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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

terça-feira, 6 de junho de 2017

Esquecimento

Dia triste quando me derramei feito
chuva de frente fria.
Uma enxurrada de duvidas permeava
a descida dos meus sentimentos.
Você me encarava como quem encara
uma novidade, para depois deixar-me
apagada num canto
incerto.
Dei-me de todo, não sobrava
nada em mim que não fosse seu.
Minhas noites celebravam
sua imagem, quase que como um deus
pagão.
Vagava em meus sonhos sem
pedir licença, me arrastando
á um mundo sem volta.
Era você somente a mostrar-se
em meus dias, quase a apagar
outras historias.
Quase a apagar o bem que vivia em mim.
 dono do meu querer,
juiz e carrasco dos meus desejos.
Precisava acordar e tirar-te da minha mente,
precisava desesperadamente te esquecer.
Com o ego fraco e a vontade adormecida, só
me restava as lágrimas e desespero.
Eis que naquele imenso aguaceiro
de dor, abriu-se o sol de um novo amor,
me tirando daquele estado de torpor.
 Outras imagens apagaram as suas,
sonhando outro sonho que não
era você e tudo recomeçou
novamente.

Herta Fischer  (Hertinha)



segunda-feira, 5 de junho de 2017

O meu lugar

Não ha nada além do que vejo,
nada a declarar sobre o
que ha além do meu leito.
A água fica onde ha como correr,
o mar esta encarcerado em
seu lugar, não
pode transpor o limite,
E eu, assim como todos: sou
o que vim para ser.
Não é por acaso que escrevo, não
é por acaso que encaro toda
essa arrogância de achar
que posso, mesmo sendo analfabeta
total referente a muitas outras coisas,
assim mesmo, a  vaidade de existir é que me faz.
Herta Fischer (Hertinha)




Ruídos no silêncio

Eu gosto de ruídos, aliás, convivo com ele a algum tempo,
um zum zum dentro do ouvido não me deixa em silencio.
Por isso a chuva no telhado é mais que uma canção,
o vento uivando lá fora é musica.
O som de uma simples folha se desprendendo
de seu leito me faz feliz.
Já terei silêncio o suficiente quando me baixarem
a terra, e por enquanto, que cantem as cigarras, que
gritem os grilos, que se lamentem as folhas ao despregar-se,
que se vente bastante, que se fale de tudo, que se esbaldem
os ruídos.
Herta Fischer (Hertinha)

Silencio a dois

Oi amor.
Eu pensei que sempre
seria o mesmo, até perceber
que o tempo une, mas,  na vaidade
se distrai.
Teu real interesse estava na juventude
que me alimentava, na boca que
jorrava perfume.
Enquanto tudo se fazia no
dia-a-dia que abruptamente
nos engolia, sua missão
ficava cada vez mais fraca.
Teu olhar se entornava em outras
direções, e seu querer, de mim,
 se afastava.
Embora ainda me quisesse, quando seu corpo
pedia, não era mais eu a despertar interesse,
mas, sim, a vaidade que lhe atribuía afeição.
Ficamos lado a lado, como
dois seres inanimados, que se mexem
por comodismo, que se aceitam por
conveniência, apegados somente
pelo compromisso.
Onde foi que nos perdemos?
Não nos perdemos um do outro, mas
nos perdemos em nós mesmos. quando
a emoção se foi,
Ficou a amizade, o silêncio conta tantas historias,
e o coração solitário pulsa aqui e ali.
Não restou mais nada daquela quentura,
quando ainda te esperava pela tarde, e meu
amor chamava por você.
Ainda fala de seus atos, daquilo que lhe agrada,
mas, de mim, do que eu sinto, não lhe interessa mais.
Estou, sempre estou, mas não faz nenhum
sentido, pois seu interesse mudou, ou
foi eu quem mudei?
Herta Fischer (Hertinha)






Obsoleto sentimento


Cheguei ao entardecer
quando a auréola  do dia se desfez
 em nada.
Preguiça tinha de ver,
de sentir
o que já não tinha
Deixei, talvez, lembrança,
mas, que sei eu?
Não posso ver o
que o outro sente,
a não ser que me digam.
Mas, do que esta
na distância, do
que imagino sem som e sem
memoria?
Falou do que sentia,
e a brisa do seu falar
me trouxe redenção, até
que o ir embora foi
sua ultima palavra.
E esse silêncio ainda me
incomoda e não me dá sossego,
Quero saber se já não pensa mais em mim.
Se ainda se lembra do que sentíamos, ou
o tempo é mesmo tão cruel, a ponto
de trazer esquecimento total.
Tão obsoleto é esse sentimento
que insiste em ultrapassar medidas,
que de memoria ainda vive, e não
quer te esquecer,

Herta Fischer (Hertinha)




sexta-feira, 2 de junho de 2017

Seria inverno?

O céu tão brincalhão
está a fazer serão
e as nuvens suspensas
a radiar inspiração,
brincando
de pega-apega
cheia de paixão
vai e vem
com muita disposição
A chamar pelo sol
de verão
que só chegará
na próxima estação.
E o meu coração
tem a sensação
de que não
chove não!

 Hertinha Fischer
:D

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Criando saudades

Solitária e triste está a minha
janela, aberta para seu dia chuvoso.
Tantas historias se
desvendando por ai, tantos
segredos sendo engavetados,
e eu aqui, completamente
alheia a tudo.
Minha alma se consome em nostalgia,
querendo viver de passado, querendo trazer o tempo
escorrido pelas mãos, a novamente fazer o feito
que se deixou para trás.
Não é saudade de amor, não é saudade
de mim,. É, sim, saudade dos
passantes que já se foram, e me
deixaram sem querer.
E sem querer eu também passei á passos largos,
e não sou mais quem eu era, fui
descobrindo por mim mesma, a maneira
de passar e deixar rastros na memoria,
que aos poucos também se vão.
A chuva traz em si, lembranças.
E sobre esta lembrança eu crio saudades.
Herta Fischer  (Hertinha).