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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Inspiração

As vezes, ao falar sobre um tema, elevamos tão alto a nossa própria inteligência,
 a ponto de ninguém entender o que queremos dizer.
Respeito aqueles que dizem pouco e  falam tudo sem delongas e longas explicações.
Porque o relativo é simples e o simples é iluminado.
Para acender um pavio, só ha a necessidade de um fósforo, se já com a luz acesa,
 tentar acendê-la novamente, será pura perda de tempo.
Por isso, os livros que contém muitas paginas, quase sempre, se torna repetitivo.
O sim é sim, o não é não e ponto!
Não ha o que se acrescentar.
Há muito de mentira nos acréscimos.
Gosto de poesia, mas, tem quem ache que algumas poesias não vem do coração,
são absolutamente sem emoção. Concordo!  Certos autores procuram as palavras certas, e essa procura, já não condiz com o seu estado.
Outros se prendem em estudos sobre palavras, esquecendo que o simples é muito mais compreensível.
O poema e poesia ou outro meio em que podemos nos comunicar com outras pessoas sem que precise de presença. O físico não importa, as palavras precisam tocar, e para tocar, ela precisa ter coração.
E que vem a ser coração em uma poesia, senão o escrever o pensamento, o que se sente ao
ver algo ou alguém, sem no entanto, usar os olhos.
Tem dias que não consigo escrever nenhuma palavra, tão distante estou de mim mesma, que, se tentasse, provavelmente, não faria nenhum sentido.
hertinha Fischer







O elo

Ouço cantos de pássaros lá fora,
assoviando sua melodia,
não reconheço a letra,
e penso que é só agonia.

Dizem da injustiça, como se conhecesse a justiça,
mas justiça o que seria.
O pássaro constrói o seu ninho,
 a cobra rouba seus ovos
quem seria o mais injusto,
em se tratando de seus filhos.

Uma vida por outra, é assim
que a natureza trabalha,
a vida seria um nada
se não houvesse batalha.

A flor rouba a umidade da terra,
a terra rouba o conteúdo da flor,
ambas se nutrem uma na outra
mesmo cada um contando sua dor.

Um pai trabalha por seus filhos
até se consumir em seus dias,
depois o filho se torna pai.
e o mesmo lhe acontece.

Um vai embora ainda criança,
sem conhecer nenhum mal,
Outros vivem por cem anos,
e é o mesmo final.

Hertinha Fischer









Eu , amanhã

Para onde vais, segue o mundo.
pois é só mundo que há
Para onde anda segue o pé,
sem o pé, chega pouco

E me arrastando de corpo e de tudo,
ruminando palavras no compartimento de sonhos,
 sem ter onde me derramar.

Ando, ando, para nunca chegar
descobrindo o que já se achou,
 sim, sim, meu Senhor,
são só retalhos de dor.

Segui pela mesma estrada
onde, muitas vezes passou,
Sim, sim meu senhor, assim também o levou.

Hertinha Fischer









Um lugar para se esperar

Sinto-me meio longe,
rosto e sorriso largo, nem
sequer me vejo.
Uma angustia de dia seguinte.

Um amargo de hoje na boca,
um silêncio mesquinho
de quem não se entrega
a própria definição.

Será só esta vida malograda de
anos contados, gotas em oceano
ou ainda há alguma esperança de mais.

Até onde a minha fé vagueia,
se sem fé também se vai
O criador sempre me arranca
a máscara
me deixando sempre a querer mais.

Eu peso, tu pensas, e acordo não há
uma soma de nada, nada a acrescentar,
só doenças e ais.

Não estou mais aqui, aqui não quero estar.
Dentro do pensamento é que me alegro,
no egocentro sou mais eu
sem ninguém à me perturbar

Este é o meu céu, aqui o meu senhor
me desperta, aqui eu posso
sentir a alva surgindo
nada denegrindo esse parecer

Que mais me espera
se vida ou morte, tanto faz
Uma ou outra, já se fez, ou se faz ouvir
a trombeta à tocar, anuncia que virá
tudo o que ainda não veio.

E se vem, já não posso
e se posso, já estou,
e se estou, para que me preocupar....
Hertinha Fischer




quinta-feira, 9 de abril de 2020

Ilusionismo

Estou criando o meu próprio mundo.
Um mundo paralelo em função da reclusão.
Um pouco para a escrita, outro pouco pra comer,
outro pouco só para continuar viva mesmo.
Se a morte está na esquina, para lá é que não vou,
mas, e se ela já criou asas e braços para abrir minha porta,
nisso eu ainda não pensei.
A minha idade já demonstra o quanto ela me espreita,
ah! mas, se,  eu posso retardá-la, por que não?
Vou fechar-me entre quartos, respirar bem manso, falar
o mais baixinho possível: aqui não!
Não quero ninguém por perto, Vai que a morte venha
galgada em seu colarinho sem você perceber.
Vai que ela te use só para me enganar,  e assim que eu
me distraia, queira me levar sem eu querer.
Eu quem mando na minha casa, só saio se eu quiser,
e por enquanto, enquanto está lá na rua, aqui me sinto segura.
Será?
Hertinha fischer







terça-feira, 7 de abril de 2020

(Tudo ao contrario) oirártnoc oa oduT

A fada madrinha está fadada a morrer,
sua varinha não funciona: A abóbora apodreceu, a
princesa sumiu, o príncipe adoeceu
A carruagem se transformou em fogo, o fogo
consumiu o romantismo e o castelo desmoronou.
Eis uma praga do Egito que ninguém sequer falou: amor
ao contrário, amor que mata, que se transforma em ódio
após  amor.
Mundo podre ou gente podre amando o mundo, como
se o mundo fosse seu?
Em que partido nos partimos, em que nos
transformamos após nascer?
Liberdade de promessas que nem sequer  se ouviu falar,
se corrompe em cada esquina e em braços
desleais se escora.
O direito se tornou defeito, o esquerdo o direito que de
todo se fartou.
Os montes clamam pelo bem, o bem jaz nas planícies,
onde homens se aninham.
Esquadrinhando a vida, a morte a perder de vista,
e a vista turva e egocêntrica, só a enxergar seus tostões.
Consumismo consumindo almas, divertindo-se calma
no comunismo da paixão..
Hertinha Fischer







quarta-feira, 1 de abril de 2020

Desespero Humano


Eu estava lendo um livro de bolso escrito por Sorem Kierkegaard, tradução de Fransmar Costa lima,
Titulo: O desespero Humano, que diz o seguinte:
Não é a morte (João 12,14) esta doença e contudo Lázaro morreu. Como os discípulos não compreendessem a continuação: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas eu vou acordá-lo do seu sono. Sem ambiguidade Cristo disse-lhes: Lázaro está morto (11,14).
Portanto, Lazaro está morto, e contudo sua doença não era mortal, mas o fato é que está morto, sem que tenha estado mortalmente doente.
Sem dúvida, Cristo pensava nesse momento no milagre que mostrasse aos contemporâneos, isto é, àqueles que podem crer, a gloria de Deus, no milagre que acordou Lázaro dentre os mortos.
De modo que não só essa doença não era mortal, mas ele o predisse, para maior gloria de Deus, a fim de que o filho de Deus dessa forma fosse glorificado.
Todavia, ainda que Cristo não tivesse acordado Lázaro, nem por isso seria menos verdade que essa doença, a própria morte, não é mortal.A partir em que Cristo se aproxima do túmulo e exclama: Lázaro, levanta-te e anda! (11,43) já estamos certos de que essa doença não é mortal. Mesmo com essas palavras não mostra ele, ele que é a ressurreição e a vida (11, 25) tão só pelo aproximar-se do túmulo, que essa doença não é mortal? Mas simples fato da existência de Cristo, não é isso evidente? Para Lázaro, que proveito haveria em ter ressuscitado para ter de acabar por  morrer!
Que proveito, sem a existência daquele que é a Ressurreição e a Vida para qualquer homem que nele creia! Não, não é por causa da ressurreição de Lázaro que essa doença não é mortal, mas por Ele existir, por Ele. Porque na linguagem humana a morte é o fim de tudo, e, como se costuma dizer, enquanto ha vida há esperança. No entanto, para o cristão, a morte não é o fim de tudo, nem sequer um simples episódio perdido na realidade única que é a vida eterna. A morte implica para nós infinitamente mais esperança de que a vida comporta, até mesmo quando saúde e força transbordam.
Nesse sentido, para o cristão nem mesmo a morte é a doença mortal, e muito menos todos os sofrimentos temporais: desgostos, doença, miséria, aflição, adversidades, torturas do corpo ou da alma, mágoas e luto. De tudo o que coube de alguma maneira aos homens, por muito pesado, por muito duro que lhes seja, pelo menos, aqueles que sofrem, a tal ponto que os faça dizer que a morte não é pior, de tudo isso, que se assemelha á doença, mesmo quando não o seja, nada é mortal aos olhos do cristão.
Pois essa é a forma magnânima como o cristianismo ensina ao cristão a pensar sobre todas as coisas deste mundo, incluindo a morte.
É quase como se lhe fosse necessário orgulhar-se de estar altivamente para além daquilo que corretamente é considerado infelicidade, aquilo que vulgarmente se diz ser o pior dos males.... Em compensação o cristianismo descobriu uma miséria cuja existência o homem, como homem, ignora: a doença mortal é essa miséria.
Pode enumerar à vontade tudo que é horrível ao homem natural - e tudo esgotar, o cristão ri-se da soma. A diferença entre o homem natural e o cristão é semelhante à da criança e  e do adulto. Nada é para o adulto o que faz tremer a criança. A criança ignora o que seja o horrível, o homem sabe e teme. A deficiência da infância está, primeiramente, em não conhecer o horrível, e em seguida, devido à sua ignorância, em tremer  pelo que não é para fazer tremer. Igualmente o homem natural. Ele ignora onde verdadeiramente jaz o horror, o que todavia não o livra de tremer. No entanto, é do que não é horrível que ele treme. Dessa forma, o pagão na sua relação com a divindade não apenas ignora o verdadeiro Deus como adora, além do mais, um ídolo como se fosse um deus.
O único que conhece a doença mortal é o cristão. Porque o cristianismo lhe dá uma coragem ignorada pelo homem natural - coragem concebida com um receio dum maior grau de horrível. verdade é que a coragem à todos é dada e que um receio de um maior perigo nos dá forças para afrontar um menor. E, finalmente, que o infinito temor dum único perigo torna inexistentes todos os outros. Não obstante, a lição horrível do cristão está em ter aprendido a doença mortal....
A primeira doença mortal é o desespero...
Fim!