preguiçosa
que caia nos braços do sol, faiscando de amor.
Uma casinha se lançava as margens, como rainha poedeira
de sonhos perpétuos
Erguia-se a ponto de alcançar os braços dos coqueiros, tornando-se um só coração.
O vento enciumado, de vez em quando, os separava com seus bafos.
Flores de todas as cores sapateavam no ladrilho chão de outono.
Enfeitando os arredores do falcão, batendo as asas para atrair suas caças. Mergulhando seu nariz de bico na aterrisagem da fome.
Tudo se completava: Os que vinham com os que iam.
E a natureza mãe, anfitriã de muitos, não poupava sua delicadeza de incluir os desafetos como protagonista do espetáculo.
O baile das rosas e do vento incluía camundongos e águia, pássaros e cobras, sementes e esquilos, tocas e poleiros.
A mágica vinha dos ganhos e das perdas. do aparato do saber, da fartura e escassez, Nunca da falha.
No caminho da sabedoria nem o ar tem verdadeiro sossego, Seu movimento contínuo embala a vida. Atravessa mares e tempestades, afunda navios, derruba faróis, mas não incomoda seus peixes.
Tudo em razão de ser e poder.
Ser enquanto se é, e poder enquanto se pode. De resto é só conclusão.
Hertinha Fischer.

segunda-feira, 4 de março de 2024

Deste-mudo

 Eu que achava, achava viu?

Não acho mais.
O tempo destemperou meus tesouros,
ouro de tolo
Chacota de ontem
Hoje se superou
minhas ruínas se afinaram
Tempo demais para reclusão,
conclusão.
Tempo de menos para chegar,
sair, talvez, caminho há,
mas, onde?
O arco da lua vive em minha cabeça, prenúncio.
Temporais atemporais submergem
Antes fosse do que houvesse prometido,
Amanhã me revestiria de novo no novo
que se perdeu nas eiras das beiras.
Hertinha Fischer.

sábado, 2 de março de 2024

Corpos ou princípios

 Viver de bem com a vida, mas,

o que é vida que se vê bem.
Se é corpo, onde falhamos, se é alma, onde descansa?
Se não for intriga é fadiga.
Melhor é não viver, ser apenas.
Ser e descaber, rebelar-se e se render, para quem?
Eu nem vi por onde vim, nem me
lembro por onde andei antes de chegar.
Onde caberia um saber que não sei?
Onde haveria um lugar longe, que me destaque aqui.
Ou, a que horas a divida apita, em
que trilhos me cobra.
Ou em que trem devo embarcar, sem hora marcada.
Chegar onde? partir a partir de que estação?
Se nunca esteve como sabe como?
Meu corpo está condenado? Sim! qualquer um!
A terra o toma, é dela, mas é ela a substância final.
E o feito, por onde anda? Se no final tudo se desintegra, como reaver?
De que somos feitos? de barro ou de energia?
Então, sobre a lógica humana, o abalo sísmico somos nós, já que também somos terra.
Hertinha Fischer