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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

terça-feira, 22 de agosto de 2023

ilusionista


E as vestes tão simples varria o roçado, 

De lado a janela que se abria por dentro

De tão triste a enxada engolia a foice

Em cima a febre do seu firmamento

Raposas uivando como um lobo

em ninhos cobertos de cedro e capim

seus ovos se iam sem nenhum pecado

na terra dos deuses tupiniquim.

De tudo que amansa se rende a praga

rostos cobertos de pano carmim

Te leva a fome onde não tem nada

se dorme em cama feita de capim

Nem sempre a farsa é pobre e burra

as vezes se deita lá nas alturas

Homens que rezam no alto dos montes

trazem em si, imensas ranhuras

Fuja daquele que empresta favores

Nem sempre o bem é aquilo que vemos

boas palavras também é razão 

para tirar aquilo que temos.


Hertinha Fischer



terça-feira, 15 de agosto de 2023

Engolindo o amanhã

 Humanos entre migalhas

espirito impuro que se espalha
come de tudo e nunca se farta
fome de fé e sua falha.

Sublime é o céu em entardecer
miúdo se passa sem perceber
o escuro andando e tropeçando
na falha do sol entorpecer

A destra descansa em súplica e bonança
na esquerda da vida nunca esperança
o veio que se abre nunca é ouro
é corpo moído em seu matadouro

Lá onde se vê alguma leveza
é só alegria sem aurora e sua presa
nada se encontra nem se vigora
é só o segredo na sutileza

Bem largo é o hoje na substância
que se vive na pressa logrado na ânsia
o amanhã é fugitivo e encantado
vive cercado de inconstância

Se a rede te pega só resta lamento
o tempo te leva em seu firmamento
a grande vantagem também é perigo
a terra te engole quando termina seu tempo.

Hertinha Fischer

domingo, 6 de agosto de 2023

Aconchego da solidão

Estou no ausente, o ausente é belo
É lá que nasce um sol infinito sobre um lago
numa casinha que não tenho que disputar,
onde a felicidade é um mago

Faz-me completa sem mediações
reveste de paz uma nuvem de algodão
Me dá o que preciso e
leva pra longe a solidão

Capaz de serenar no silêncio copioso
tudo em folha de papel
Onde a fidelidade e felicidade
não cabe num anel

Ouço mais o canto dos pássaros
vejo mais o infinito
sozinha e bem descansada
só sinto o que é bonito

Longe das frustrações de palavras
aconchego de ouvido
onde a lua é namorado
e o dia é marido.

Eu me entendo comigo
o comigo me faz companhia
me contando tantas histórias
longe de qualquer perigo.

Hertinha Fischer

sábado, 29 de julho de 2023

Adregar

Arrumava seus cabelos sem olhar em espelho. Sempre estaria linda aos olhos dos outros, 
mesmo cobrindo seu corpo com vestido de algodão florido.
O que interessava vivia nela em todo tempo: aquela magia de quem sabe o que vale.
Talvez tivesse um pouco de ciúme, dentro de si, mas, não o revelava.
Suas mãos, sempre solicita, regavam as partes secas. Um alivio saber que seu marido
admirava as pessoas pelas ações, assim, ela não precisaria de tanto esmero com sua imagem.
Bastava conhecer a arte de acender fogo, de resto, era a panela que desenvolvia.
A água e o sabão limpavam, o óleo e a cebola saborizavam, o fogareiro e o fogo cozinhavam, ela era apenas o principio.
A plantação trazia o sustento, os filhos cresciam com o tempo e aprendiam praticando o bom olhar.
Assim anos vão se findando e os vazios vão sendo preenchidos.
Entre um passo e outro sobrava espaço, sempre haveria um vazio a preencher.
Certa que tudo estava certo, sobreviveria.
Filhos crescidos trazem certa solidão de vozes, só o som sonoro da vida em ventania conforta. Muitas vezes se é infeliz em plena festa.
Tem coração que pulsa sem cérebro, mas, tem cérebro que vive sem coração. É vibrante a vida.
Ontem vi um pássaro de asas quebradas voando com os pés, tudo é uma questão de sobreviver.
Hertinha Fischer


Vazio cheio

 Ah, como o agora me parece curto, o tic tac mais ousado e o andar mais vagaroso.

Quanta bonança, quanta lambança, ainda criança em lembrança.
Suados dias trabalhosos, enfadonhos e desengonçados dias a sussurrar sobre nervos, a desenrolar fraquezas, a submergir nas profundezas de um eu severo.
Que culpa me condena, que anjo me acolhe, que dia me engole?
As vezes que me distrai, achei o lugar, para depois já desperta me perder em vazio. Um vazio que sempre cabe coisas.
Cabe mais do que caberia se já se achasse cheio.
Sempre peço menos pensar. pensar traz o peso do que está longe, liberdade mesmo é controle.
Hertinha Fischer.

sexta-feira, 28 de julho de 2023

No mesmo andar

 Tem dias que volto

Tem dias que saio
De minhas pupilas,
não me distraio.
Sou meio que olhos
sondando o escuro,
por dentro e por fora
só vejo o muro.
Esbraveja novena,
oração sem noção
de quando em quando
aciono o botão.
Força que cai, desliga
a sirene
corpo doente,
em morte perene
Se fico ou se vou
também é em vão
lá ou cá é só um solidão.
Hertinha Fischer.

sábado, 22 de julho de 2023

Ança avança

 A alguns metros de distância,

ânsia.

Tudo avança e alavanca,

Tranca.

Três cordas enlaçadas,

Trança

Pés desleixados, ossos quebrados,

manca.

Dar algo para se ver livre,

fiança

Confiar com o certo das coisas,

Esperança

Ter mais que o desejado e esperado,

bonança

Guardar o futuro em potes,

poupança

Alegria em qualquer momento,

criança

Promessa de eternidade sem conflito,

aliança

Esperar sentado ou em pé,

cansa 

O  ponto final só marca,

confiança

cansa!

Hertinha Fischer