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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Bondade e amor

 O seu amor não é ele(a). Ele(a) é só o objeto que você escolheu para satisfazer uma necessidade humana. Assim, como escolhemos um par de sapato. Admira-se pela cor, pelo formato, pelo desaine e finalmente, adquire-se para que o ego esteja completamente satisfeito e assim, possa causar sensações físicas. O sentimento em relação a qualquer coisa, vai de encontro ao desejo, que, sem perceber, são alimentados dentro da gente. E ai o desejo se confunde com amor. e o objeto passa a ser o sentimento e não mais visto como simples objeto. Embora continue sendo apenas o objeto que supre a necessidade corporal e até mesmo uma necessidade espiritual, quando aspiramos por algo maior que nós mesmos, acreditando que não estamos no mesmo plano, onde tanto um objeto quanto outro objeto pode a qualquer hora deixar de ser atrativo e fatalmente direcionar o olhar para outra direção, refazendo o mesmo trajeto de antes, com as mesmas possibilidades do acerto ou erro.

Se alguém começa a sentir necessidade de jogar bola, por exemplo: a atenção do corpo e da mente segue essa direção, e o "amor" pelo
objeto bola, passa a ser alimentado por sensações boas, que o levam a achar que não vive bem se não esta no campo. Qualquer coisa que nos traga satisfação física pode ser considerado amor, se vermos o amor como objeto de prazer. No entanto, o amor não é objeto, o amor é a dedicação, que, por causa da necessidade de um objeto, se torna sentimento bom em relação ao que nos faz bem. Amor é bondade, por isso é certo falar que esta relacionado mais com o que se faz do que com o que se sente... ( Se o sentimento em relação ao objeto não for de paciência nem de bondade, pode ser tudo, menos amor,por isso vem junto com as obras, isto é: com ações)
Hertinha Fischer.


Iniciante

 E sozinha no meio de tudo, e tudo meio que vazio.

Cebolas e terra entre milharais, mangas maduras entre quintais.
Inspiração vem de canções alheias, mais que ouvido de letras.
A solidão é solicitude de poesia, prosa entre órgãos, conversa
entre rins e figados.
Um despreparo para uma fuga, uma fuga a se desenvolver, ludibriada pelo tempo escasso.
A ruína faz bem aos olhos, quando dentro dela já não se vê mais ninguém, mesmo sabendo que o ninguém já foi alguém.
A lua balança no espaço, a prata carrega nos braços, e no peito,
da rima é só cansaço.
A plantinha viçosa na praça, outra espremida na guia, o cão latindo lá dentro e o gato no telhado mia. É assim, como não quer nada, o poeta se inicia...
Hertinha Fischer

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

O invisível

 Nascemos para agradar Deus e não homens.

Só poderemos sentir as coisas com sentido próprio. Isto é:

A emoção com que meus olhos veem, não será a mesma, olhada por

outros olhos.

A beleza, de todas as coisas, só farão algum sentido, quando a gratidão se faz presente.

A glorificação não será útil, quando dito da boca para fora, mas, quando entra no coração e

a alegria se faz presente.

Não são as coisas que nos satisfazem, embora, as coisas se mostrem atrativas, por nos compensar

de alguma forma, mas, coisas perecem.

Quando sentimos o vento soprar, sabemos bem, que caminho toma: se norte, se sul: No entanto, isso pode mudar sem que percebamos. O invisível não pode ser tocado.

O que não pode ser tocado e o que não é visto é que tem real importância, senão, não teríamos tanta tara por paixão.

O que nos move é sentimento verso, inverso ou reverso, sem o sentimento. não podemos. sequer, existir,  pois, somos a magia do sentimento de Deus, que nos fez com um simples sopro e vontade.

O mesmo acontecerá na hora da despedida: a tomada do sopro e a vontade do criador, embora, nunca tivesse vontade de nos tomarmos em morte. Nós escolhemos a morte, não individualmente, mas, a natureza humana escolheu por nós. Ainda, agora, se usássemos a consciência, sem medo, ela. nos revelaria, que, embora, tenhamos aflições só em pensar na morte. A morte entrou no mundo, pelo conhecimento dela, senão seríamos como qualquer animal irracional, Nasceríamos, viveríamos, e morreríamos sem a consciência e dor que a razão traz.

Hertinha Fischer





Verdade fiel

 Repentinamente, o tempo nos mostra suas raízes mais profundas saindo pelas têmporas, sulcando a camada mais fina do maior órgão do corpo. São marcas de vida, de desassossego, de renúncias, mas, também de alegrias vividas.

Ao lado do barracão de saudade, renasce uma esperança gigantesca, fincada na terra prometida, a flor destila o mel.
A terra gira, virando a mesa, e vai nos distanciando, aos poucos, enquanto, em outro tempo, cria outros lugares aproximados para outros sentarem.
A sensação de vazio paira no ar, boceja soberbamente sua boca inerte, no entanto, não se sustenta. A razão, tão inibida, repentinamente se adverte, e destro transpõe seu caminho.
É quando a mentira chega e quer derrubar a verdade. É quando a morte, perturba, querendo vencer a vida. Mas, a vida é vida, portanto, não se deixa intimidar, enganando a morte só por um momento, embaçando a realidade com fumaças ilusionistas, para depois, novamente, reaver o seu lugar.
Um pântano pode esconder tantos perigos, mas, nunca corrompe toda a terra. Sempre haverá esperança a submergir em suas margens. O engano destrói a visão dos olhos carnais, mas, as lentes do bem, corrige os olhos da alma. A mentira, pode correr a solta, porém, os laços da verdade, por certo, a pegara´.
Hertinha Fischer.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

O temido

 Já tentei de tudo para driblar o tempo,

até gotas de orvalho já fabriquei nos olhos.

E o tempo, assim como o vento, me leva.

Ainda existe uma pequena margem á que

me redesenho, na insistência e resiliência

dos absurdos.

Dou marcha a ré, toda vez que chego bem perto do porto,

atracar é muito cruel.

Mas, mesmo patinando, o impulso me leva mais para perto

do limite do fim.

Penso que não quero ali chegar, mas o ali chega em mim.

E o silêncio de quem não mais precisa de nada já me acolhe

e acolhendo já não me resta tantos sonhos.

Porque o que tinha de ser plantado, já foi colhido, e o

colhido já foi degustado, e o degustado perdeu o sabor.

Tudo fica para trás, inclusive a lembrança de nós mesmos.


quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Vidas engarrafadas

 Componho meus dias com versos reversos, quase canção de exílio.

Letras garrafais e tudo mais, melodia como sinais.
Aurora boreal por dentro, por fora, o entardecer a tecer.
Sentimento e ressentimento, tocando como tambor, cordas arrebentadas, som do sonar.
Lutas e lutos, flores e frutos, a desembocar na emboscada.
Triste alegria em riste, sorriso largo no lagar.
Vanglorias sem gloria, eu e o mar, a se destacar no nada
que corrói e se decanta no mais lindo cantar.
Nessa crescente onda de acontecer.

terça-feira, 29 de junho de 2021

laços de amizade

 O rincão, da criancice, que traz saudade de outrora, 

quando, o piso, de terra batida, tinha  gosto de amora.

O meu cavalo no pasto, a relinchar de paixão,

por gosto de trabalhar, andava a riscar o chão.

O fogareiro no canto, a cantar sobre as brasas

esquentando a chaleira e a água,

a fumaça a bater suas asas.

A maçã a desejar minha boca,

suspensa ali se encontrava

de tão doce e suculenta, quase, 

em minhas mãos, se jogava.

As gotas, de orvalho, que nos saudava,

de prata,  pintava  a relva suave,

o vento, a deslizar, suavemente,

com a alegria, fazendo conchaves.

A semente, a deslizar, dentro da terra

a terra á cobrir-lhe a nudez,

Depois de amadurecer-lhe,

começava tudo outra vez.

Eu, com meus olhinhos curiosos,

a contemplar  tudo com amor,

a vida e sua vitória,

sem lamento ou temor.

Hertinha fischer