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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Vaso de honra

Sinto uma felicidade imensa
em ser quem sou.
Em estar aqui, mesmo que
deseje estar em outro lugar
bem mais bonito.
Amo quem esta do meu lado,
me satisfaço com minhas escolhas, ou
com a escolha que o destino me reservou.
Não poderia haver nenhum outro lugar melhor para estar.
Tudo esta no seu devido lugar e tudo está bem.
É uma honra fazer parte dos planos de Deus,
mesmo que não saiba o que ele me reservou.
Se for trabalho? farei o melhor que posso!
Se for descanso? descansarei bem! Se for sofrimento? serei
forte! Se for alegria? sorrirei como ninguém! Só não
quero ficar de fora.
Mas, também, se ficar de fora, não hei de reclamar. Ele
sabe o que faz.
Sou obra  d'Ele, sou vaso feito por Ele, e serei um utensílio
de valor mesmo que fique vazia num canto.
Quando precisar de mim, estarei pronta para qualquer trabalho,
 pois me entrego na alegria do meu senhor.
Oh! alegria, alegria, Que mais posso querer?
Herta Fischer (Hertinha)




Na dor ou no sofrimento eu sou a mesma

Estou tão acesa hoje,
me sentindo repleta de luz.
Dizem que escritores tem borboletas
dançantes no coração, eu acho que
temos borboletas na alma, e elas
nos deixam desconfortáveis, por
isso colocamos tantos
sentimentos para fora.
É bem mais fácil escrever
quando não estou muito bem.
Lembro-me mais uma vez a história de
Jó. ele não teria conversado tanto
com Deus, se não fosse o estado
miserável no qual se encontrava.
Não sei bem o por quê, mas quando
fico com o coração pesado por causa
das confusões do mundo, fico
um tanto mais sensível.
E essa sensibilidade me possibilita
sair um pouco de mim, para me engajar
numa boa leitura, ou venho para cá, a falar
de sentimento.
Não é fuga, pois sei que fugir da vida me seria
impossível, e nem quero. Preciso viver tudo
o que tenho para viver, os bons e os maus momentos.
Só assim, me satisfaço no dia, e acredito,
 o dia se satisfaz em mim.
A alma se encontra com a vida que ha em mim,
e nesse encontro eu me satisfaço, embora tenha
dias em que ela parece querer me quebrar por dentro.
Porém, quando ela se quebra, vem uma onda de Deus,
que a faz novamente em brotos, e a cada folhinha
desengonçada que se faz, mais eu me encho de vida.
Não posso reclamar, sou tão apaixonada por tudo,
que até para a dor, eu arrisco um sorrisinho.
Nada me derruba, muito pelo contrario, cada
vez me sinto mais forte, cada tropeço me
embala para mais passos.
Tenho pena de quem cultua sofrimentos pelas perdas, pois
assim, somos nós que nos perdemos em perda de tempo.
Eu vou, assim como uma nuvem dança no céu, a saudar
o vento, amando o seu estado, mesmo sabendo que em algum
momento se tornará apenas uma lembrança a quem a viu e se encantou
com a sua passagem.
Eu sou assim, que de dia ou de noite, não importa! não sofre
mudanças, por saber merecer cada segundinho de esperança
que me embalou em sonhos até agora.

Herta Fischer (Hertinha)






quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Sonho de amor

E lá estava eu, mais uma vez,entediada
e nervosa.
Coloquei as mãos no bolso do jaleco,
como que, para esconder a tremedeira.
Não adiantou, pois tão logo, ele me perguntou:
-Está com frio?
Eu não lhe respondi, com medo de vacilar
nas palavras, pois todo o meu corpo tremulava
por dentro.
Não era para ser assim,
Temi aquele encontro, mas, também o desejei,
tanto que até o ensaiei por dias.
Ele era o meu sonho de consumo, porém, nem sei bem o
que seria isso. Consumação, quer dizer.. Ah, não!
definitivamente não.
Foi então que ele me convidou a entrar, e o cinema
estava cheio. Era dia de estréia e o filme muito esperado,
tão esperado como aquele encontro que hoje se realizava.
Sentamos no fundo, pois quase todas as cadeiras estavam tomadas,
coloquei a minha bolsa sobre o colo, e imediatamente o ouvi
perguntar: Se queria pipoca! eu apenas balancei a cabeça afirmativamente.
Quando ele se levantou, eu soltei todo o ar do meu pulmão, até
então, ficara represado, tinha medo que um som um pouco
maior pudesse estragar aquele momento.
 Estendendo as minhas pernas de encontro
ao assento da frente, levantei os joelhos e delicadamente
deixei-me relaxar, respirando um pouco mais devagar.
Tão logo, a cortina se abriu, eu o vi voltando, novamente
estremeci. Não entendia aquela minha mania de gostar
desse jeito, tão melindroso e abusado que me colocava em cheque mate!
As luzes se apagaram no instante em que ele abria passagem por entre
as cadeiras, para chegar  até onde eu o aguardava,
Sentou-se e me entregou o pacote de pipoca e uma lata de refrigerante,
eu peguei meio sem jeito, era a primeira vez que alguém
 comprava alguma coisa para mim, eu não me senti bem, parecia que o
estava lesando de alguma forma, pensei em lhe pagar depois, mas decidi
que não, não queria lhe deixar sem graça.
No instante seguinte, ele segurou a minha mão, e um
arrepio percorreu a minha espinha,um calor gostoso
chegou ao coração, que parecia enlouquecido, tanto que batia.
O filme começara, e eu nem tinha tomado conta, apenas aquela presença
enchia a sala, não havia mais nada de interessante, a não ser o
seu perfume que me enchia as narinas, me embriagando e me alucinando
a ponto de quase sofrer um mini desmaio.
Quando, de repente, seus lábios vieram na direção dos meus, quase desfaleci,
era o primeiro beijo, e uma onda de êxtase colou em meu corpo
como uma sangue suga cruel. E eu me deixei levar.
Não sabia o que fazer, não sabia como me comportar, então, fiquei imóvel,
quase petrificada, era uma emoção boa, mas, ao mesmo tempo, uma
emoção perigosa, eu sabia.
Trocamos vários beijos, e cada vez mais, minha boca ia ficando sem palavras,
eu ouvia apenas algum grunhido toda vez que ele falava alguma coisa, se
respondia, não sei, não me lembro.
E o filme se desenrolou, e eu não ouvi uma palavra do que diziam, nem
tão pouco olhei para a tela. aquele amor que eu vivia naquele instante
me preencheu, também acabou preenchendo todo o meu mundo.
O tempo voou, quando percebi, estávamos saindo pela porta, foi quando
ele se despediu de mim, com um último toque, um leve roçar de lábios, e
se foi.
Na semana que se seguiu, eu pisava em ovos, a lembrança do que vivi,
me deixou fora da realidade, vivi como se não vivesse, apenas respirava,
mas ainda permanecia sentada naquela poltrona com meus
lábios grudados nos dele, sentia até seu gosto.
Só que, de semana em semana, tudo foi ficando cada vez mais longe, até que,
sumiu para sempre. Ele nunca mais me procurou, e eu também não tive coragem para
me aproximar.
assim começou.. assim terminou, como
um dos sonhos mais lindos..E de sonhos em sonhos.. vou me realizando!
Herta Fischer (Hertinha)
















Por muito tédio

E o Dindinho
saiu de fininho como um rato
descoberto dentro
do porão.
De pé em pé, medindo
o espaço para que não
esbarrasse em nada, sumiu
entre as latas vazias
da rua que lhe assistia.
Nunca se sentira tão bem,
e se perguntou: Quem
em sã consciência moraria
para sempre dentro de uma
grande caixa?
Só os seres humanos mesmo...
Isto é de longe a liberdade!
Herta Fischer

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Andando sobre nuvens

Lá estava eu, entre lençóis amarrotados, deitada sobre um colchão velho, estendido no ladrilho da sala. Sentia um vazio dentro de mim, tão grande quanto o dos quatro cômodos que formavam a casa. Cheguei do trabalho cansada e com fome, sem ninguém para me esperar, apenas a presença solitária de um minúsculo rádio de pilha me fazendo companhia. Tocava uma música serena, que falava de amor e me enchia de nostalgia. Eu era completamente só, embora fizesse parte de uma grande família. Meu pai havia acabado de comprar aquela casinha, dividida em duas, parede com parede. Minha irmã mais velha, o marido e a filha moravam do lado esquerdo, enquanto eu, por força maior, fiquei no lado direito, apenas para ter onde dormir. Não havia móveis nem nada, só paredes e janelas quebradas.
Eu sonhava com um amor que, pelo menos, me arrancasse daquela solidão insuportável que tomava minhas noites, quando uma nuvem negra de tristeza completa caía sobre mim. Sentia-me como um pequeno barco à deriva, num mar imenso de incertezas e desalento. Durante o dia, distraía-me no trabalho, mesmo sendo duro no chão de fábrica, sugando tanta energia que, ao chegar naquela casa que nada tinha de lar, eu me jogava no colchão e, para esquecer a fome, me entregava aos sonhos mais loucos. Muitas vezes, quando a música falava de amor, eu me deixava levar, vivendo a letra como se fosse minha. Minha realidade não tinha nada de felicidade, era totalmente carente de sentimentos, e a única forma de sobreviver era me identificar com a dor — quanto mais doía, mais eu me entregava a ela, como se fosse meu porto seguro.
Chorava tanto que meus soluços me sufocavam e meu peito parecia explodir. Buscava amor em lugares e pessoas desconhecidas, já que minha família parecia não se importar. Sempre precisei muito de carinho e vivi à sombra, dando muito de mim e recebendo apenas migalhas. Talvez pela forma como fui criada e pelo jeito reservado dos meus pais, que nunca demonstravam preocupações com os filhos. Como patinhos abandonados, eu e minhas irmãs vagávamos pelas margens da vida, catando pequenas oportunidades para sobreviver. Saí de casa aos quatorze anos e passei a vagar, trabalhando aqui e ali, morando em pensões e, muitas vezes, sem ter o que comer. Meu pai, descendente de alemão, casou-se cedo, e minha mãe tinha apenas dezesseis anos. As obrigações de dona de casa e mãe de cinco filhos a desgastaram tanto que adoeceu. Quando meu pai achou que já tínhamos idade para nos virar sozinhos, simplesmente nos descartou, como quem se livra de um peso. Cada um seguiu seu caminho, e duas de minhas irmãs se casaram para fugir da situação. Eu, mais jovem, jamais encostaria em alguém ou usaria outra pessoa como apoio; modéstia à parte, era mais inteligente que isso. Trabalhava, muitas vezes como uma escrava, mas pelo menos tinha onde comer. Com pouca escolaridade, mas muita necessidade de trabalhar, consegui emprego de garçonete, morando nos fundos da lanchonete, entre garrafas vazias e solidão.
Assim se passaram dois anos, até que consegui emprego numa fábrica, e as coisas começaram a melhorar. Morei com uma boa família por esse tempo, foram gentis comigo, mas eu precisava de um lugar só meu, para não depender tanto dos outros, pois sempre me senti uma intrusa. Foi então que, milagrosamente, meu pai comprou uma casa e, como não havia quem cuidasse dela, ofereceu-a à minha irmã mais velha. Como era grande, antes que fosse alugada, mudei-me para lá, sabendo que em algum momento teria que sair. Mas à noite tudo virava um tormento: fantasmas me cercavam como mariposas atrás de luz, quase me reduzindo a nada. Quando o dia se despedia e a noite surgia para me lembrar das dores e aterrorizar meus olhos cansados, eu ficava paralisada pelo medo. Um medo inventado, alimentado pela minha mente cruel, que dava vida a tudo ao meu redor. Eu e o mundo parecíamos ser um só. As paredes se moviam, as janelas fervilhavam de seres estranhos que, por entre os vidros quebrados, se espremiam e me atacavam de forma tão real. Eu fechava os olhos com tanta força que minhas pálpebras ardiam, enquanto os sons que eles bramiam me enlouqueciam. Talvez fossem ecos daquilo que faltava na minha vida: já apagados, o som da voz da minha mãe me acariciando, o do meu pai me apoiando e o dos meus irmãos, distante, embora próximo, ausente pelas suas próprias preocupações.
As pessoas acabam esquecendo de tudo quando estão tão presas às próprias conquistas. Comigo não foi diferente; já se foram os anos em que havia alguma conexão. Quando ainda sonhávamos juntos, a família unida num mesmo pensamento e propósito, cantávamos a mesma canção. Agora, o mundo nos colocou em posições distintas e, infelizmente, competíamos uns contra os outros para ver quem se sairia melhor na vida. E eu perdia. Sempre perdi, desde criança, por ser menor, por não ter a mesma força para disputar. Preferia perder a ver nos olhos deles a decepção. Agora, trancada neste quarto, espero ansiosa pela luz do dia, quando todos os fantasmas se recolhem na noite e não voltam a sair. Não posso contar com ninguém. O tempo, que nos escapa e nos comanda, acaba por nos transformar em seres errantes e completamente sós. No trabalho, até me divertia, e todos os pesadelos ficavam para trás, guardados na memória, mas ganhavam força ao anoitecer. Rezava para que o dia nunca acabasse e eu não precisasse atravessar aquela porta novamente. Mas o que fazer? Não sou dona do tempo, nem de mim. Assim que me deitava no chão frio, a fantasia tomava conta. Quando todos os sons da rua se calavam e todos pareciam dormir, eu tentava desesperadamente sair de mim — e quanto mais queria, menos conseguia.
Os olhos pareciam pesados demais para relaxar, o corpo leve demais para se deitar, e na minha imaginação eu podia voar, mas raramente me sentia tranquila nesses voos. Não havia paz. Pensava nas almas penadas, como se todas estivessem ali, me cercando, querendo me levar. Não havia abrigo que as mantivesse longe; atravessavam paredes e, mesmo que não pudessem, minhas janelas continuavam abertas. Deixava o rádio ligado e via morcegos dançando ao som de cada música, mesmo de olhos fechados, continuavam me assombrando. Às vezes, sentia um peso no estômago, os braços pesavam uma tonelada, e ao tentar me mexer, não conseguia. Isso durou quatro longos anos, mesmo quando me mudei para um quartinho nos fundos, depois que meu pai alugou a casa. Achei que tudo mudaria, afinal, cercada por quatro paredes, me sentia mais segura. Comprei um fogão, um guarda-roupa e uma cama de solteiro, preenchi o cômodo para que coubessem menos fantasmas. Mas nada adiantou. Era como dormir sobre uma lápide fria, e os túmulos me assombravam, quase me levando à loucura. Aos poucos, fui me rendendo ao medo até descobrir que eles estavam dentro de mim; o que me assombrava não existia de fato. Eu os criava, e tomavam forma porque eu acreditava que eram reais. Ao me sentir desprotegida e acreditar que ninguém me amava, criei dentro de mim aqueles seres que representavam o que eu sentia: completo abandono. Comecei então a afastar os pensamentos negativos e a pensar na luz, relaxando como uma criança no colo da mãe, e assim, dormir ficou cada vez mais fácil. Não digo que não tenha entrado em depressão, pois para alcançar a claridade das coisas, antes precisei conhecer a escuridão que me dominou.
A escuridão dentro de mim era imensa, e precisei buscar forças fora para entender, enfim, que eu mesma era responsável pelas minhas noites mal dormidas. Levou quase um ano para fazer aquela faxina: retirei todos os resquícios da mágoa que sentia em relação à minha família, comecei um curso sobre alegria, aprendendo a senti-la por mim mesma, sem depender que outro a semeasse. Passei a acreditar mais em mim. Também coloquei na cabeça que tudo o que eu via na luz era exatamente o que existia no escuro; andava apalpando cada coisa, cada móvel, e não tropeçava em nada que não estivesse ali materialmente. Então, como mágica, minha mente foi voltando ao normal. Os pesadelos diminuíam a cada noite até sumirem por completo. Mesmo quando assisto a algum filme de terror, só me arrancam sorrisos; nada mais me faz arrepiar. Não me sinto abandonada: meus pais apenas me deixaram ir para que eu pudesse escrever a minha própria história; meus irmãos, igualmente, seguiram suas vidas, apenas não podiam me incluir nelas. O passado, já tão distante, não me traz nenhum terror, apenas lembranças de quando eu estava enterrada viva num caixão de fanatismo — fanatismo pela autopiedade. Me tornei uma pessoa muito mais forte, capaz de transmitir tanta experiência aos meus filhos que eles até me chamam de ninja!
Herta Fischer (Hertinha)






























Sorriso..uma marca sua

Deixe que o seu dia se faça...
te faças com ele.
Ele é tão suave.
Não o perca com suas neuroses.
Esse dom de sorrir, nada mais
é que o seu mais precioso achado.
Aquilo que buscastes no desespero,
aquilo que colhestes com lágrimas,
é o teu maior tesouro,
Nele encontras Deus em seu âmago,
lapidando-te para acolher-te
como joia preciosa.
É o teu sorriso que mais
o encanta!
Herta Fischer

Seu mais precioso achado

Deixe que o seu dia se faça...
te faças com ele.
Ele é tão suave.
Não o perca com suas neuroses.
Esse dom de sorrir, nada mais
é que o seu mais precioso achado.
Aquilo que buscastes no desespero,
aquilo que colhestes com lágrimas,
é o teu maior tesouro,
Nele encontras Deus em seu âmago,
lapidando-te para acolher-te
como joia preciosa.
É o teu sorriso que mais
o encanta!
Herta Fischer